FINITUDE ...

 

É Janeiro. Saio para meditar, nesta enorme quietude do entardecer, na silhueta definida das árvores e do som puro dum latido de cão mais a sul!  Tudo se destaca nesta Hora Dei, de penumbra imóvel, por ausência de vento e seca de humidades! Há mais um cão a oeste e mais longe, que responde a outros que pressinto em esparsos latidos! São Cãoversas! Nada mais! 

 

No ar flutua cheiro perfumado de lareiras acesas! O Frio faz-se presente, apesar de,  ou por isso mesmo, as amendoeiras já nevarem os campos de alvura rosada, ignorando frios, cumprindo apenas e só seu ADN. 

Acende o Pastor sua Estrela, escureceu o infinito, para melhor a destacar. 

 

Por fim todos os seres deste pedaço serenaram. A calma é muita. Chega a ser palpável. O silêncio que se fez, assusta meu espirito, pela ausência dos pequenos ruídos da noite, que mobilam, que formam balizas aos sentidos, que se encontram na mais completa escuridão! É como se, de repente, algo de forte se preparasse na Natureza. 

 

 

E de súbito...

 

 

O Vento soltou seu sopro fogoso, e o que restava de folhas rodopiaram no ar, os ramos das árvores gemeram, vergando sob a força repentina, uma mesa, esquecida no jardim, foi mergulhar na piscina, os vasos tombaram, quebrando-se... A buganvília soltou-se das amarras, como se quisesse,  livre de suas raízes, voar para longe, para outras margens e conhecer novas paragens. Em Liberdade.

 

 

Recolho a penates, louvar meus Manes e meus Lares! Agradeço a tecnologia por, sem atilhos, simplesmente escrever o que me soi ao espirito, no que era um pacifico anoitecer, prenúncio do que desejaria igual para milhares de almas, que vivem holocaustos de frio, de violência, rasgos de direitos, fugas, bombas, estropiação... O descalabro humano.

 

A Morte em todos os seus ditames.

 

 

O vento forte?! Esse, é tão-somente o Sopro Cósmico Limpador marcando a finitude... do quê?!

Ao leitor a resposta, no que seu íntimo falar...

 

Sem fim...

 

Chantal Fournet

Portugal

16 Janeiro 2017

18h-20h

 

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Respostas a este tópico

Amada Chantal, sem me deter à beleza de tuas líricas letras, ou mesmo à vasta cultura que te é tão natural...

Detenho-me à ideia solidária, que temos tanto...tanto... que até pode parecer ridículo , lembrar neste momento, do companheiro aquecedor, que me acompanha pela casa neste junho frio.

Frio que me dói, aos menos aquecidos que eu, dores que me doem aos menos regalados do que eu,que  afinal posso fazer uma sopa fumegante ao final da tarde e apreciar o espetáculo do pôr do sol aquecida, revigorada , porém entristecida ante os que não têm nem ao menos um lugar aconchegante onde se abrigarem...

À todos os desabrigados , quer do frio, quer das injustiças, quer das intolerâncias, à todas as vítimas dos males deste mundo, tão repleto de cercas e de fronteiras, mas sem o afeto e a ternura, sem a compreensão, que faria deste velho mundo de hostilidades, um lugar melhor e mais hospitaleiro....

Este foi os meus sentires ao le a tua rica prosa plena em sentimentos dóceis, onde a aceitação poderia ser a escolha mais viável para tantos peregrinos sem rumo e sem pátria...

Muito lindo, lindo demais minha querida Maria-José, sempre um deleite te ler, muito grata, parabéns, bjs MIL.

Bellísima descripción del atardecer, da le sensación de estar ahí!!!!!!

Besos!!!!

Aos corações gélidos, que desprezam o calor humano, não se importando com os menos favorecidos. Também existe a busca da mão estendida, a qual não é oferecida, no constante silêncio que somente é interrompido por abruptos ventos. Reflexão que exala intenso lirismo.
Parabéns, minha querida. Por tão bela e lírica composição.
Bjssss, no coração.

Querida  escritora amiga Chantal,

Tuas palavras tão belas e humanas oferecem-nos a descrição de um perfeito anoitecer, quando o vento de repente sopra com violência arrancando árvores pelas raízes e em ruptura, num momento de irritação quebrar e carregar o que  estivesse pela frente.

A lição da Liberdade vive em todos os espaços, começando pelos humanos até os menores seres.

Parabéns por tão belo texto.

Beijos,

Arlete.

Adorável Chantal. Beijinhos.

Com termômetros na casa dos 17º centígrados e uma briza marinha de sudoeste, posso mensurar as dores dos que enfrentam temperaturas próximas de 0º , neve e ventos cortantes. A violência do inverno, tão bem retratada em sua crônica, comove pela imagem dos que têm que enfrenta-la a desabrigo. Tristeza...    

Bom dia, amiga! Forte e reflexivo seu texto! Apreciei sua forma de escrever. Mas estou sentindo muito frio... E não desejo nenhuma forma de holocausto...
Fico feliz que tenha apreciado a visita de Lalande e que tenha com seu neto, conhecido essa estrela.
Beijos, amiga poetisa!
Nina Costa

Querida  escritora amiga Chantal.

Tuas palavras tão belas e humanas oferecem-nos a descrição de um perfeito anoitecer, quando o vento de repente sopra com violência arrancando árvores pelas raízes e em ruptura, num momento de irritação quebrar e carregar o que  estivesse pela frente.

A lição da Liberdade vive em todos os espaços, começando pelos humanos até os menores seres.

Parabéns por tão belo texto.

Beijos,

Arlete.

Parabéns querida Chantal pelo belo que nos faz felizes em ler. Grande abraço , saudades.

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