A LA PUCHA CHÊ

BRUACA

CAINGANGUES

CHIRIPÁ

CUSCO

GALPONEIRA

GINETE

GUAIACA

MATEAR

MILONGA TANGUEADA

PAGOS

PAJADOR

PELEA

PINGO,

POSTEIRO

QUERÊNCIAS

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CHIRIPÁ: TRAJE GAÚCHO (SOMENTE COMO ILUSTRAÇÃO - TERMOS PARA OS QUAIS HAJA DOCUMENTAÇÃO NA INTERNET - BASTARÁ IMPRIMIR O LINK):

A história da indumentária gaúcha se dá em quatro fases, cada uma representadas por uma peça de roupa:

- Chiripá primitivo
- Braga
- Chiripá farroupilha
- Bombacha
 
Traje Indígena - 1620 à 1730 indígena

Quando o homem que veio explorar a América – e se vestia à moda europeia – aqui chegou, encontrou nos campos índios missioneiros e índios cavaleiros. Os Missioneiros se vestiam conforme indicavam os padres jesuítas. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa. Vestiam também uma peça de indumentária não-europeia e provavelmente indígena: "el poncho", isto é, o pala bichará, um poncho feito de lã. Esta peça não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam. Os Padres descobriram a atração que as vestes religiosas e as fardas militares exerciam sobre os índios e distribuíram essas roupas entre eles.

A mulher missioneira, usava o tipoy, um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar, apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado chumbé.

Os índios cavaleiros eram assim chamados porque prontamente se adonaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de adestramento e equitação. Usavam duas peças de indumentária absolutamente originais: o chiripá e o cayapi. O chiripá era uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi era um couro de boi, inteiro e bem sovado com o pêlo para dentro, pintado com listras, em cinza e ocre. Era usado nas costas, para esquentar. À noite, servia de cama, estirado no chão. Era também conhecido como quillapi ou toropi.

A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. No pescoço, colares de contas ou dentes de feras. De peças da indumentária ibérica e indígena, o gaúcho foi constituindo sua própria indumentária.

Traje Gaúcho - 1730 à 1820 charqueador - estancieiro

Patrão das Vacarias e Estancieira Gaúcha
O primeiro chefe militar rio-grandense tinha mais dinheiro e se vestia melhor. Ele foi também o primeiro estancieiro. Trajava-se basicamente no estilo europeu, com a braga - calças largas e curtas - e as ceroulas de crivo, uma espécie de bordado na peça que se usa por baixo das calças.

Passou a vestir também a bota de garrão de potro, invenção gauchesca típica. Igualmente o cinturão-guaiaca, o lenço de pescoço, o pala indígena, a tira de pano prendendo os cabelos, o chapéu de pança de burro, entre outros.

A mulher desse rico estancieiro usava botinhas fechadas, meias brancas ou de cor, longos vestidos de seda ou veludo, mantilha - um manto fino para se cobrir, xale ou sobrepeliz - um tipo de veste eclesiástica, branca, de tecido fino, que se usava por cima da batina. Os cabelos eram enrolados e presos, e o leque sempre a tiracolo.

Peão das Vacarias e China das Vacariaspeão e china da vacarias  

 
O traje do peão das vacarias destinava-se a proteger o usuário e a não atrapalhar a sua atividade - caçar o gado e cavalgar. Normalmente, este gaúcho só usava o chiripá primitivo e um pala enfiado na cabeça. À cintura, faixa larga, negra, ou cinturão de bolsas, tipo guaiaca, adaptado para levar moedas, palhas e fumo e, mais tarde, cédulas, relógio e até pistola. Ainda à cintura, as armas desse homem: boleadeiras, faca flamenga ou a adaga e, mais raramente, o facão.

