IN MEMORIAM

         A Cesário Verde – Poeta 1855-1886

 

Foi apenas uma espécie de marulho brando

Um arrastar de folhagem ressequido…

Uma dor que a seu tempo nos vai minando

O luto e a ausência do nosso querido

Das coisas que a vida nos dá ou vai tirando.

 

Vem de mansinho e basta um sopro para o mar se agitar

Basta o seu abraço para este firmamento se expandir…

No sorriso da noite e ao gás…Cesário que vinha a passar

E acenando os seus alexandrinos…nos chama a sorrir

Que ao longe a face da morte…até parece a lua a brilhar.

 

E as sombras entrelaçadas são o perfil do ser…

Um retrato que se revela na eternidade

De Lisboa para o mundo rústico o prazer de ler…

Os seus versos e exaltar tal capacidade

De moldar com destreza um citadino alvorecer.

 

Recordar é tudo e presumo que já temos fausta herança

Com Silva Pinto e de carroça atrelada numa memória…

Que são outros os caminhos de quem come, bebe e dança

Íamos mitigando o facto de ser tão breve a sua história

E a gente precisa de ter quem nos cante outra esperança.

 

 

Só o puro elogio não tece a crítica mordaz

Sinta milady esta real solenidade…

E deixe em seu peito a promessa que se faz

Quando se ama mesmo de verdade…

Que ao poeta basta um sim…o gesto audaz.

 

F. Corte Real

Portugal

Exibições: 16

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