[REGIÃO MINUANO] - CONVERSA DE DOIS VELHOS RÁBULAS GAÚCHOS "Ab initio cui prodest scelus, is fecit"

« AB INITIO CUI PRODEST SCELUS, IS FECIT »

Conversa de dois velhos rábulas gaúchos

 

Meu querido confrade Ariosto  meu chegado contemporâneo

Das lides e peleas das leis e invernadas.

Que prazer encontrar-te de maneira tão a meu gosto!

Como no tempo das gineteadas pelas canhadas.

Juntos já visitamos muitas léguas de júrídicas lucubrações.

Muitas eu próprio achava desimportantes... Sem emoções,

Latinizando a partir deste dado mote, o latim foi sobreposto.

Vai; anote aí - um pouco do latim de muito bom gosto.

Na Escola de Direito pra mim latim era uma “barbada”,

Enquanto tu te lembras, para ti era uma guasqueada.

Digo para a chusma que larga gente rengueando que nem cusco:

 “AB INITIO CUI PRODEST SCELUS, IS FECIT” –  frase de muito efeito:

“Desde o início comete crime quem do crime tira proveito”;

O opositor que representou metade e meia do Brasil; perdeu a paz,

Nunca viu, nem ele nem seus ancestros, tanto afano - do peão ao capataz,

E nenhuma resposta o povaréu tem, nos escândalos da Petrobras.

“EXCUSATIO NON PETITA, ACCUSATIO MANIFESTA”

"Quem não se desculpa, se acusa"

 Quem nada sabe, pois se revela; me desculpa... 

É como quem leva enfeite na testa...

Na farra, na lambança," o "mal-feito" faz a festa,

E sempre  “é do motorista  a culpa!”

O que nos dói e sermos patriotas e isso nos corroi,

Porque não somos, filhos da catapulta”,

 

Falou tudo e por escrito: “marolinha é de quem nunca vê, só fica na fresta”

Por isso é que sempre diz:  o gaudério de guampa  na testa:

“Nunca se viu neste país” quiçá na jurisdição de nenhum juiz,

Mais que fala de dona de xineiro:  é o jargão do infeliz...

Vamos deixar adrede de tanta verdade,

Se não por derradeiro, acabamos por sacar da bruaca, 

O que hay de existir pior que bagual de pelo duro...

Patrão do Céu que barbaridade!

- Mas bah, Tchê! Tu que és pimpão, choramingas por estares

De bivaque na cidade?

- Pudera Jeremias, derriçaram c’os pago, pampa e canhada,

Qual bando de gafanhotos tal é a atrocidade...

Estropiaram co'a gineteada à la vontade,

Das querências pintaram de vermelho, muita porteira!

Mas de minha cabeça carece queimar muito miolo bagual,

E enfrenar  sem chorar pitanga nesta cancha guasqueira !

- Ala pucha Tchê! Mas se aprochegue Ariosto confrade velho,

Aos aposentos, rancho e galpão da querência,

Adelante  tomares comigo uma purinha e um amargo,

Cascar uma prosa onde guardo meus badulaque

E faxinar campereando nossa consciência:

Bah! Do-que-há-de! Derriçarem o Rio Grande!?

Mas cuê-pucha! Aqueles cuscos  não valem um traque...!

Não vale, um zorrilho os tarecos, é pura charla nomás.

Não te fiques jururu nem abichornado meu ermão!

Pois comer nosso charque aqui neste bivaque

Tu que peleas nos letígios de bagual a redomão,

Les viramos o couro às avessas, para ver se são capaz.

Daremos volta por cima, tu havéra de ver: bem onde ata a cola a cantagalo,

Ou tu me estranhe e não me chame de Jeremias pajador de timbre de galo!

 

Vem de lá, e de cá tu recebes  grande e forte abraço,

Dos tais quebra costelas, pero não te fiques de alma abichornada.

Um taita não se arreda, não tem pra ele cusco na cancha,

Nem bico de quero-quero,

Taita qüenta a guasca! A vida bem levada até fica engraçada...!

Sem piruá e esse tal de lero-lero,

Vira cheiro agreste que a campina veste,

Vamos inspirar o nosso tino,

E trazer às claras, a razão oculta de feliz destino.

///.///.Stos

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