A camisa, quando contava com uma, era de algodão branco ou riscado, sem botões, apenas com cadarços nos punhos, com gola imensa e mangas largas. As botas mais comuns eram as de garrão-de-potro, que eram retiradas de vacas, burros e éguas (raramente era usado o couro de potro, que lhe deu o nome). Essas botas tinha seu pelor aspado, ou o perdiam com o uso. As botas não costumavam durar mais de 2 meses. As esporas mais comuns nessa época eram as nazarenas e as chilenas.

O peão das vacarias não era de muito luxo. Só usava ceroulas de crivo nas aglomerações urbanas. Ademais, andava de pernas nuas como os índios. À cabeça, usava a fita dos índios, prendendo os cabelos e também o lenço, como touca, atado à nuca.

O chapéu, quando usava, normalmente era feito de palha, e mais raramente, de feltro, e de couro cru, este último conhecido como pança-de-burro. O chapéu, qualquer que fosse o feitio, era preso com barbicacho sob o queixo ou nariz. O barbicacho era trançado em couro cru ou cordões de seda.


Ainda nesta época, aparece o cingidor, hoje conhecido como tirador - uma espécie de avental de sola macia ou couro cru, que o laçador usa a fim de proteger as calças ou as bombachas dos danos que poderia ocasionar o atrito do laço, no momento de prender o animal.

A mulher vestia-se de maneira simples. Saia comprida e rodada de cor escura e blusa clara. Por baixo, apenas usava bombachinhas, que eram as calças femininas da época.
  
 
Traje Gaúcho - 1820 - 1865 traje farroupilha

Chiripá Farroupilha e Saia e Casaquinho

Este período é dominado por um chiripá que substituiu o anterior. O dessa nova fase é em forma de grande fralda, passada por entre as pernas. Este chiripá adapta-se bem ao ato de cavalgar, certamente a explicação para a sua criação. Esse é um traje muito funcional, nem muito curto, nem muito comprido, tendo o joelho por limite, ao cobri-lo. 
As esporas deste período são as chilenas, as nazarenas e os novos tipos inventados pelos ferreiros da campanha. Vestiam a bota forte, comum, a bota russilhona e a bota de garrã o, inteira ou de meio pé. As ceroulas são enfiadas no cano da bota ou, quando por fora, mostram nas extremidades, crivos, rendas e franjas. À cintura, faixa preta e guaiaca, de uma ou duas fivelas.

Camisa sem botões, de gola, e mangas largas. Usavam jaleco, de lã ou mesmo veludo, e às vezes, a jaqueta, com gola e manga de casaco, terminando na cintura, fechado à frente por grandes botões ou moedas. No pescoço, lenço de seda, nas cores mais populares, vermelho ou branco. Porém, muitas vezes, o lenço adotado tinha outras cores e padronagens. Em caso de luto, usava-se o lenço preto. Com luto aliviado, preto com petit pois, carijó ou xadrez de preto e branco. Aos ombros, pala, bichará ou poncho. Na cabeça usavam a fita dos índios ou o lenço amarrado à pirata, chapéu de feltro, com aba estreita e copa alta ou chapéu de palha, sempre preso com barbicacho.

A vestimenta da mulher era saia e casaquinho com discretas rendas e enfeites. Tinham as pernas cobertas com meias, salvo na intimidade do lar. Usavam cabelo solto ou trançado, para as solteiras e em coque para as senhoras. Os sapatos eram fechados e discretos. Como joias, apenas um camafeu ou broche. Ao pescoço vinha muitas vezes o fichú (triângulo de seda ou crochê, com as pontas fechados por um broche). Este foi o traje usado pelas ricas e pobres desta época.
 
 
 
Traje gaúcho - 1865 até nossos dias
traje atual
Bombacha e Vestido de Prenda
 A bombacha surgiu com os turcos e veio para o Brasil usada pelos pobres na Guerra do Paraguai. Até o começo do século, usar bombachas em um baile, seria um desrespeito. O gaúcho viajava à cavalo, trajando bombachas e trazia as calças "cola fina", dobradas em baixo dos pelegos, para frisar.

