REGIÃO MINUANO - VOCABULÁRIO GAUCHO - II -

a cabresto expr. Conduzido pelo cabresto. Submetido.

à meia guampa expr. Meio embriagado, levemente ébrio.

abichornado adj. Aborrecido, triste, desanimado.

anca s. Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.

arreios s. Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar.

bagual 1. Cavalo arisco, selvagem. 2. Fig. Pessoa grosseira, pouco sociável, rude.

bicheira s. Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras.

bidê s. Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francês bidet).

biriva s. Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Var.: beriva, beriba, biriba.

bolicheiro s. Dono de bolicho.

bolicho s. Casa de negócio de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Taberninha.

bugio s. Pelego curtido e pintado, em geral forrado de pano.

cachaço s. Porco não castrado, barrasco, varrão.

calavera s. Indivíduo velhaco, caloteiro, caborteiro, vagabundo, tonto, tratante.

carreira s. Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia.

caudilho s. Chefe militar. Manda-chuva.

chalana s. Lanchão chato.

chasque significa mensageiro, pessoa de confiança que leva recado ou mensagem, a pé ou a cavalo, vencendo todas as dificuldades para cumprir a missão que lhe foi delegada. A palavra é de origem quíchua, e no Império Inca, o chasqui percorria grandes distâncias a pé, pois não havia cavalos no continente antes da descoberta da América. Na região do pampa, CHASQUE denomina o cavaleiro que levava mensagem ou correspondência de um lugar a outro. Há registro de uso da palavra já em 1680, em correspondência entre as Missões Jesuíticas.

china s. Descendente ou mulher de índio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta alguns dos característicos étnicos das mulheres indígenas. Cabocla, mulher morena. Mulher de vida fácil. (Parece provir do quíchua, xina, que significa aia).

chineiro s. Grande número de chinas, índias ou caboclas.

chorro s. Jorro.

cincha s. Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal.

colhudo adj. e s. Cavalo inteiro, não castrado. Pastor. Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo.

corredor s. Estrada que atravessa campos de criação, deles separada por cercas em ambos os lados. Há, entre as cercas, regular extensão de terra, onde, por vezes, se arrancham os que não têm onde morar.

cuiudo adj. e s. O mesmo que colhudo.

cusco s. Cão pequeno, cão fraldeiro, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca.

embretado p. p. Encerrado no brete. Metido em apertos, em apuros, em dificuldades; enrascado, emaranhado.

entrevero s. Mistura, desordem, confusão, de pessoas, animais ou objetos. Recontro em que as tropas combatentes, no ardor da luta, se misturam em desordem, brigando individualmente, corpo a corpo, sem mais obedecer a comando, usando predominantemente a arma branca.

estribo s. Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé.

ganiçar v. Ganir.

gaudério s. e adj. Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver à custa alheia.

graxaim s. Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha.

gringo s. Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano.

guacho Que significa "órfão", expressão usada nas lidas campestres do sul do Brasil , bem como no Uruguai e Argentina que define um animal desmamado precocemente, geralmente pela morte da mãe. Este animal é então alimentado por mamadeira a exemplo de uma criança, até desenvolver-se.

guaiaca s. Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos.

guaipeca s. Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. Adj. Pequeno, de minguada estatura. Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo; guapeva, napeva (var.)

guasqueaço s. Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite.

guri s. Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias.

joão-grande (ão) s. Pessoa alta, homem grande.

lançante s. Descida. Forte declive num cerro ou coxilha; qualquer terreno em declive.

mamona s. e adj. Diz-se de ou a terneira de sobreano que ainda mama.

mangueira s. Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.

maturrango ou baiano. O que monta mal e não sabe executar os diversos trabalhos das fazendas de gado.

paisano adj. Do mesmo país. Amigo, camarada.

palanque s. Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços.

papudo s. e adj. Indivíduo que tem papo. Balaqueiro ( que gosta de sobressair-se) , jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo. No entanto nas exibições de perícias de cavaleadas o campeão é chamado de Balanqueiro.

pelea s. Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate, luta entre forças beligerantes.

