RESUMO 
LER E NAVEGAR:espaços e percursos da leitura. Marildes Marinho (org).-Campinas,SP:Mercado das letras:Associação de Leitura do Brasil-ALB.2001(Coleção Leituras do Brasil)

Capítulo 5. Diferença e Desigualdade:Preconceitos em Leitura. Márcia Abreu



A autora faz um relato da história da leitura no Brasil através da análise de materiais impressos feitos por viajantes no período anterior à independência. Estes materiais impressos são textos, gravuras,ilustrações em livros e pinturas de artistas europeus.
Os viajantes denunciam as precárias condições de vida intelectual, ausência ou inadequação de escolas, número reduzido de livreiros, má qualidade de estoques e desinteresse dos habitantes pela leitura.Esta opinião é corroborada por intelectuais e escritores brasileiros no século XIX que diziam não ter o povo brasileiro condição de
apreciar a leitura nem instrução e meios para comprar, ler e entender verdades ou idéias, posto que a leitura exige preparo e este está condicionado ao tempo disponível para tal, carecendo o povo deste tempo. Salientaram tais escritores que o povo não tem forte idealização da leitura como elemento capaz de produzir ascensão social eliminando barreira tanto de natureza social quanto cultural ou econômica.
O sentimento de frustração que é denotado pelos escritores da época permanece até o final do milênio. A autora cita o site:www.brasil500.com.br e a campanha “incentivo à Leitura” da Rede Globo onde constata o falado acima.
O entendimento anterior é de que a leitura exigia esforço e concentração, na campanha acima é ligada ao prazer sendo defendida como algo simples e agradável, porém pouco difundida o que interfere na qualidade da educação. A idéia de que é instrumento para o aprendizado, para a educação, ascensão e desenvolvimento da cidadania é reforçada. A idéia comum em ambas as épocas também é a de que a leitura é responsabilidade individual.
A visão externada pelos viajantes, segundo a autora é a partir dos conceitos por eles internalizados como homens europeus cultos sendo, portanto, o parâmetro a cultura européia embasada em ícones como abundância de livros nas bibliotecas das casas, freqüência assídua a elas e sintonia com o avanço das ciências e das artes. As pinturas também exemplificam isto mostrando pessoas cultas e também que a leitura podia ser instrumento ou ferramenta de instrução e de entretenimento.
A análise das pinturas e desenhos que retratavam o Brasil mostrava - embora a insistência geral em afirmar a ignorância e apatia da população -situações de leitura, entretanto, sem o espírito de elevação e seriedade existente nas obras européias. Eram pinturas quase caricatas mostrando com isto rebaixamento do leitor e suas formas de ler. Baseados em parâmetros europeus não consideravam estas demonstrações como leitura. O diferente era considerado inferior, daí a representação negativa que era feita.
Estas formas de representação de leitura se mantém no século XIX e século XX porém com a inclusão dos Estados Unidos também como centro irradiador de cultura.
No Brasil contemporâneo quando se fala em práticas de leitura a idéia concebida ainda é aquela européia mantendo-se o discurso de ausência de leitura. O discurso pedagógico também insiste neste sentido descaracterizando como leitura aquela encontrada , ou seja,a leitura de gibis, romances, leitura para adolescentes.
As campanhas surgem incentivando o contato com o livro a qualquer custo, ignorando diferenças regionais, culturais, pessoais, vivências considerando o aluno-leitor como tabula rasa. A leitura estimulada é a de identificação e evasão.
Como forma de aquisição de conhecimento ,caberia ao estado as campanhas institucionais e como entretenimento caberia à iniciativa privada, ou seja, as editoras .
A visão elitista de cultura não permite a visualização das práticas comuns e faz com que seja não leitor aquele que não leia o que é consagrado como livro certo, que são os avaliados pela escola, pela universidade, pelos grandes jornais e pela crítica literária, embora os critérios desta avaliação não sejam explicitados e estejam vinculados a noções individuais de valor estético.
A autora ainda critica as intervenções pedagógicas e governamentais que enfatizam a idéia de que a leitura é algo para poucos e bons, fazendo um trabalho de difusão da não leitura e não das práticas ocorridas. Reafirmam a distinção entre estes tipos de leitura , como de primeira e segunda classe o que redunda na estigmatização do leitor como de primeira e segunda classe, desconhecendo as questões culturais, políticas e sociais.
Termina o artigo fazendo uma análise crítica da situação do Brasil, com relação ao número de desempregados, trabalhadores sem terra,de analfabetos destacando a importância da alfabetização, da expansão do número de bibliotecas públicas de qualidade , do número de empregos , da melhoria das condições básicas de saúde, pois é necessário ter condições para ser leitor, mas que não é necessário que todos leiam a mesma leitura,nem que gostem dos mesmos livros e nem que tenham a mesma opinião sobre eles.

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