Sentado na guia meditava sobre a vida. Ênio nasceu e não cresceu, atingido por uma deficiência do hormônio de crescimento. No alto dos seus 108 centímetros, tinha baixa estatura com proporções corporais normais. Sua família era normal e desde a infância ouvia dizer que não crescera devido a uma síndrome presente ao pós nascimento. Talvez um traumatismo craniano causado por uma queda quando aos três meses de vida, escapuliu da banherinha sobre a mesa e aterrissou de cabeça no ladrilho da cozinha.

                              Enquanto meditava ele apareceu.  Ele! Ao mesmo tempo elegante e imponente, Zeus, o  “deutsche dogge“, famoso no bairro pelo seu porte gigante, com 110 centímetros de altura.

                              Apavorado, Ênio encolheu-se, escondendo a cabeça entre os joelhos. Não se atrevia a enfrentar Zeus, que apesar do tamanho, possuía temperamento calmo e equilibrado.  

                              Zeus aproximou-se, cheirou Enio e sem maiores cerimônias, levantou a pata traseira e usou-o como poste. Não podendo evitar Ênio ficou imóvel. Somente depois do banho, exaltou-se. Levantou-se disposto a enfrentar seu desafeto.  Ficou cara a cara com ele. Fez uma careta. Cerrou os dentes, praguejando.  Zeus rosnou alguma coisa e afastou-se dois passos. Achando que era a ocasião oportuna, Ênio aproveitou-se. Mediu a distância e desferiu uma cabeçada e um chute bem dado no joelho do cão. Zeus não reagiu, apenas latiu baixo e saiu ganindo rua abaixo.

                              Exultante, Ênio comemorava. “ Viu papudo?”

                              Depois da refrega, a vida de ambos mudou. Enio, mais confiante, festejou o resultado da peleja com o dinamarquês. Na mesma noite, tomou um porre comemorando a vitória num bar com uma lambisgoia. Dizem que estão namorando, até deu-lhe uma joia de presente.

                              O dog alemão ficou na maior paranoia. Certo que foi visto correndo, com a língua de fora. Também foi visto com o joelho inchado e com uma pata numa tipoia. Ah! Um curativo na testa. Mas, quando perguntado, dizia aos cães amigos que havia tramoia. Não houve luta. Não apanhou coisa nenhuma.  É que fora atropelado pelo furgão da padaria, quando corria rua abaixo, atrás da bicicleta do tintureiro.

 ® Luiz Morais - Brasil

 

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