AMOR DE ABICHORNADO

 

Achegam lembranças de horas inteiras,

Neste trote chasqueiro de amarga solidão,

Posteiro da saudade no ermo da fronteira,

Faz vaticínio desvalido neste taita coração.

 

Castelhana desejo teu calor nesta fria viração,

Requebrando e rodando a saia sem me vispar

Não desvizinhes quem te estranzilhou puxirão,

Fico aqui angurreado por um fio de teu olhar!

 

Amor de abichornado a ti, prenda meu tesouro,

Se aprochegues deste que peleou por semanas,

Teu esperado regalo: o selim vermelho de couro

 

Aquele teu zaino-pinhão, ficará todo mui pilchado,

Com a guria sem-mais-nada, no selim assentada,

Com este campereador que te ama, a teu lado!

 

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Poema VIRAÇÃO

Termos Regionais do Rio Grande do Sul

 

Chasqueiro – apressado

Posteiro – empregado que mora em avançado da sede da querência.

Tem como função,  zelar pelas divisas, e reparos gerais.

Taita – grande, forte, muito bom

Viração – forte nevoeiro nas fraldas e costados das serras

Vispar – avistar, enxergar

Estranzilhou - estafou, extenuou, alquebrou

Puxirão – muxirão – mutirão, ajudas mútuas que sempre terminam em festa.

Angurreado – desanimado

Abichornado – triste, aniquilado, macambúzio, abatido

Selim – Sela apropriada para mulheres que cavalgam sentadas na transversal, quando           de saias e vestidos, com ambas as pernas de um só lado do cavalo.

Campereador – Trabalhador, ou conhecedor das lides do campo (pampas)

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Respostas a este tópico

Parabéns, Mauro. Um belo soneto. Sem o glossário, quase nada eu compreenderia. abraços.

Meu mui prezado e querido amigo Marco. Você sabe, o regionalismo gaúcho em suas poesias (em especial dos pajadores - corresponde localmente aos repentistas aí de vosso lado, que os conhece muito bem) se divide basicamente em dois estilos  internos, o tradicionalista campeiro permeado do linguajar típico (que à medida em que se dilui nas massas das cidades grandes vão se apagando - ficando o básico "gauchês", do (...Mas Bah! - com o tchê (chê) ou sem ele, Ara tchê, Ala Tchê, vamo que vamo, fresco (gay) pila (dinheiro) "Custa quanto...? 20 pila; - Mas tá caro que dói, barbaridade!" e o TU, que é geral e morrem com ele. No Pará, Ceará, e demais Estados do Nordeste também usam. Isso tudo ainda persiste e só conversar com o povo mais simples, os mais "grã-finos" se mesclaram muito e dispersados nas viagens infelizmente; diferente do "carioquês" que têm orgulho de trocar o "R" pelo "X" o "S" pelo "R" e eliminarem o "I" intermediário: Brasilêro., bandêra etc., se envergonham do sotaque e adotam o de outra região (Vide Xuxa e outros - gaúcha que fala carioquêixx) Voltando: Há um outro estilo ou falar, de especial nas poesias que é o puxado - não no sentido de afetado, mas de garboso, apurado, em sinonímica: árdua difícil (para nós outros) mas aos falantes do estilo é sem afetação e de um modo natural como língua materna - que de fato é. Tudo isso para puxar prosa contigo Marco.

Tu já ("ouviu") aquele garotinho que surgiu nos vídeos dos celulares, e youtube que fala: DÁ-LE PAU, DÁ-LE PAU, DÁ-LE PAU, MARCO VÉIO (Dirigindo-se a seu primo, que vem num carrinho de rolimã...!?)  rsrsrsrsrs. Um forte abraço MARCO VÉIO rsrs

Bravosssss, querido Mauro.

Exímios versos.

Bjsssss

Autenticidade e simplicidade nossa maior virtude

Oh, Mônica -minha querida amiga de verdade, "virtual é força de expressão"; que alegria ler suas palavras, nestes curtos contatos de "quero mais"... Obrigado por ler-me e a sempre melhor paga - a oferta de teu sentimento que sempre me diz "num upa":

- Vamos que vamos, Mauro amigo, que a vida só vale a pena, porque ' Nossa Alma Não é Pequena'".

Obrigado sempre amiga Mônica - Meu abraço de afeto junto ao teu Coração.

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