As bombachas são largas na Fronteira, estreitas na Serra e médias no Planalto, abotoadas no tornozelo, e quase sempre com favos de mel. A correta bombacha é a de cós largo, sem alças para a cinta e com dois bolsos grandes nas laterais, de cores claras para ocasiões festivas, sóbrias e escuras para viagens ou trabalho. À cintura o fronteirista usa faixa; o serrano e planaltense dispensam a mesma. A guaiaca da Fronteira é diferente da serrana, por esta ser geralmente peluda e com coldre inteiriço.

A camisa é de um pano só, no máximo de pano riscado. Em ambiente de maior respeito usa-se o colete, a blusa campeira ou o casaco. O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores branco e vermelho são as mais tradicionais.

Usa-se mais frequentemente o chapéu de copa baixa e abas largas, podendo variar com o gosto individual do usuário, evitando sempre enfeites indiscretos no barbicacho.
Por convenção social o peão não usa chapéu em locais cobertos, como por exemplo no interior de um galpão.

As esporas mais utilizadas são as chilenas, destacando-se ainda as nazarenas. As botas são preferencialmente pretas ou marrons. Para proteger-se da chuva e do frio usa-se o poncho ou a capa campeira, e do calor o poncho-pala. Cita-se ainda o bichará - um poncho de lã forte - como proteção contra o frio do inverno. O preto é somente usado em sinal de luto. O tirador deve ser simples e sem enfeites.

GUAIACA: é um termo de origem aimará (wayaqa), que corresponde a um artigo típico da vestimenta do gaúcho. É uma espécie de bolsa feita de couro, geralmente couro cru, e servia originalmente para guardar pequenos objetos, como moedas, palhas e fumo e, mais tarde, cédulas de dinheiro, relógio e até pistola.

Guaiaca tradicional:

A LA PUCHA, TCHÊ!

Exprime admiração, espanto! Quando algo pega o vivente de revesgueio, de surpresa!

BRUACA

Bruaca é um termo regional brasileiro que possui vários significados.

A palavra bruaca é usada para caracterizar uma mulher feia, grosseira, vulgar, ignorante e que gosta de falar mal da vida dos outros. É uma expressão usada geralmente pelas pessoas que residem em pequenas cidades do interior do país.

Bruaca é uma mala de couro cru que é colocada sobre o lombo de animais, penduradas nas cangalhas um de cada um dos lados, onde os tropeiros carregam alimentos e demais materiais necessários para a viagem. Ainda hoje, as bruacas são muito utilizadas em regiões de difícil acesso ou, em lugares onde a população não dispõe de outro meio de transporte para carregar seus produtos.

Bruaca também é uma palavra utilizada para fazer referência a uma roupa velha, uma capa de chuva desgastada pelo tempo ou uma calça jeans surrada.

Bruaca também é o nome de um alimento característico da região Nordeste do Brasil, que é feita basicamente com os mesmos ingredientes de um bolo convencional, porém o maior diferencial da bruaca é o fato de ser preparada à base de fritura, semelhante aos pastelões.

Achei que ficou ótima essa organização para o Dícionário, Sílvia Mota. Boas designações e ilustrações. Acho que podemos incorporá-la a todas as PÁGINAS correspondentes aos dicionários das 9 REGIÕES.

Para ficar com algo mais "enxuto" deveremos somente listar as acepções que forem da Região a que pertence o dicionário.

bjs.

Perfeito!

Serão nove dicionários, um para cada Região.

Inseri as informações somente para percebermos como ficarão os futuros dicionários.

Beijossssssss

 

[MINUANO]

I

MILONGA TANGUEADA OU TANGO MILONGUEIRO NÃO É FORRÓ.

RECENTEMENTE LI UMA PEQUENA CONFUSÃO REGIONAL, ONDE DUAS AMIGAS COMENTARAM ENTRE SI NO FACEBOOK [SOBRE UM VÍDEO] ONDE UM CASAL, BAILARINO DE SALÃO, DANÇA UMA MILONGA TANGUEADA, ESCREVENDO DA SEGUINTE FORMA: - QUE LINDO FORRÓ... ; E A OUTRA: - ADOREI É UM FORRÓ MUITO ELEGANTE, DE CLASSE!...

