O cachorro negro e o menino

 

Era uma vez um belo cachorrinho negro. Tinha os pelos macios e era muito mansinho. Sua mamãe teve quatro filhotinhos, três deles branquinhos. Foram todos levados a feira de adoção. Os branquinhos foram logo adotados, e ele ficou lá sozinho.

 

À noite, chorou muito de saudades do calor de sua mamãe e de seus irmãos. Ficou muito triste, e pensava “vou voltar para casa”, mas ele era muito pequeno para fugir do abrigo.

 

E assim, ele foi ficando por lá. Teria uma nova feira, e ele pensava “vou fugir desta vez, quando todos estiverem distraídos, e procurar a mamãe.” Quando chegou o dia da feira, deram-lhe um gostoso banho, escovaram seu lindo pelo e colocaram uma gravata azul. Estava lindo, mas não via sua beleza, só pensava em fugir.

 

Chegando a feira, os cachorros logo arrumaram donos, e ele ficou amuado em um canto. Foi quando um menino chegou perto dele e lhe fez um carinho. Que gostosa aquela coçadinha em sua nuca. Ele se aconchegou mais perto da criança. O menino sorriu, e falou “Que lindo, você é e tão macio!” E ficaram ali enamorados.

 

O menino, que chamava Túlio, o pegou no colo, e foi passear com o cachorrinho pela feira. O cachorrinho viu o mundo enorme lá de cima e muitos cachorros de todos os tamanhos e raças. “Nossa, quantos cachorros tem neste mundo! Como vou achar a minha mamãe neste mundo canino?” pensava. As horas passaram ligeiras.

 

A mãe de Túlio veio chamá-lo para irem embora. A criança pediu para levar o cachorro para casa, mas ela disse que não. Tinham adotado uma cadela abandonada na semana anterior, e que era muito para levarem outro. Mas Túlio implorava. “Eu juro que vou cuidar dele, e vou ensinar ele a respeitar os limites. Vai ser um belo cachorro, mamãe! Olhe como ele é macio e manso, passa a mão nele.” E o menino colocou o cãozinho nos braços da mãe, e o cachorrinho negro adormeceu cansado. A mãe ficou pensativa afagando a cabecinha dele.

 

“Vamos levar, mas você vai cuidar dele e ensinar os costumes da casa, e ele vai dormir lá fora no celeiro, junto da outra cachorra. Prometa para mim.” O menino, rindo, pegou o cachorrinho, prometendo a mãe que cuidaria dele. E foram felizes embora para o sítio.

 

O cachorrinho pensava “e agora que não vou mais ver minha mamãe? Vou fugir de lá, mas o meu dono é bem legal, e me coça muito gostoso.” Chegando ao sítio, o pai do menino não estava em casa, e tinha levado a cachorra junto para ensiná-la a caçar. O menino ficou com pena do cachorrinho dormindo lá fora, e pediu a mãe para que só naquela noite, deixasse dormir com ele, mas não teve sorte desta vez. “Olha meu filho, você prometeu, e promessas são cumpridas. Ele vai para o celeiro.”. “ Tá bem, mamãe.” Deu comida ao bichinho, e disse: seu nome é Negro.

 

Depois, levou-o ao celeiro e fez uma cama macia para ele. Cobriu com sacos de milho, e falou “amanhã bem cedinho eu venho.” O cachorrinho, quando viu que ia ficar sozinho, começou a latir e a chorar. O menino, triste, fechou a porta do celeiro e foi para casa. Deu boa noite a mãe e foi para o quarto.

