Nos espaços onde convivo cresce de tom as críticas à família por falharem no seu intuito primordial de educar as crianças. Por outro lado, acentua-se a tónica de que à escola, ou melhor dizendo, aos profissionais da educação cabe o ensinar.

Este aparente divórcio entre o ensino e a educação tem, na minha opinião, fomentado a violência nas escolas portuguesas e contribuído para o abandono precoce do meio escolar.

A maioria dos agressores no meio escolar são vítimas no ambiente familiar. Se somarmos às suas experiências a alienação educativa, que resultados poderemos esperar?

Existem resultados positivos quando a escola actuou com consciência e amor, empenhando-se tanto no Saber e Saber Fazer, como no Saber Ser e estar com os Outros. Não consigo conceber uma escola que ensina, sem educar.

Pergunto-me, tendo em conta a complexa realidade, o que se espera do produto escolar. Um bom aluno? Um bom profissional? 

E se o resultado do produto escolar fosse sobretudo, o ensinar a viver? Não teríamos melhores pessoas e consequentemente, melhores sociedades?

Não creio numa escola cujo o intuito é a formação de profissionais. Tanto mais quando indagados sobre o conhecimento adquirido na escola, os profissionais de diferentes áreas me respondem não haver correlação directa entre o que estudaram e o seu desempenho profissional.

Por tudo o que vejo, aqui e no mundo, para além da consciência que a realidade do trabalho, como hoje conhecemos e para a qual fomos formatados, continuará a sofrer mudanças drásticas, desejo ardentemente, que a escola transcenda o intuito de formar profissionais e aposte forte no desenvolvimento integral do indivíduo.

Não digo que a escola deva substituir a família, mas quantas vezes a família escolar é a única que se faz presente?

 

 

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