E NÃO É NADA DISSO!... CADA PESSOA DEVERIA - SABER APRENDER A VER - E DE RESTO TAMBÉM APRENDER A OUVIR. SABER PELO MENOS O QUE É DE SUA TERRA, DE SUA REGIÃO, SUA GENTE; PARA COMPREENDER SEU PRÓPRIO PAÍS. TER UMA VISÃO DE MUNDO.

 NO CASO EM QUESTÃO ERA UMA DANÇA DO TRADICIONALISMO GAÚCHO PLATINO. AQUELA ABRANGÊNCIA DOS PAMPEANOS URUGUAIOS E ESPECÍFICAMENTE ARGENTINOS. MAIS AINDA, JAMAIS PODERIA SER UM FORRÓ (DO INGL. FOR ALL =  PARA TODOS, BAILE POPULAR), SEGUNDO A HISTÓRIA CONSTANTE, E OS FILOLOGISTAS E LINGUISTAS, ALÉM DE UM RÍTMO GENERALIZOU-SE COMO SINÔNIMO DE BAILE.  É PORTANTO UM BAILE NORDESTINO COM RÍTMOS PRÓPRIOS REGIONALÍSSIMOS, PARA ORGULHO DAQUELE HONROSO POVO COM  SEUS RITMOS QUENTES BEM MARCADOS E MUITO SENSUAIS PARA QUEM O DANÇA. DE TÃO ARROCHADO É, QUE POPULARMENTE O NORDESTINO O CHAMA DE “RALA-BUCHO”. E NÃO É PRA QUALQUER CABRA NÃO, TEM QUE TER TUTANO.

NÃO DÁ PARA IMAGINAR UM NORDESTINO DE SANDÁLIAS E PARAMENTADO POPULARMENTE, DANÇANDO UMA MILONGA TANGUEADA OU UM TANGO MILONGEIRO. QUALQUER  BRASILEIRO – NÃO SENDO – “DOENTE DA CABEÇA OU DO PÉ” – DANÇA QUALQUER COISA, MAS ESTAMOS FALANDO REGIONALMENTE, POPULARMENTE E DENTRO DE SUAS REGIÕES. O MESMO SE DIRÁ DE UM GAÚCHO - DE BOTA, ESPORA E BOMBACHA, COM A PRENDA DE SAIA LONGA E RODADA - DANÇANDO UM CHACHADO, FREVO, FORRÓ, EMBOLADA, MARACATU, COCO

DE RESTO, NO BRASIL A MINORIA SE INTERESSA PELO QUE É TRADICIONAL A SEU ESTADO REGIÃO, CONTUDO LAMENTAMOS ARTIFICIALIZAÇAO DAS COISAS MAIS INERENTES À CULTURA POPULAR, COMO OCORRE AOS PERSONAGENS QUE VIVENCIAM OS “INDÍGENAS” DE PARAINTINS, REGIÃO NORTE – AMAZONAS. LA TUDO CAMINHA ANO A ANO PARA IGUALAR-SE AO CARNAVAL SUPER ARTIFICIALESCO DO RIO DE JANEIRO.

