Para homenagear a estimada poeta e escritora Cris Henriques,

publico o belíssimo depoimento da sua mãe Idália Henriques,

escrito por ocasião do seu falecimento

- 1/9/1975 - 14/7/2014 -

"É com uma dor imensa no coração, que comunico a todos os amigos, que no dia 14/7, apagou-se uma luz que iluminava a minha vida. Cris Henriques, minha filha Dorinha como era chamada pelos mais íntimos, partiu para sempre. Sei que estará irradiando a sua luz noutro plano, iluminando aqueles que amava, mas isso não diminui a dor que sinto, o vazio que ela deixou na minha vida.


Para quem não conhecia bem a Cris, devo dizer que foi uma lutadora, uma guerreira, desde que nasceu até que partiu. Nasceu portadora de uma doença que se chama Atrofia Spinal Progressiva, do tipo 1. É suposto, quem tem esta doença, de tipo 1, não passar dos 2 anos de idade. Ela tinha 38 anos. A Cris sempre teve problemas graves de saúde, que fomos conseguindo ultrapassar um a um, com coragem e determinação. A Cris era completamente dependente, esteve toda a sua vida numa cadeira de rodas, e sem força muscular, a sua qualidade de vida foi-se deteriorando cada vez mais. Ainda assim, conseguiu concretizar alguns sonhos.


Fez um curso de inglês, por correspondência, pela impossibilidade de se deslocar de casa, e falava fluentemente essa língua. Fez um curso de Astrologia, que lhe permitiu ajudar muita gente que a procurava. Cada mapa astral que fez, foi mais um amigo que ganhou. Há dois anos, terminou o 12º Ano de Escolaridade, com excelente aproveitamento. Percebia imenso de computadores e informática, conhecimentos adquiridos apenas com pesquisa e ajuda de amigos virtuais. Escrevia poesia com um sentimento tão profundo, com um amor tão grande, como só ela sabia sentir. A edição de um livro de poesia, O QUE O MEU CORAÇÃO DIZ, foi mais um sonho concretizado.

Escrevia com sentimento, com sinceridade e amor. Aquele amor, que lhe era inerente, ela era feita de amor e doçura. Até hoje, foi a única pessoa que conheci capaz de sentir amor incondicional, fosse por amigos, familiares ou o amor da sua vida. Quando amava, amava mesmo e o objeto do seu amor, não tinha defeitos, eram apenas pessoas diferentes umas das outras, que quando erram estão apenas a experienciar a vida, a aprender com os erros, e não nos compete a nós julga-los, como ela dizia, com toda a razão.


Era a única coisa que conseguia fazer sozinha, escrever no computador. Ainda assim tinha de ser ajudada para se posicionar, e escrevia apenas com dois dedos, que eram os únicos que tinham ainda alguma mobilidade.


Não obstante os problemas de saúde que a sua deficiência lhe causava, o que a levou, foi um carcinoma, que quando descoberto, já estava metastizado, levando-a em pouco mais de dois meses.


Não foi possível esconder dela o problema. Inteligente, rapidamente se apercebeu do que tinha. Confrontou o médico, queria saber. E soube. Depois do médico sair, ficou um pouco calada a pensar, depois disse-me: "_Mamã, não fiques triste, eu vou ficar bem. Todos temos que partir um dia, e eu fui feliz. Não pude fazer muitas coisas que as outras pessoas fazem, mas fui feliz assim, e muitas pessoas que podem fazer tudo, nunca são felizes. E digo-te mais, vou manter a minha alegria até ao fim."


E cumpriu. Poucas horas antes da partida, quando não lhe conseguia baixar a febre, que estava nos 41º, ao levá-la para as urgências, com o sentido de humor que a caracterizava, ainda disse uma piada que nos fez rir. Foi das últimas coisas que disse. A partir daí as dores intensificaram-se até que partiu. Resta-me o consolo de saber que parou de sofrer. Resta-me o consolo de saber que dediquei a minha vida a ela, ao seu bem-estar, fiz sempre tudo por ela, desde que nasceu, até que partiu. Inclusivamente fui eu quem lhe cerrou os olhinhos doces, para sempre. Mas será que isso é consolo? E o vazio que ficou na minha vida? Vou ter que seguir o exemplo de coragem que ela deixou, e seguir em frente. Vou guardar para sempre as suas palavras de amor: "- Mamã, amo-te muito, digo-te isto muitas vezes, mas preciso de dizer."


Eu sei, meu amor. Onde estiveres, continuo a sentir o teu amor, e continuo a dar-te o amor que te dei durante toda a tua vida.


O céu ganhou uma estrela, e eu, perdi a minha filha, a minha melhor amiga, confidente, sempre com compreensão e carinho aconselhando a mãe, tendo sempre uma palavra de encorajamento a dizer. Mas ganhei um anjo para me proteger.


Descansa em paz, meu amor, que Deus te ampare em seus braços.

Idália Henriques"

Fonte de pesquisa:

https://www.facebook.com/CrisHenriquesFlores

Perfil de Cris Henriques no Portal PEAPAZ:

http://peapaz.ning.com/profile/CrisHenriques

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Respostas a este tópico

na Luz...

"Quando amava, amava mesmo e o objeto do seu amor, não tinha defeitos, eram apenas pessoas diferentes umas das outras, que quando erram estão apenas a experienciar a vida, a aprender com os erros, e não nos compete a nós julga-los, como ela dizia, com toda a razão."

Cris,cumpriu sua missão.Que siga em paz.

LInda pessoa, um sorriso que transmitia a doçura de  sua alma,

que esteja  feliz no seu lugar entre os anjos...

Saudades... Ainda trago guardado nossas últimas conversas que foram voltadas para o Peapaz, a alegria dela em estar participando. Onde quer que esteja nossa Cris, um abraço querida.

Quando um poeta parte deixa um legado de amor

Meus sentimentos aos amigos
Dione Fonseca

Iluminada...fiquei triste em saber.

Pelo depoimento da mãe podemos constatar quanto era de luz.

Meus sentimentos, estrela não apaga, brilha eternamente.

Onde estiver estará assim: Brilhando!

Beijos

Quando encontramos nos caminhos da vida, criaturas de tanta doçura no  Àmor à mãe e  aos amigos, percebemos a valentia, (no sentido de valores), que à fez viVer tão dignamente,  sem revoltas, sem o egoísmo mas com a paz e a bondade no coração...

Em outra dimensão, Cris chegou com a paz e o exemplo  de vida, e com mais uma etapa cumprida lindamente. Além de outros, o sentimento que deixou-nos  foi a saudade.  Beijo.  Arlete Deretti Fernandes.

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