A Tribuna ouviu alguns intelectuais e, ao mesmo tempo, pessoas ligadas ao movimento gay na Bahia e no Brasil, como Luís Mott, entre outros.

Fundador e hoje presidente de honra do Grupo Gay da Bahia (GGB), o antropólogo e mestre da UFBA Luís Mott, inclusive pai de uma filha, comenta, de Roma, onde se encontra nesses dias, que “nos últimos tempos, alguns acadêmicos e militantes têm defendido a hipótese de que a homofobia – hoje chamada de LGBTfobia- , teria sido implantada no Brasil como ‘política de Estado’ durante a ditadura militar. Ledo engano. Desde a Colônia, passando pelo Império, e sobretudo nos últimos anos, a discriminação aos LGBT sempre foi institucionalizada, percorrendo todos os estratos sociais.”

Todavia, conforme Mott, “de norte a sul do país se ouve dizer ‘viado tem mais é que morrer!’ ou, como repetiu o deputado Bolsonaro, ‘prefiro meu filho morto do que gay!’ Apesar de o Brasil ostentar um vibrante lado cor de rosa, com a maior parada gay do mundo, com um deputado gay assumido e célebres artistas assumidamente lésbicas, nosso país é marcado pelo vermelho sangue: a cada 27 horas, um gay ou travesti é barbaramente assassinado, vítima de crime de ódio. Somos o campeão mundial homicídios homofóbicos, reforçados pela impunidade dos criminosos. Em 2016 foram documentados 318 assassinatos de LGBT.

Só em 2016,já foram assassinados 113 LGBT, 12 na Bahia, depois de São Paulo (19 vitimas), o estado mais homofóbico do país. E lastimavelmente esses números estão aumentando: mataram-se três vezes mais LGBT durante o governo Dilma do que nos tempos de FHC e duas vezes mais do que na presidência de Lula”, afirma Mott.

TEM SOLUÇÃO


“Tal barbaridade tem solução - diz o antropólogo- , fundador do GGB: educação sexual científica em todos os níveis escolares, equiparação legal da homofobia ao crime de racismo e políticas públicas eficazes em favor de mais de 10% dos brasileiros e brasileiras da tribo do arco íris, que já têm o direito de casar mais correm grave risco de vida de andar de mãos dadas pela rua”.
A propósito, foi o Grupo Gay da Bahia quem introduziu em 1982 no Brasil o termo “homofobia”, assim como a celebração do Dia Mundial contra a Homotransfobia.

O professor de estética da UFBA e doutor no seu mister, Ricardo Líper, diz que “o que me interessa na recusa à homofobia é a questão política. Na realidade, só temos duas formas de nos relacionarmos com outros. Ou somos democráticos e liberais, ou fascistas. O comportamento, maneira de se vestir, adorar um Deus ou outro ou nenhum, amar e ser amado por quem consensualmente concordar, ler e assistir filmes sem censuras, livremente, é ser democrático.”

Segundo Líper, ser fascista, com qualquer nome que se dê, é estabelecer normas para dominar e quase sempre explorar os outros. O fascismo tem a capacidade de agradar os psicopatas e os agrupar como sua teoria de censurar e dominar o semelhante. O psicopata é aquele que sente prazer, não importa porque, em fazer sofrer o outro. Vive à espreita para poder dar vazão a essa maneira de sentir prazer. Por isso ele procura os bodes expiatórios que no momento a sociedade em que vive lhe sugere bater, ridicularizar, excluir.”

Ainda de acordo com o mestre da UFBA, “podem ser os negros, as mulheres, os índios e os que livremente exercem, entre adultos, prazeres sexuais. Daí também exercer a homofobia. O psicopata não é só aquele que mata nos filmes de serial killers. Ele pode ser apenas um fascista. Pode chegar a matar, a linchar etc., mas pode apenas fazer o outro sofrer chamando de veado, denunciando, fazendo piadas e, podendo, espancar. O problema é esse.

Crimes têm crescido no Brasil

O vice-presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Enfrentamento à Homofobia da OAB-Ba, Leandro Lopes Pontes, acha que, “hoje, a discussão sobre este tema adquire maior importância por causa do retrocesso democrático que vivemos no Brasil. Incluo aí o feminicídio (assassinato de mulheres), ou qualquer outro crime resultante de preconceito contra minorias.”

Para Leandro Lopes, vale destacar que atualmente “o mais positivo é chamar a atenção para esses crimes, dando visibilidade à situação e, consequentemente, levando a buscas pela solução.” Ele acha que os crimes têm crescido, mas ressalva que, “hoje em dia, a principal dificuldade é determinar se a causa foi homofobia. Este é o ‘X’ da questão.”

Leandro argumenta que “o crime pode ser causado por pura raiva, sendo possível que o fato de transexuais , homossexuais etc., se coloquem em situação de risco.. No entanto, devemos evitar jamais culpar a vítima.”



 Por _Alex Ferraz
Publicado na Tribuna da Bahia

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Respostas a este tópico

Não existe nada que justifique discriminações de qualquer tipo que seja...

Afinal, para isso existe o livre arbítrio, que nos permite determinar o rumo que desejamos dar à nossa vida...

E se queremos ser respeitados, devemos respeitar o ponto de vista dos demais, sem proibições que impeçam o livre desejo de alguem...

Beijos aplauditivos pela publicação...

Marcial

Querido poeta,concordo com cada palavra sua.

Intolerância e preconceito é a doença que assola grande parte da  humanidade

Te abraço poeta do amor e da paz.


Muito obrigada por sua informaçao.

Preciosa partilha Escritora da alma 

beijossss

Chantal Fournet

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