 FALANDO DE MÚSICA E DANÇA CADA REGIÃO DE NOSSO PAÍS POSSUI INTRÍNSICAMENTE SUAS CARACTERÍSTICAS POUCO OU MUITO DIFERENTES UMA DAS OUTRAS.  POR EXEMPLO, PERNAMBUCO POSSUI O FREVO, ÚNICO EM TODO O PAÍS. SÃO PAULO SERIA O CATIRA OU CATERETÊ, E ERA DANÇADO SOMENTE POR HOMENS; UM SAPATEADO AO SOM DE VIOLA-CAIPIRA (OBRIGATÓRIA) SEGUIDA DE VIOLÃO – EMBORA JÁ SEJA PRATICAMENTE UM FOLCLORE ESPORÁDICO, EM POUQUÍSSIMOS ESPAÇOS DA MÍDIA (PROGRAMAS SERTANEJOS CHAMADOS “RAIZ”) E A UNS POUCOS PALCOS A PEDIDOS, E OCASIÕES ESPECIAIS

HOJE, ALGUNS RAROS GRUPOS QUE SOBREVIRAM À FALTA DE INCENTIVO E RECURSOS, SE APRESENTAM MESCLADOS COM GAROTAS, OU JOVENS MULHERES, EVIDENTEMENTE PARENTES, FILHOS E ESPOSAS DOS COMPONENTES MASCULINOS.

 

O TANGO MILONGUEIRO É MAIS “PUXADO” À CASTELHANA PORTENHA, SE APROXIMANDO DO TANGO PURO E MENOS DA MILONGA, ENQUANTO O INVERSO FICA PARA OS GAÚCHOS RIOGRANDENSES. LEMBRANDO QUE O TERMO GAÚCHO É COMUM AOS PELEADORES PAMPEANOS  DA TRÍPLICE DIVISA: BRASIL, URUGUAI E ARGENTINA.

NO RIO GRANDE DO SUL HÁ  ENTÃO UMA VARIAÇÃO PARA A MILONGA TANGUEADA, PARA A MILONGA SIMPLES OU FALSEADA, (TANGO MILONGUEIRO NA ARGENTINA) NO RIO GRANDE DO SUL OS PASSOS  DA DANÇA NÃO SÃO MUITO COREOGRAFADOS, MAS DE LINDA PERFORMANCE REGIONAL PLATINA. AFINAL, A ORIGEM DA MILONGA, BEM COMO O TANGO É ARGENTINA;  (O TANGO ESTÁ PARA A ARGENTINA ASSIM COMO O FADO PARA PORTUGAL) PARA FICARMOS NESTES DOIS POVOS DE NÓS MAIS PRÓXIMOS. CLARO QUE É CERTO EXISTIREM RÍTMOS E DANÇAS CARACTERÍSTICOS AOS PAÍSES DO MUNDO TODO. 

CHEGANDO AOS PAMPAS O ESTILO MUSICAL FOI FICANDO MAIS POPULAR E POSSÍVEL DE SER DANÇADA NOS GALPÕES DAS ESTÂNCIAS E NOS CTGs, ONDE HÁ MENOS ESPAÇO E ACOMODAÇÕES AO PÚBLICO DOS QUE OS PALCOS DE TEATROS, GRANDES HOTÉIS, E RESTAURANTES, CUJOS DANÇARINOS VIVEM DA ARTE DA DANÇA. MAS, A “MILONGA GALPONEIRA” SIMPLIFICADA, TEM MAIS A CARA DO GAÚCHO ACOMPANHADO DA GAITA E VIOLÕES E UM TAMBOR RÚSTICO (HERANÇA QUICHUA) OU COMO DIZEM DOS XIRUS (OU CHIRUS; FEM. CHIRUA) DE PELE TRACIONADA POR CORDAS DE TENTOS URDIDOS, QUE FAZ A MARCAÇÃO DOS TEMPOS DO RÍTMO. JÁ A “MILONGA PESADA” OU “TANGO MILONGUEIRO” SEMPRE TROUXE A MARCA DA EXIBIÇÃO, PERÍCIA ACENTUADA E COMPETITIVIDADE - CARÁTER ATÁVICO DO GAÚCHO. HÁ SEMPRE CONCURSOS DE DANÇA E APRIMORAMENTO DOS PARES DANÇARINOS.