 

Passou-se algum tempo, e Túlio, ouvindo Negro chorar, levantou e foi ao celeiro. “Fica quietinho que logo vai amanhecer e você vai ter uma amiga para conversar.” Negro se aconchegou pertinho dele e adormeceu cansado, e Túlio também. Na manhã seguinte, sua mãe Mariana o acordou, brava. Tinha se assustado com sua ausência, e lembrando-se do cachorrinho, foi ao celeiro, e os viu adormecidos juntinhos. “Você me desobedeceu! Quando seu pai chegar, vai levar o cãozinho de volta.” O menino, chorando, disse “eu não desobedeci. Ele dormiu no celeiro, e eu, ouvindo Negro a chorar, vim cuidar dele e adormeci também. Eu não o levei para meu quarto.” A mãe pensou, e disse “vamos deixar seu pai decidir, e você nunca mais saia à noite, e nem venha ao celeiro que é perigoso. Sabe que aqui tem muitos bichos que atacam.”. “Está bem.” Passou a mão na cabeça de Negro e foi para casa.

 

Escutou o jipe do pai e correu para ele. A cadela estava lá, dentro de uma caixa para não fugir, até se acostumar. E ele foi falando com o pai sobre o cachorro, o celeiro, e tudo de uma só vez. “Calma, eu vou falar com ela. Mas nunca mais sairá de casa à noite. Agora vá levar a Branquinha para conhecer o Negro, e cuidado para ela não o morder.” E lá foi Túlio feliz.

 

Quando abriu a porta, Branquinha disparou latindo, e seu coração parou apavorado, pensando “vai mata-lo!” E gritava desesperado “não, Branquinha! Amigo!” Gritou tanto, que Marcos e Mariana vieram correndo, e viram Branquinha acariciando Negro, e este saltando feliz e abanando o rabinho todo alegre. Dava gosto ver como estavam felizes. “Calma, filho. Ela está feliz com ele. Parecem mãe e filho. Será?” Podia ser, ela estava ainda com as tetas com leite, e Negro já estava sugando. E a casa nunca mais foi a mesma com os dois e Túlio correndo felizes pelo campo.

 

Mas um dia, escutaram Branquinha rosnando e latindo, muito e Marcos pegou a espingarda , dizendo “fiquem aqui”. Quando chegou perto do celeiro, viu uma onça e os cachorros acuando. Ao ver o homem, ela atacou, mas os cães lutaram com ela. Foi algo que jamais esqueceram. A onça morta, os cachorros machucados, e o sitiante também. Foram todos para a cidade.

 

Primeiro, deixaram Marcos no hospital, e os cachorros no veterinário. Negro estava muito machucado, e Branquinha levou uma dentada na perna que a deixou manca. Marcos estava com arranhões no peito, pelas garras da onça, mas os cachorros o protegeram. Ele conseguiu atirar na onça assim que se recompôs.

 

Branquinha ainda está manca, mas é feliz pelo carinho que recebe. Quanto ao Negro, conseguiu se recuperar com os carinhos do pequeno dono, que não saiu do lado dele. Ainda dormem juntos no celeiro e estão felizes. Negro se tornou uma lenda por ser jovem e defender o sitiante. Alguns homens levam suas cachorras para cruzarem com ele, e os filhotes são prometidos aos amigos.

 

Um dia, um trouxe uma cadelinha branquinha como a mãe de presente, e depois outro trouxe um igual ao Negro. Agora, o sítio está alegre e cheio de cachorros guardando a fazenda.

 

Cães são amigos dos donos e os defendem desde tempos antigos, e devem ser livres e amados sempre. Quando doarem um cãozinho, vejam se os donos são carinhosos. Tem pessoas que gostam de tê-los dentro de casa, e até dormem com seus donos. Precisam de vacinas e cuidados quando doentes, e jamais devem ser abandonados, porque, como nós, têm sentimentos.

 

Dione Fonseca

 

Agora, desenhe o sitio que Negro mora e coloque o que achar que tem em sítios e fazendas.

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Respostas a este tópico

Bela mensagem, querida Dione!

Os pequeninos enriquecerão suas emoções com esse belo conto.

Parabéns e Felicidades!

Beijossssssssss

Muito obrigada querida Silvia mota

Amei!
Parabéns querida Dione!
Excelente mensagem que ressalta a importância da adoção.
abração com carinho

Querida Elza  agradeço seu comentário

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