Ela pensou que aquilo era feito somente à tarde, assim que percebeu que a hora havia chegado. Também, erroneamente, achou que estavam procurando uma espada e uma última vítima. As palavras soavam frágeis e os olhos se movimentavam como pêndulos raiados em direção à multidão corajosa pela disposição havida, porém, um tanto pegajosa visto que havia pez no chão.

 

            Nesse momento, sequer vacilou. Tornou-se algo pálida, mas muito mais sólida era a voz, mesmo se pensassem ser ainda uma sexagenária virgem.  Seu olhar era altivo e voltou os calcanhares após gracioso movimento dos olhos assim que ouviu a sentença.

 

             - Não sabia que bolos também eram feito de farinha. - disse, decepcionando quem esperava pelo menos um gemido e lágrimas. Nesse momento, a sessão foi interrompida. O jovem mosqueteiro desdenhosamente ajeitou a pluma do chapéu com um gesto suave e mais ríspido, algo violento, empurrou o boldrié. Quase que a ponta da espada fura um seio da condenada.

 

            Sim, por que ela fora mesmo condenada. Mesmo assim, ainda quis descansar no mesmo lugar onde, há tantos anos havia ocorrido uma grande contenda entre o Bem e o Mal. Não saberia dizer quem prevaleceu, nem o que poderia ser encontrado no inferno que já não tivesse passado pelo céu. Incluindo Lúcifer, que a tudo assistia compenetrado, avaliando se a alma do mosqueteiro valia tanto quando a da madona de cedro rosa. Nada concluiu e nem mesmo precisava.

 

                        De outros, mais não sabia e sequer quis saber. Esvaziando os porões da casa, Lúcifer já havia convidado os estranhos para assistirem à colheita da grama do quintal. Todo o jardim ficou assim, coberto de grama verde quando a lâmina caiu.

Observação:

Minha intenção foi escrever um texto que contivesse infinitas mensagens que só possam ser interpretadas pelos leitores. Comparando as palavras desconstruídas com a bagagem cultural que cada um tem, pode o leitor mentalmente rearranjar as palavras dando o sentido. Não o que eu quis dizer, mas o que o leitor entendeu, divagando e buscando dentro de si experiências. Dessa forma, haverá não o sentido, mas um sentido para cada um dos leitores. Não é muito comum, mas, de certa forma é divertido brincar assim com as palavras.chamei a isso de " palavra desconstruida" ou " paradoxo kanoziro". Foram publicados três livros desses textos com poemas, contos, crônicas, frases e pensamentos. 

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