Afinal, qual é o papel do poeta?

Jorge Linhaça

Há anos que venho lutando com esta questão e, confesso, não sei exatamente o que pensar ou como pensar.

Para mim o poeta, enquanto pessoa inserida em uma sociedade, tem sim a responsabilidade de atuar como um cronista e formador de opinião, não apenas para esta geração mas também para todas as gerações futuras que tiverem contato com sua obra.

Não consigo entender o poeta como aquele ser delirante, preso em seu idílico mundo próprio e alheio aos problemas da sociedade onde vive e convive. Não digo que não se possa falar de amor, que as poesias de dor ou solidão não tenham o seu valor, o que não consigo compreender é a falta de combatividade poética quanto a questões sociais, aos dramas do cotidiano, ao resgate da humanidade em cada pessoa.

Como podem os poetas não ver os moradores de rua? Como podem não ver o horror das guerras?

Como podem se calar sobre temas como aborto, pedofilia, estupro, criminalidade?

Como podem passar ao largo, dia após dia, de todos os desmandos de todos os governos e pseudo-autoridades?

Será que a maioria dos poetas é refém dos aplauso fáceis e efêmeros que se conseguem tratando de amenidades?

Será que a maioria dos poetas é refém de uma doutrinação dos tempos da ditadura, onde falar o que se via era sinônimo de correr risco de prisão ou morte?

Ou será que, apenas e tão somente, os poetas fogem para um mundo paralelo, de versos cor-de- rosa para tentar apagar de suas córneas a realidade triste, nua e crua do dia a a dia?

Não sei a resposta correta, nem mesmo sei se existe uma resposta correta, ou várias delas, apenas sei que gostaria de conhecer os pensamentos da maior quantidade possível de colegas das letras para tentar entender esse tal “ mundo da poesia” presente na mente de cada um.

Aguardo suas considerações.

Abraços fraternos

Jorge Linhaça

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Boa tarde Poeta Jorge Linhaça!

Comecei a escrever poemas sociais, foram os primeiros, um tema criticado por muitos por verem no poeta seres que enfeitam as vidas. Com o tempo vi a luta de muitos poetas que lutavam pela liberdade de povos. Acredito que seja um dever humano e moral os poetas irem de encontro os desmandos do mundo, dar seus poemas como escudos aos povos, ser as vozes caladas pelo medo. 

Desejo-lhe sucesso e que alcance o maior número de pessoas, Deus o abençoe muito! 

Jorge Linhaça.

É interessante e bela a tua crônica.

Concordo com todas as tuas assertivas.

Penso que o poeta dos dias atuais também tem um papel social.

Lindolf Bell foi um poeta catarinense que defendia um movimento, junto a outros poetas,

de declamar os próprios poemas em lugares públicos. E assim ele fazia. Enquanto viveu

o movimento  continuou.

Abraços.

Boa tarde querido poeta Jorge! Um magnifico texto! De modo geral sinto que o poeta  não está apartado do mundo em que vive, de alguma forma a sua poesia expressa  sentimentos em relação á estas questões, talvez não as nominando ou até somente publicando  em locais específicos, é o que tenho visto dentro das plataformas Ning,

devido aos estatutos que regem as mesmas.... Grande beijo, MIL..

Posso dizer que o que mais me aproxima da poesia, é fugir de mim.

Visitar horizontes alheios, pois os meus eu já conheço!

Posso falar deles algumas vezes, mas gosto de dar voz aos que precisam

de uma voz a mais, como um apelo...

O mundo da poesia é extenso, encantador, cada um escreve de um jeito diferente,

mesmo que se esteja falando do mesmo assunto!

Boa tarde querido escritor Jorge Linhaça!

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