A corrupção de cada dia

Não é necessário estudar a fundo os livros de história do Brasil para entender o tema principal desse país: a corrupção.

Há alguns anos parece que a corrupção aumentou no Brasil – mas só parece, pois ela sempre esteve aqui. A verdade é que nossa nação, infelizmente, é alicerçada no conceito pejorativo do jeitinho brasileiro, na política do favorecimento e na ideia de que há coisas muito piores do que os nossos pequenos deslizes. Deslizes de cidadãos trabalhadores.

Mas o ato de corromper vai muito além dos políticos que dizem governar a nação. Corrupção, na teoria, é definida como o ato de corromper para conseguir vantagens. Mas na prática não é preciso ser político ou estar envolvido com grandes quantias de dinheiro para se engajar nessa prática. Todos nós, independente de classe social ou profissão – nós, os considerados cidadãos de bem, usamos de artimanhas para obter benefícios.

A questão é que corrupção não se mede, não tem melhor nem pior. Ela corrompe e ponto.

Esse artigo não foi escrito para julgar um ou outro. Pois somos nós, todos nós, os culpados por um país degradado, que separa pessoas em classes sociais por um muro com cerca elétrica. E que para trocar de lado é preciso levar muito choque.

Em maior ou menor escala, com ou sem a intenção, a verdade é que cada um de nós temos uma parcela de culpa nesse todo que está tão errado, tão ruim. Por que em âmbito social corrupção é muito mais ampla. Tem a ver com falta de educação, egoísmo e hipocrisia. É tudo aquilo que interfere na vida em conjunto de forma negativa.

Por isso os corruptos somos todos nós.

Nós, os mesmos que saímos às ruas para protestar quanto ao aumento da passagem e que, na hora de declarar o imposto de renda, mentimos alguns pontos para não cairmos na malha fina.

Nós, que ficamos perplexos ao ver a lei sendo descumprida quando um assassino ganha liberdade, e que, horas depois, saímos de casa para beber sem nos preocupar com a lei seca. E se pegos numa blitz, nos recusamos a fazer o teste do bafômetro.

Os corruptos somos nós, que reclamamos da educação, mas xingamos os professores por fecharem as avenidas da cidade para protestar por melhores condições de trabalho. Nós, que no final do ano vamos colar na prova do ENEM e fazer piada nas redes sociais com as milhares de redações que tiraram nota 0.

Os corruptos somos nós, que assistimos Fantástico no domingo a noite e nos indignamos com a reportagem sobre a precariedade nos hospitais brasileiros. Mas que, na manhã seguinte, corremos ao médico fingindo uma gripe para conseguir um atestado e faltar no trabalho.

Os corruptos somos nós, que gritamos fazer parte de um povo alegre, acolhedor com os gringos, mas que subimos no ônibus sem olhar no rosto do motorista, que não respondemos o bom dia do porteiro e xingamos a atendente da lanchonete que errou nosso pedido.

O Brasil é construído por todos nós, os corruptos políticos e os corruptos cidadãos.

E acreditar naquela máxima de que uma andorinha só não faz verão não vai nos levar a nada. Afinal, você sozinho não pode mudar o mundo, mas pode ajudar a piorá-lo.

Publicado em Sociedade por Natany Pinheiro

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Respostas a este tópico

Me encantó tu editorial Marcia, excelente artículo, es una cruel realidad y aplicable en otros países como Argentina, todas y todos de alguna forma formamos parta de una corrupción generalizada e instaurada en la sociedad, ademas de algo aceptado como algo cotidiano y normal. Creo que debemos recuperar valores que es en realidad lo que hemos perdido.

Abrazos

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