UM ENSAIO SOBRE O APRENDER E O ENSINAR NA PROBLEMÁTICA DA TRANSFERÊNCIA DO CONHECIMENTO

Amanda Eloina Scherer

Contextualizando uma transgressão disciplinar
O artigo acima é parte da Coleção Ensaios- Mestrado em Letras ,1999 e transcreve a Conferência proferida no IX Novas Propostas para o ensino da Linguagem, além de parte do texto servir de material de suporte para o reencaminhamento do Seminário Novas Propostas como Programa de Extensão.
A temática abordada é a transferência de conhecimento no domínio do ensino e da aprendizagem na formação de professores.
Contextualiza a problemática como parte de um projeto educativo que tem por objetivo o questionamento, não sendo algo pronto, definitivo. Tais questionamentos envolvem: como se efetuam as aprendizagens, como elas podem ser utilizadas, se é possível falar só em transposição de conhecimento ,se pode ser definido o conhecimento a ser transferido em detrimento de outros, ou se existem conhecimentos mais ou menos transferível.
Outros dados surgem a partir a partir dos questionamentos.
O ensino aprendizagem envolve dimensão cognitiva, afetiva, social.Num dado momento o aluno se libera de um laço para estabelecer outro.
Como situar as aprendizagens “lógicas”, metodológicas e prioriza-las?
Quais alternativas buscar?
Outro questionamento.
Qual o papel da interdisciplinaridade? Existem conhecimentos que servem de matrizes nas diversas aprendizagens de uma mesma disciplina?
A pesquisa teórica determina a ação pedagógica e vice-versa?
A autora reafirma seu posicionamento da indissolubilidade da teoria/prática e prática/teoria.É questão importante o fato do sujeito ser unidade mantendo a diferença, ter e aceitar a própria história e inventar o próprio futuro. Aparece aí o caráter histórico do homem e dinâmico do conhecimento através da interrogação de como transmitir estes valores em prática criadora de vida e não como meio de perpetuação de distinção social. Coloca ainda em confronto o saber constituído e o homem que precisa mediar para se sentir como sujeito. A produção do saber neste caso não é só produzida pelo professor e pelo aprendiz, mas parte de suas próprias histórias e da sociedade. No decorrer do artigo situa o que é sua concepção de nova, de proposta e de ensino e linguagem denominando a sua abordagem de intercultural, que segundo Porcher (1997), por ela citado, é construir relações, articulações,conexões entre as diversas culturas: a sua, a nossa e a do outro.
É um trabalho de construção de identidade cultural, no entendimento de Lipiansky (1992).É também um trabalho de socialização que envolve a linguagem, as representações sociais e a cultura que se interpenetram.Aborda o conhecimento entendido por ela como investigação permanente, dependente da experiência do sujeito e como processo social e ideológico.
O conhecimento acontece na inter-relação presente-passado-futuro,em uma relação dialógica e histórica, sempre em movimento de sentido e sujeito, constituído pelo, para e no sujeito.
O conhecimento não é estático, não é posto nem dado, mas está em movimento como a menor partícula do universo, que não é estático.
Para ela ocorre a transferência do conhecimento, na dupla dimensão :repetição,deslocamento, na atualização do passado, na situação do presente, que é o próprio deslocamento.
Os princípios são o manejo sem indução e o conhecimento.
Na transferência estão presente três ações - suscitar,instaurar,construir - que remete a uma construção permanente.
Ressalta o papel da família, da escola e da mídia na atualidade,sendo a escola o depositário da ética-discursiva de sua comunidade.
Classifica o aprendiz como profissional da aprendizagem, o professor como profissional do ensino que assim se tornaram via preparação para a vida em uma relação dialógica. A sua atuação se dá pela competência social que é definida como a capacidade de colocar em jogo a motivação, a antecipação, a utilização do que for adquirido. É conforme reafirma antes um processo dialógico que envolve estabilidade, responsabilidade, imagem positiva de si, esforço contínuo que se revelam no ato de aprender e de ensinar, num momento incompleto do sujeito pelo outro sujeito.
Encerra o artigo propondo a reflexão sobre o papel do aprendiz e o papel da formação de professores no contexto de final de século dominado pela globalização da economia e pelas novas leis de mercado.
Síntese Pessoal
Gostei do texto, salientando a transferência como resultante do processo dialógico, dinâmico baseado em questionamentos , considerando a realidade histórica e os diversos elementos implicados nesta dinâmica.
É importante frisar que é necessário para que este processo de transferência de conhecimento ocorra é preciso que o professor tenha conhecimento deste conceito e do comprometimento implicado nisto, fazendo-o repensar seu papel, sua atuação que está relacionada diretamente com a atuação e/ou resposta do aluno.Voltamos àquela concepção de aprendiz para ambos os pólos da relação, na qual o professor tem de se colocar como elemento também em movimento, em construção e não como depositário de conteúdos, pois o vocábulo transferência que é utilizado em vários campos do conhecimento denota a idéia de transporte, de deslocamento, de substituição de um lugar para outro conforme o artigo.
Freud aponta a transferência como fenômeno psíquico que se encontra presente em todos os âmbitos das relações com os semelhantes, o que nos reporta ao texto em análise quando a autora fala que em um dado momento o aluno se libera de um laço e estabelece outro. O estabelecimento destes laços, vínculos com o professor vai ser determinante para uma melhor e mais eficaz transferência, pela identificação que ele consegue estabelecer.
Melanie Klein (1926) fala em vínculo e transferência de papéis [como dissemos acima] que reforça a importância da família, da escola e do professor como partes de um envolvimento afetivo cujos vínculos estabelecidos favorecem a transferência de conhecimento.
É um processo que não dissocia a teoria da prática, que ocorre de forma integrada, interdisciplinar, fundada num sistema ético-discursivo das relações.
Acima de tudo é uma concepção moderna, atualizada, dinâmica que abre espaço para inclusão , para crescimento e troca mútua.
Bibliografia
FREITAS,A. A importância do Conceito de Transferência na relação professor-aluno. Artigo publicado em 2008.07.02 site http://www.ampliareducacional.com.br/ acessado em 2008,07.08

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