II

RITMOS MAIS EVIDENTES NO SUL DO BRASIL

Chotes

Uma dança de salão que tem origem na Hungria e que apareceu em nosso país depois do período Regencial. O grande sucesso desse ritmo se deu durante o Segundo Império, no sul do Brasil ainda é um ritmo que tem força. No estado do Rio Grande do Sul é comum encontrar grupos que se dedicam a dançar chotes.

Milonga

A dança conhecida como Milonga é guiada pelo som de guitarras e é bastante popular no Uruguai de onde chegou ao Brasil. Atualmente, essa música e dança faz parte da cultura do pampa gaúcho, bem como recebendo os “buenos aires” da Argentina, lá acomodando em seu bojo um naco de tango para se engalanar. A Milonga portenha e de resto pampeira tem forte sotaque tangueiro, ou aformoseando-se a um tango milongueiro.

Já do Rio Grande, a milonga que não tem fronteira, se acomoda no pampa em comum, cada qual deixando aperceber-se de seu sotaque regional. Nesta linda mesclagem, saímos ganhando, vez que nosso idioma até hoje inculto, tem em seu ventre maior quantidade radicante de muitos povos e nações. Reparem que, o português brasileiro, mais que o lusófono possui temperos e esmeros que o luso não tem. Nós temos (tivemos) índios, em nações de variadas línguas, herdamos. E sei lá sobre os negros escravizados, se os houveram pelas terras de Camões.  Muitos termos, que os lusos não os tem, por óbvio , não possuíram indígenas. Somam aos muitos radicais etimológicos o rico linguajar das então grandes nações autóctones brasileiras; também dos árabes, italianos, eslavos, açorianos lusos, castelhanos, negros de África, alemães etc. Marcas que vieram e ficaram, nos traços, usos, costumes e só conferir ainda hoje.

Nosso português – brasileiro – em seus apenas quinhentos e catorze anos, ainda é inculto e redomão. [Como diz o título do livro do Professor Pasquale “Inculta e Bela” ]

O Rio Grande, nessa água de sanga cristalina, foi bebendo dos chirus ( ou xirus) os usos e costumes – boleadeiras usadas na caça de emas selvagens, trasladadas à derrubada dos bezerrotes para a marcação e ao depois a outros animais. E porque não usá-la nas lutas e nas guerras, como arma dos exímios pinchadores ou atiradores de boleadeiras que à vezes abreviam para, bolas.  Parece fora de qualquer dúvida, que tais instrumentos [ avios ] pampeiros, de cavalgada para a caça, vieram por herança dos índios campeiros Charruas; Minuanos e Tapes, que as usavam na caça, e mais tarde conhecendo o cavalo chegado com os espanhóis; o boi, passaram a usá-las junto aos arreios a fim de  arrebanhar os animais alçados e na caça [de abestruz] avestruz; que na verdade é a ema.

Nesse caldo de cultura, surgiram os cantos, a poesia gauchesca, do jeito que vinha entrava na música de acompanhamento de gaita e violão. E as danças, com suas vestes soltas, as prendas de longos vestidos, teriam que ser havidos de gestos anchos. A coreografia performática não se apresentava como porfia de cajetilha (carretidja) - janotas da cidade, exibicionistas, querendões -;  e sim, por não se atarracarem e apinhados “pisar na bombacha”, os paços e os volteios eram amplos de como haviam vindo dos ancestrais. A Argentina em muito contribuiu à beleza da milonga, que foi se evoluindo ao sotaque do tango: lá um tango milongueiro. Aqui uma milonga tangueada

Vanera, Habanera ou Havanera.

Uma dança que é acompanhada por um canto originário de Havana, Cuba e que tem grande força no Rio Grande do Sul. Essa música pode ser ouvida com frequência tocada pelas bandas das colônias de imigração italiana.

Nos campos os gaiteiros gaúchos costumam chamar esse tipo de música de “vanera” e esse é o ritmo que faz parte do repertório para animar fandangos, bailantas e festas gauchescas. E existe um ritmo mais pesado, mais sestroso, usado nos surungos (bailes bem populares) respingado já por todo o país. Este sim poder-se ia, aos menos avisados e forâneos que desconhecem completamente o ritmo e a técnica do gaiteiro, tomarem-no por um forró. Mas por pouco, logo sentem a diferença, se no camotearem pelo salão notarem que os gaiteiros são queras, campeiraços e fandangueiros.

