A boneca dançarina

Clara delirava de alegria, e dando pulos de contentamento grita:

 - Mãe! Mãe! Vem ver o que encontrei no quarto.

A mãe que naquele momento se encontrava a descascar as batatas para fazer o jantar, deixa cair a faca, limpa rapidamente as mãos ao avental e responde.

 - Mas o que aconteceu minha filha?

 - Vem ver mãe, uma boneca que dança e canta, a boneca que eu tanto queria!

A mãe quase não acreditava, atarefada com a lida de casa, não se lembrou que Clara curiosa como era, podia descobrir o esconderijo do presente, que a junta de freguesia tinha enviado para Clara, assim como para todos os miúdos das redondezas.

 - Clara! Mas o que estás tu a fazer? Quem te mandou mexer no presente, que era só para abrir na noite de Nata?

 - Oh mãe! Mas porquê só na noite de Natal?

 - Clara sabes que foi na noite de Natal que nasceu o menino Jesus, e para festejar o nascimento, Jesus quer que todos os meninos nessa noite tenham uma prendinha, sabes que somos pobres, e não foi a mãe que te comprou o presente, mas uma associação de beneficência que ajuda as famílias que não podem comprar, por não terem dinheiro.

 - Oh mãe! Quando eu for grande quero ser bailarina. Quero ganhar dinheiro, já não seremos tão pobres, hei de ajudar todos os meninos, e dançar para os animá-los. Tu e o pai vão ficar alegres quando me virem dançar?

 - Sim Clara, agora guarda a boneca e vem para a mesa que o pai já chegou, vamos jantar.

 - Boa noite minha filha!

Clara salta para o colo do pai e diz-lhe:

 - Pai, tenho uma boneca, uma boneca que dança, e canta!

A mãe que distribuía pelos pratos as batatas cozidas com um pouco de bacalhau, olha para os dois e viu a alegria estampada no rosto da filha e pensa...

Como é bom ver que com tão pouca coisa se pode fazer uma criança feliz. Clara nos dias que se seguiram dançava com a boneca, falava com ela. Era a sua companhia. Mas numa manhã acordou, e não viu a boneca. Corre para a mãe e pergunta?

Mãe! Mãe! Onde está a minha boneca?

Clara apanhou um susto, mas depois de muito procurarem, encontraram a boneca no quintal, junto ao Bobby, o cão de estimação que a levou para brincar com ela.

Clara zangada com o cão exclama:

 - Bobby! Estás cá um atrevido! Também tu gostas de dançar? - Sabes que não me esqueci de ti e a partir hoje passas a vir uns dias por outros dançar connosco. Mas não voltas a tirar-me a boneca combinada?

A mãe que ouviu toda a conversa, olha para o marido e para a filha e pensou:

Tenho a certeza que a minha filha pobre ou rica, vai ser feliz com o que tiver e não se vai esquecer dos outros. O marido como que a adivinhar-lhe o pensamento, olha para a mulher, sorri e abraçam-se em silêncio.

12-12-2013

Maria Silvéria dos Mártires

 

 

 

 

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Respostas a este tópico

Lindo demais seu conto prezada amiga,

mostrando bem como é linda e pura a alma infantil...

São os adultos que a desvirtuam, ensinando muitas coisas erradas, como egoismo, orgulho, preconceito...

Abraços aplauditivos,

Marcial

Querida Maria Silvéria,

A narrativa é muito bonita e prendeu-me a atenção, do início ao fim. Mas, vejo por bem a correção de alguns detalhes, pois encontro equívocos na pontuação, no uso das conjunções e na conjugação do tempo verbal.

 

Cito alguns exemplos:

 

"A mãe que distribuía pelos pratos as batatas cozidas com um pouco de bacalhau, olha para os dois e viu a alegria estampada no rosto da filha e pensou: [...]"

Sugestão:

A mãe, que distribuía pelos pratos as batatas cozidas com um pouco de bacalhau, olha para os dois e, ao ver a alegria estampada no rosto da filha, pensa: [...]"

 

“[...] olha para o marido e para a filha e pensou [...]"

Sugestão:

“[...] olha para o marido e para a filha e pensa [...]"

 

"[...] Quem te mandou mexer no presente, que era só para abrir na noite de Natal!"

Ao final da frase, trata-se de ponto de interrogação e não de ponto de exclamação.

 

"[...] hei-de ajudar todos os meninos, e dançar para os animar, Tu e o pai vão ficar alegres quando me virem dançar?"

Sugestão:

"[...] hei de ajudar todos os meninos e dançar para animá-los; tu e o pai ficarão alegres quando me virem dançar?"

Explicação:

Conforme Acordo Ortográfico, em vigor desde 2009: "Não se emprega o hífen para ligar as formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver à preposição de". Sendo assim, eis as formas do verbo "haver" no presente do indicativo, seguido da preposição "de":

  • "Eu hei-de vencer" (errado); "Eu hei de vencer" (correto)
  • "Tu hás-de vencer” (errado); "Tu hás de vencer" (correto)
  • "Ele há-de vencer" (errado); "Ele há de vencer" (correto)
  • "Eles hão-de vencer" (errado); "Eles hão de vencer" (correto).

"Pai tenho uma boneca, uma boneca que dança, e canta!"

Sugestão:

"Pai, tenho uma boneca, uma boneca que dança e canta!"

 

"Corre para a mãe e pergunta?"

Ao final da frase, trata-se de dois pontos e não de um ponto de interrogação.

"Tenho a certeza que a minha filha pobre ou rica, vai ser feliz com o que tiver e não se vai esquecer dos outros. O marido como que a adivinhar-lhe o pensamento, olha para a mulher, sorri, e abraçam-se em silêncio."

Sugestão:

"Tenho certeza de que a minha filha, pobre ou rica, será feliz com o que tiver e não se esquecerá dos outros. O marido, como a adivinhar-lhe o pensamento, olha para a mulher, sorri e abraçam-se em silêncio."

Carinhosamente,

Sílvia Mota

Muito obrigada pela correcção.É um gosto estar sempre a aprender especialmente com quem sabe.

lindo seu conto

Amei o anjo

muito bonito

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