Vida fácil
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

- Não adianta, nasci para viver o sexo por amor. Fosse diferente, morreria!

- Que besteira, menina! Sexo pelo sexo e por sexo é bem proveitoso.

- Não entendo como vocês conseguem... homens desconhecidos, sabe-se lá se são doentes...

- Ei, mocinha! Só transo de camisinha! Sou doida não!

- Mas, sem amor...

- Liza, não tenho namorado e não gosto de ninguém, neste momento. Vou ficar sem transar? Claro que não aguento! Então, junto o útil ao agradável – transo e ganho meu dinheiro. Preciso pagar minha faculdade, comprar roupas, manter parte do apartamento...

- ...

- Se tivesse um namorado de quem gostasse, talvez fosse diferente...

- E você não fica triste por sair dando pra qualquer um?

- Que diferença faz? Quando coloco meu dinheiro no bolso, fico bem feliz!

- Mesmo assim... beijar uma boca estranha...

- Quem disse que eu beijo, assim, assim? Com beijo é mais caro, bem mais caro!

- Eu nunca teria coragem!

- Não sabe como é bom ter uma conta bem gordinha no banco.

- Morro de curiosidade por uma coisa...

- Diga lá!

- O que é que você faz sem amor, que eu não faço por amor?

- Segredo de puta...

- Vocês fazem papai e mamãe?

- Claro, tem homem que só gosta assim.

- É mesmo?

- É... alguns até pagam só pra olhar...

- Olhar o que?

- Segredo de puta...

- E... sexo anal... você faz?

- Claro! Eles adoram!

- Então, faz sexo oral, também...

- Uai! Sou puta da boa! Faço de tudo!

- O que significa esse “de tudo”?

- Segredo de puta, já falei. Se quiser saber, tem que ir pra guerra, também.

Malu levantou-se rebolando, entediada com aquele papo sem futuro.

Liza não se conteve:

- Posso fazer a última pergunta?

- Ah! Chega!

- Só umazinha... morro de curiosidade!

- Ok, pergunte.

- No rala e rola, você goza com eles?

Malu abriu a geladeira, apanhou uma garrafa e tomou a água gelada no gargalo, mesmo. O líquido que lhe escorreu pelo pescoço – prazeroso - parecia responder à pergunta indiscreta. Lançou um olhar cheio de malícia para Liza, arrancou a roupa, deixando à vista um corpaço dourado de sol e num sorriso respondeu:

- O que você acha?

Em seguida, soltou uma gargalhada malandra e entrou no banheiro, não sem antes provocar:

- Experimenta...

- Deus me livre! Só dou por amor!

*********************

Noite seguinte, 23 horas.

- Oi! Que amiga bonita Malu enviou!

- Oi... obrigada.

- Entra...

Lício, nem alto nem baixo, moreno atlético, foi educado e gentil, acompanhando-a até o sofá erguido em estrutura de madeira escura e estofado branco.

- Quer beber alguma coisa? Vinho? Uísque?

- Aceito vinho.

Sentados, conversaram o tempo que durou aquela garrafa de vinho. Lício perguntou-lhe a idade, sobre a faculdade, o que gostava de fazer na vida e na cama... Nesse ponto, puxou-a para si. Liza correspondeu às carícias e surpreendeu-se pelas exímias atividades sexuais do companheiro. Por isso Malu não abandonava aquela vida. Que delícia! Após três horas de prazer intenso, Lício retirou o dinheiro da carteira e pagou-a. Abriu a porta, levou-a até o elevador e despediu-se com um beijo no rosto. Ah! Agora sabia o segredo das putas - só prazer!

*********************

Noite seguinte, 23 horas.

Após cruzar por diversos seguranças, Liza apertou a campainha da mansão na Zona Oeste da cidade. Um elegante homem, conquanto franzino, abriu a porta, convidando-a a entrar. Que requinte! Nunca vira tamanha beleza! Subitamente, beijou-a. Entusiasmada, entregou-se aos braços que a apertavam sofregamente.

Não teve tempo nem de gritar. Foi violentada ali mesmo, na poça de sangue que jorrou do pescoço cortado à navalha.

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Respostas a este tópico

Comentário de Jaime da Silva Valente em 31 dezembro 2010 às 1:29

Fortíssimo!... Cacetada!!!
Muito bom, Sílvia, parabéns!
Bjss.

Comentário de Lúcia Cláudia Gama Oliveira em 19 agosto 2011 às 19:44

Nossa! Muito bem delineado.
Parabéns Sílvia Mota!

 Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ 

Fez-me recordar a vida de Bruna Surfistinha, mas realmente sexo por sexo, no caso (prostituição), é uma vida arriscada, cheia de perigos, exposição a todo tipo de taras, creio que as prostitutas deveriam ser profissionais do sexo, como em alguns países, mais segurança, direitos e saúde  para estas mulheres, não cabe o motivo pelo qual estão neste tipo de vida, mas em geral são vitimas e, no caso do dialogo, vitima do capitalismo, etc... Como é difícil sobreviver e fazer uma faculdade, não julgo (não tenho  o direito), ainda mais numa sociedade de moral de cuecas... Parabéns querida Silvia, um tema instigante, maravilhosamente escrito, bjs MIL.

Creio que em breve (?) sera uma profissão como qualquer outra (?)

Veja as manifestações...

http://correionago.ning.com/profiles/blogs/pelo-direito-de-ser-puta...

Numa resumida narrativa , onde os diálogos assumem o papel mais importante, e o intercâmbio vocal faz toda a referência.

Um final trágico para quem foi brincar de viver!

Parabéns!

beijos

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