 

 

Prezado Mauro Martins Santos. Excelente seu texto que nos fala das danças gauchas. É uma ótima contribuição para ser apresentada quando estivermos escrevendo na REGIÃO MINUANO, em que se encaixa. No entanto, para que possamos adicionar textos de nossa autoria ou  resultantes de pesquisas que tenhamos realizado, é necessário que antes tenhamos "construído" as Regiões. A "construção" da sua e a de todas as Regiões, implica em desenvolvermos o TÓPICO 1, e o TÓPICO 2, referente a ela. O GRUPO CULTURA REGIONAL, funcionará com apenas 9 TÓPICOS 1, e 9 TÓPICOS 2.  

1) No TÓPICO 1 teremos a caracterização da REGIÃO

2) No TÓPICO 2, teremos um PEQUENO DICIONÁRIO DE TERMOS REGIONAIS, pequeno dicionário de termos regionais, elaborado somente com as palavras do "dialeto" regional, à medida em que os Termos forem aparecendo em Postagens Próprias ou de Terceiros.Não  teremos condição de "escrever" um Dicionário que contenha "todos" os Termos adicionados, a menos que esses Termos demandem explicação ou tradução, por terem aparecido textos próprios ou de terceiros já publicados, seja no TÓPICO 1, nos textos, ou comentários.

3) Por favor, de uma lida do que consta sobre METOLOGIA, nos escritos já publicados, em particular o que está  ná PÁGINA DE APOIO  PARA O DESENVOLVIMENTO da REGIÃO  VIOLA..Observe que você publicou esse texto sobre as danças gaúchas, em uma PÁGINA TESTE, onde buscávamos apenas estruturar  os TÓPICOS 2. 

abraços. 

QUERIDOS AMIGOS E ADORÁVEL AMIGA SÍLVIA - Como eu tinha pronto este texto ( e os esqueci perdidos em arquivo) e demais outros... SOMENTE EM UMA FORMA DE COLABORAÇÃO E SUBSÍDIO, SÓ ACRESCENTANDO, gostaria de também desarrolhar três pontinhas, que estão bem próximas de mim: A LA PUCHA, Interj. Exprime admiração, espanto TCHE (ou CHÊ) Interj. Equivale a tu aí, ou apenas tu. No regionalismo sulino pode ser usado como fosse vocativo "Como passaste(s), chê? Por onde andou, chê? Alertando ou chamando a atenção: "Chê! Que mulher lindaça!" N. Pronuncia-se TCHÊ, à moda dos países de língua espanhola: Uruguai e Argentina - Segundo todos os estudiosos do R.G.do Sul e outros,o TCHÊ não se originou na Espanha; e Portugal o desconhece, bem como só é dialetado no Rio grande do Sul, em nenhuma outra parte do país como falar corrente. (Ex.Bem coloquial seria: - Puxa Vida! Cara!)

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BRUACA - Este termo eu conheço, na teoria e na prática. Meu pai, bisneto de gaúchos, estabelecido em Tatuí-SP, vindo de Itararé, era sapateiro (fazia só sapatos novos - era um fabricante de calçados da época, vez que era tudo artesanal e também seleiro idem) Entre tudo o que fazia de botas campeiras-gaúchas para a peonada que subia de Viamão-RS a Sorocaba [Vendas de tropas] papai fazia também BRUACAS; que neste caso localizado, eram caixas de madeira leve (pinho-de-riga) ou só a armação de madeira, e totalmente cobertas de couro vacum curtido com os pelos, ou couro de cabras idem, também se usava couro cru (aquele que molhado é maleável, moldável, mas deixado ao sol endurece qual pedra) As BRUACAS eram usadas aos pares no lombo da cavalgadura. Dentro delas (Verdadeiros porta-trecos) podia ir de tudo, desde alimentos, objetos de uso da lida campeira, os pertences e os objetos comprados. Papai mantinha sempre algumas BRUACAS prontas, pois os gaúchos sempre adquiriam materiais em Tatuí-SP que era um "bivaque" ou pousada da gauchada.

