CAUSOS - FOLCLORE - LENDAS - MITOS - CRENDICES POPULARES  DO RIO GRANDE DO SUL

PASSAGEM DE PROSTITUTA A SANTA – AS SANTAS DE CEMITÉRIO

- MARIA DEGOLADA -

 

A passagem de prostituta a santa não é inédita na tradição católica e, segundo o antropólogo José Carlos Pereira, "ela faz parte do grupo das chamadas 'santas de cemitério' que corresponde, na maioria dos casos, a alguém que sofreu morte violenta, seja por acidente, assassinato ou tortura seguida de morte". (Para a historiadora Sandra Pesavento, no caso esta moça),  ao ser morta ela pode, - pela vontade do povo -  virar santa, por ser vítima, e era branca e  loura, martirizada por um mestiço analfabeto e mal encarado, (símbolo da repressão conferida à força dos violentos  e o poderio masculino), personificando o drama de uma realidade de excluídos da qual ela  fazia parte... ( era uma prostituta),  numa Porto Alegre violenta. 

A transformação de uma prostituta a santa, quase sempre desde a idade média, é facilitada  pela crença da heterogeneidade e ignorância popular, explorada habilmente por aqueles a quem interessa o poder (religioso, laico, ou ambos). Daí que, para a versão popular, Maria Degolada, na verdade nunca foi uma prostituta, mas uma moça pia e de boa família; cuja família nem os cientistas- historiadores sabem quem eram seus pais e onde estariam; se no Brasil ou na Alemanha, se  mortos ou vivos.

Seus devotos a consideram uma santa e grandemente milagrosa, mas de acordo com a tradição, ela não atende a preces de policiais (!)

Seu nome batiza o antigo Morro do Hospício, hoje chamado Morro da Maria Degolada sobre o qual surgiu uma comunidade, a Vila da Maria Conceição, por conferirem-na a similitude com a N.S. da Conceição à qual a identificam e lhe prestam culto como tal.  Sua importância fica evidente nas palavras de um morador da Vila:

"Em tudo existe uma coisa... Por exemplo, assim, sou católico, acredito em Deus, mas as mistificações existem... tu tem (sic) que acreditar.  Quem sou eu para dizer que não acredito na Santa se ela fez os milagres dela, se tu for beneficiado, tenho que acreditar em ti, porque senão não teria uma história, senão a Vila nem seria Maria da Conceição, tu me entende (sic)? Então, ela é nossa santa pioneira. Eu acredito.... A nossa razão de vida... é aquilo ali: Maria Degolada. A escola, tudo gira em torno da santa  Maria da Conceição".

Mariza J.S., também moradora da Vila, relatou alguns aspectos do seu culto:

"Eu me lembro de que na época eu era guria, tinham muitas oferendas de noivas que casavam e traziam da cerimônia de casamento; traziam todo o enxoval que casou,(sic) todo o vestido de noiva, o buquê, colocava (sic) ali para ela. Como tinha muita promessa de cabeça, pé, mão, pessoas que se machucavam, ficavam doentes, prometiam alguma coisa, traziam e colocavam ali para ela. Para muitos aqui ela é santa"...

O folclore que a cercou desde o início continua em desenvolvimento, e novas versões sobre seu assassinato continuam a surgir, acrescentando muitos detalhes fantasiosos sobre sua vida. Ao mesmo tempo, se aproveitam os interessados, sendo morta por um policial, ela se tornou um símbolo de resistência contra a exclusão social e a opressão do poder público, numa comunidade pobre que se autodefine como "periférica" e "marginal".

O Instituto Histórico do Rio Grande do Sul, lançou uma publicação sobre o personagem de “Maria Degolada: mito ou realidade” (1998). Foi tema de um livro de Hércules Grecco, intitulado Maria Degolada (2002), adaptado como peça de teatro, e de outro, escrito por Caio Riter para o público infantil, “Maria Degolada: santa assombrada” (2010). 

Também deu nome a uma cerveja da cervejaria Anner Bier, foi tema

de músicas e de um cordel escrito por Gilbamar de Oliveira.

Em 2012 a sua capela foi reconhecida como patrimônio da comunidade.

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Pesquisa net – Causos, Folclore, Lendas e Crendices Populares do Rio Grande do Sul

“Maria Degolada” – Porto Alegre – Mito ou Realidade – Museu Histórico do R.G.SUL.

 

Maria Francelina Trenes, mais conhecida como Maria Degolada (Alemanha 1878 - P.Alegre,12 de novembro de 1899), foi uma prostituta que, após ser morta pelo namorado, se tornou parte do folclore de Porto Alegre, e a partir de lá no Brasil, e centro de um culto popular.

Quase nada se sabe sobre sua vida. O que consta nos autos do processo judicial subsequente ao seu assassinato é que tinha origem alemã e ganhava a vida como prostituta. Seguindo, declara-se que em 12 de novembro de 1899 ela e o namorado, um soldado da Brigada Gaucha chamado Bruno Soares Bicudo, estavam fazendo um piquenique com amigos no Morro do Hospício. A certa altura o casal de afastou dos outros e começou a discutir. Maria atacou o namorado com um pedaço de lenha e depois com um cano de ferro, após o que ele a matou cortando seu pescoço com uma faca. Disso vem seu apelido

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Respostas a este tópico

De fato, uma lenda surge do boca-a- boca popular. Alguém acrescenta aqui, outro vem e aumenta ali... E com o decorrer do tempo, a história já alcançou tamanha proporção, que fica quase impossível de saber, o que foi verídico ou não. E dessa forma, vão sobrevivendo de geração em geração, e acabam por se perpetuando. O fato é que, algumas dessas crendices, chegam a mesclar-se com a religião. Talvez por ignorância, ou quem sabe até, por algum tipo de insatisfação religiosa do ser.

Excelente pesquisa, querido amigo. 

Bjsss, no coração.

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