pelear v. Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar, trabalhar duro.

pereba s. Ferida de mau caráter, de crosta dura, que sai geralmente no lombo dos animais. Mazela, sarna, cicatriz. Aplica-se, também, às feridas que saem nas pessoas. Figuradamente, ponto fraco. Var.: Pereva. (Parece provir do tupi-guarani, perebi, mancha de sarna); pereva; bereva.

petiço s. Cavalo pequeno, curto, baixo.

piá s. Rapazinho, rapazote, menino , caboclinho.

piquete s. potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente.

poncho s. Espécie de capa de pano de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio.

potrilho s. Animal cavalar durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho.

rebenque s. Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho.

repontar v. Tocar o gado por diante de um lugar para outro.

sanga s. Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio.

sarandi s. Terra maninha.

soga s. Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou, ainda, de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras. O termo é usado também em sentido figurado.

surungo s. Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço.

taipa s. Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana.

talho s. Ferimento.

tapera s. Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho. Adj. Diz-se da morada deserta, inabitada, triste.

tarca sf. Pedaço de tábua ou sarrafo, em que se marca, por meio de pequenos cortes, o número de animais ou objetos que se pretende somar no fim da contagem.

tirador s. Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger e o corpo do atrito do laço. Mesmo quando não está fazendo serviços em que utilize o laço, o homem da fronteira usa, frequentemente, como parte da vestimenta, o seu tirador que, por vezes, é de luxo, enfeitado com franjas, bolsos e coldre para revólver.

tosa s. Tosquia, toso, esquila.

tronqueira s. Cada um dos grossos esteios colocados nas porteiras, os quais são providos de buracos em que são passadas as varas que as fecham.

tropeiro s. Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois, além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza.

xucro adj. Diz-se do animal ainda não domado, chimarrão, bravio, esquivo, arisco.

Fonte: Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno e Rui Cardoso Nunes.

 

Exibições: 299

Respostas a este tópico

Mauro Martins Santos

Magnifico!

Bah, meu pai contava que morou perto de um chineiro e, de vez em quando dava cada entrevero, os'bagual' á meia guampa brigavam, entravam em desavença e, saltava facão pra todo lado, as 'china' se escondiam e o cusco acuava...

Parabéns Mauro, bjs MIL.

Madama de xineiro e bolicheiro, a hora que pensam ir olhar pra dentro, sai bochincho de fazer  cusco renguear. Ai que se ver que barbaridade guria.  Amanunciar não alcançava o tal bochincho, a lo menos se o cura exorcizar... O bolicheiro manda um meia guampa clamar pros brigadianos...era o jeito. A La Pucha Tchê!  Sai borracho de guampa cheia, e até os meia guampa guenzo de tanta guasca...

Querida Mil, dá para a gente se rir um pouco. Vou lembrando das prosas de meu pai, que não nasceu no R.G. do Sul era neto de portugueses que se instalaram em Bagé e Pelotas, mas por atavismo, de sotaques genético-regionalista familiar ouvíamos muito  a fala dos velhos. Eu procurei colocar umas interjeições pitorescas que meu pai falava muito. A la Pucha! A La Quê! A Lo Menos! Ai (Hay) que se ver Aziza (Tem que se ver Adalgiza - minha mãe-) Saudades! Um Beijo e um abraço fraterno minha grande amiga MIL.

Mauro, tbm falamos 'a la pucha tchê',hay, por lo menos, em vez de querida, a amadita, estou rindo, se começarmos a trocar mensagens em gauchês, vamos ter que acrescentar dicionário,rsrsrsrs, pois ninguém vai entender... Muito grata Mauro, querido amigo poeta, bjs MIL.

Perfeitamente.

Qualquer dúvida, já se sabe onde recorrer à tradução do vocabulário gaúcho.

Bem criativo, querido Mauro.

Bjssss, no coração.

RSS

Membros

Aniversários

Poema ao acaso...

Pensamento do dia

Autores em destaque - hoje 

Portal para 38 Blogs-Sílvia Mota

Badge

Carregando...