CAINGANGUES - ou também KAINGANGUES; Esta foi uma tribo nobre de indígenas do Rio Grande do Sul e fronteiras, muito populosa (A história de sua epopeia poderei publicar em outra data é longa mais heroica e bela) Muitos caingangues semi aculturados com demais em estado silvícola, se aventuraram junto a tropeiros e peões no corredor Viamão-Sorocaba até a feira de solípedes, a maior conhecida nas primeiras décadas do século XX, estes indígenas foram ficando pela região sorocabana e ali surgiu uma formação tribal. Eram indígenas de conformação forte, pele morena clara e não tinham os traços tão delineados orientais nos olhos e narizes que a maioria das demais nações e tribos brasileiras possuem. Minha avó materna Francisca Pinheiro de Camargo, teve sua mãe adotada (foi deixada abandonada não se sabe por quê, pela minha tataravó índia Kaingangue) recolhida pela esposa de um fazendeiro da região, que lhe deu seu sobrenome. Era descendente de indígenas caingangues da região  geográfica de Sorocaba-SP a que pertencia Tatuí, onde nasci. Ainda existem tanto lá no Rio Grande do Sul (tribos) como na região de Sorocaba descendentes, com fortes traços de seus ancestrais.

  

UMA DESCENDENTE DOS KAINGANGUES (CAINGANGUES) DA REGIÃO DE SOROCABA

Esta foto extraí da pesquisa sobre os Kaingangues, em busca das origens de minha mãe e de minha avó acima citada.

O interessante de tudo é o parecer de minha mãe - com essa moça da foto acima -

quando tinha ela por volta dessa idade

(

Parabéns Mauro Martins Santos. É louvável a sua iniciativa de acrescentar suas valiosas colaborações para o melhor conhecimento da Região Minuano. Seus depoimentos têm o mérito de se originarem no seio de suas relações familiares, o que lhes dá autenticidade e credibilidade. Em que pese a pluralidade étnico-racial do povo gaúcho, pelo tipo físico da descendente caingangue da fotografia, é de se notar que esta etnia influenciou significativamente parcela considerável da população autóctone, em seus traços fisionômicos. Conheço de fotografias ou pessoalmente várias gaúchas e sulistas que não tendo características físicas predominantemente europeias, que têm alguma parecença com esta senhora.. abrçs..    

Marco meu querido amigo, já estava com saudades, e até temendo que tivesses pego uma carona naquela carroça que ficou legendada em nosso grupo. (rs) . Obrigado pela suas sempre cultas e buscadas assertivas ao que dizes e pensas. É um prazer indescritível parear-se como amigo com tanta afinidade ao regionalismo - geral - de "nossos brasis: a tarefa de coordenar este mapa não é facil há que ser: geógrafo, historiador, sociólogo, indianista, um tanto paleontólogo: como disse Suassuna: "Quando encontramos um crâneo queremos recuperar sua memória"; sermos também linguista, etnólogo, humanista, conhecer nosso país de preferência "in loco", não podendo acondicionar tudo isso, temos que suprir com a vivência e a pesquisa séria, não só a eletrônia que tem muitas ecruzilhadas mas também às velhas e seguras Enciclopédias famosas, com suas exaustivas remissões. Mas tudo é compensador, pois o celeiro o deixamos fartos, para servirem "às famílias dos José(s) do Egito" Amigo Marco, fico a dever - "a epopéia dos Kaingangues" - que poderei dividir em duas ou mais partes. Um forte e sincero abraço a quem admiro e respeito como dileto amigo.

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