RASTROS QUE O TEMPO FAZ

Essa força invisível, mas sensível, a roçar a pele, que é o Tempo,

se assemelha à superfície do lago levemente tocada pelo Vento,

*

Que se enruga de mansinho, enquanto o tempo nos vai passando.

A prenda se importa um pouquito! Tu és linda!! Dou-te este pito!

*

O que nos falta em lisura de pele, se nos hay recompensa nos guris.

Solita minha prenda vale, a lua crescente quando à noite  ela sorri.

*

Assim os dois manos cantadores de vaneira, fandango e chimarrita,

despediram de suas prendas, dos guris, piás, do pai e da mãe Rita!

*

Não seriam irmãos: o Tempo e O Vento? Não é à toa rimarem tanto;

Tu não achas os pajadores, poetas e cantores revestidos de encanto?

*

Os dois não param, atrelados, como irmãos haraganos pelos pampas,

coxilhas  invernadas e sertões; de grotões a canhadas e outras tantas.

*

Rumam nos caminhos à cidade; a cantar no bolicho do Aureliano,

em meio ao pó vermelho da trilha, levantado pelo vento minuano.

*

Porteira fora o chão é mais pedregoso, a cama é mais dura, a comida

é rara. Salgada no bolso e sem gosto na boca, não atinavam esta vida:

*

Café fraco e só na padaria; não há bule no fogão de lenha e nem angú

com cambuquira, nem brasa e uma costela ou de quebra um inhambu .

*

O Tempo não pára, deixando rastros fortes uníssonos ao vento cantor,

Na busca a saudade da paz da beleza, a liberdade e harmonia do amor.

*

Os andejos araganos, a sina os encilha, ao longe a saudosa querência,

Um abanar de lenço : pai perdoe  teus filhos a tristeza dessa ausência!

 

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Respostas a este tópico

Inevitáveis rastros do tempo onde a memória agasalha, com tanto carinho, tamanha recordação.

Soa o vento, a levar na contramão, todo o momento do tempo. Deixando tudo guardado, no lado esquerdo do peito. 

Teus versos soam em ritmo, de uma linda melodia.

Encantada com tua criação.

Parabéns, querido amigo.

Minha inestimável e sempre fiel amiga.

Sempre bate-me ao peito a felicidade, a que feita se diz de momentos,

quando me deparo com teu amável sorriso - que a tua alma emoldura

de iluminada poeta - faz-te saber que são hermanos: o Tempo e o Vento...

E na vida acrescento, o que vale de verdade: estes momentos de  ternura.

Mônica:

Quisera ser um poeta de verdade,

para exprimir de forma enlevada

o quanto de valor tem tua amizade.

Um abraço deste amigo que a estima sincera e fraternalmente.

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