Poema

Queixas apenas queixas...

Mauro Martins Santos - Moji Guaçu-SP - Brasil

 *****

Pela estrada minhas queixas vou deixando

Para que ninguém zombe de me ver chorando;

Por isso vou ouvindo só, minha voz agoniada.

E pela estrada, evitando esses espectros, ando!

 

Nunca, - confesso - procurei uma existência fingida,

As insígnias as conquistei com dores e lutas medonhas,

Enquanto meus próprios irmãos me achavam feliz,

Imitante aos falsos vendilhões que a Teologia prediz.

 

Meus irmãos viram-me num quadro de aflições

Que me consumiam. Nem Da Vinci o pintaria,

Teria de fazê-lo a sangue, que meu corpo daria,

Feita de meus  tormentos de homem e aflições.

 

Como um arcanjo sem as asas, no horizonte,

Clamava para alguém dar-me certa luz

Na busca intensa de encontrar a cruz

Vinda no brilho nascente do Sol como fonte

 

Levantei-me só, desse rude tormento,

A mágoa da desunião hoje é tão intensa

Que eu penso que a família é uma doença...

A tristeza  às vezes nos é um paramento.

 

A fraternidade fiz o bem de rompê-las!

Os irmãos arranquei das prisões carnais,

Quero viver na luz dos astros imortais

Abençoado com o frio de todas as estrelas!

 

O desdém para comigo foi crescendo apavorante,

E dentro do meu peito, fui lutando o bom combate,

Eu de constante como o mendigo na porta bate,

Nessa exação da procura de coração engolfante;

 

E eu, sim desdenhei da universal grandeza,

Que reputo hoje como total exasperação,

Poeta sentimental, amante da música, da beleza,

Prélio que sofri pelos irmãos forte aversão.

 

Para essas queixas uma folha é pouca

Inda mesmo que  a vontade se esforce;

O palpitar no interior do peito se torce

Mas o perdão se balbucia pela boca.

 

Ouço o jaz, baladas, que vezes tantas me tocou,

Tantos cantaram para atingir a glória nas lutas

Penso em muitos astros, o inimitável Nat King Cole,

As divas negras, massificadas pelas matilhas brutas.

 

Refletindo que para todos os séculos vindouros

Não foi ou será queixa de algo banal, mas afinal,

O que poderia ser um corpo com o brilho do ouro,

Com as mortes dos pais, tornou-se um caso final.

 

Queixas são apenas queixas, que aliviam a alma,

Contudo o pano de fundo é tecido com verdade,

Nada de atropelo, com coerência e muita calma,

Pois, a nostalgia é o profissionalismo da saudade.

 

 **************

 

 

Exibições: 104

Respostas a este tópico

O poema é magnífico, de todo.

Mas o último verso... É daqueles que tem que ficar gravado na memória, para sempre ser usado em prol à poesia.

Parabéns, meu amigo. Mais uma bela obra que criaste.

Bjsss, fraternos.

Minha querida e fiel amiga Mônica,

Sempre uma imensa alegria em poder contatar contigo.

Tu és daquelas criaturas que mais amo como pessoas.

Tens um imenso cabedal de sabedoria literária e sempre

se portando como uma humilde aprendiz.

Por isso digo para mim mesmo sempre:

- Não sabemos, pensamos que sabemos. 

Quando vemos, e temos amigos 

de seu nível de conhecimento 

que têm sempre a verdadeira humildade 

que distingue as grandes mulheres

e homens, dentre os demais,

temos encontrado

o real sentido da AMIZADE.

OBRIGADO QUERIDÍSSIMA MÔNICA, MEU FORTE ABRAÇO

NESTE SEU MAIS QUE MERECIDO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

BEIJOS.

*Confira querida amiga, em publicação em meu blog homenagem ao Dia Internacional da Mulher,

com a Mulher Maravilha e tudo (rs)

Queixas apenas queixas .......um discurso fantástico transformado em poesia pela mestria de um poeta  queixas  A coerência de um sentir magoado dorido afligido uma exorcizarão poética com alto sentimento uma confissão clara e bem definida a certa altura declara a sua censura a  mundo que  rodeia com as suas incompreensões pretende libertar-se de afeições . . Querido poeta  nossas queixas sã exteriorizações para aliviar nossas dores se assim não fosse como aguentaríamos dres desilusões escrever seja poesia seja uma simples crónica derramando nossos sentimento feridos que um alerta que recebemos da nossa alma . Queixas são desagravos aliviar a alma assim o entendo. Parabéns pela sua confissão linda expressiva Um abraço de admiração 

 Destaco 

                            

Queixas são apenas queixas, que aliviam a alma,

Contudo o pano de fundo é tecido com verdade,

Nada de atropelo, com coerência e muita calma,

Pois, a nostalgia é o profissionalismo da saudade.

                                  

Querida escritora e poetisa Etelvina

Que postagem...De tão linda mexeu-me o âmago das emoções minha querida escritora-poetisa: das palavras e dos sentimentos.

Linda como essa delicadíssima e terna mão de mulher, como colo-receptáculo do símbolo mais perfeito do amor universal a rosa rubra.

Comove-me o trato de tuas palavras que demonstra não esmiuçada procura, mas fluência natural ditada pelo intelecto sensível como as folhas do trevo, que ao menor e quase imperceptível sopro de uma levíssima brisa há um frêmito em suas delgadas folhas.

Quero abrir-te meu coração para que ele seja o portal pelo qual atravesse meu agradecimento pela poesia contida em teu comentário.  Não é comum recebermos tais preciosidades envoltas em palavras... Meu sincero agradecimento amiga escritora e poetisa Etelvina. Meu Abraço e beijo fraterno.

Silvia

Profundamente grato, honrado e mais que quase tudo, estimado e apreciado - embora nada mais sendo que um simples "fazedor" de literatura, que gosta muito do ofício. O apreciador das letras e artes, se identifica e decodifica-se com o sabor do texto. Um "degustador de letras"; que como tal todos fazemos um acepipe - que vem a sair mais saboroso às vezes que outro do mesmo confeiteiro. Por isso talvez Cora Coralina comparasse seus pensamentos e poesias com os confeitos e suas conformações. O mérito está no degustador, e, quanto mais "confeiteiro" for o degustador, "um mestre dos confeitos", maior a honra em o sabor ter sido agradável.

Meu beijo e grande abraço fraterno querida Sílvia Mota. 

RSS

Membros

Aniversários

Aniversários de Hoje

Poema ao acaso...

Pensamento do dia

Portal para 38 Blogs-Sílvia Mota

Badge

Carregando...