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Literatura de Cordel

Reserva-se este espaço à publicação dos trabalhos dos autores que se expressam através da Literatura de Cordel. Criado por Sílvia Mota.

Local: Poetas e Escritores do Amor e da Paz.
Membros: 36
Última atividade: 2 Ago

O que é Literatura de Cordel?

Literatura de Cordel

 

“A feira é invadida por uma verdadeira multidão. Vendedores disputam os clientes aos gritos. E com chapéu de couro de bode, ao sol do meio-dia, um homem mestiço, com uma voz rouca, canta em versos em meio a um pequeno grupo de nordestinos curiosos.”

 

É o poeta, transformando seus versos em registro da vida nordestina, impressos em papel pardo, com belas ilustrações xilográficas. Trata-se da denominada Literatura de Cordel, que leva esse nome devido a sua exposição em barbantes ou cordas, com folhetos presos por pregadores de roupas. A literatura de cordel surgiu na Europa, no século XVIII. No Brasil, esse tipo de literatura tornou-se uma tradição literária tipicamente nordestina. Os romanceiros de cordel são grandes narradores da vida local: Reproduzindo fatos sociais, políticos, econômicos e, também, históricos, com seus relatos em versos característicos. Os folhetos de cordel são verdadeiros “blogs”, pois assim como estes, se encontram difundidos numa espécie de internet popular, sendo encontrados nos mercados públicos, feiras, praças, sebos, museus, dentre outros espaços não menos importantes do nosso cotidiano. O escritor Ariano Suassuna, quando lançou o Movimento Armorial, no dia 18 de outubro de 1970, viu na Literatura de cordel uma fonte de inspiração importante dentro do contexto do ideário Armorial.

 

"A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos 'folhetos' do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus 'cantares', e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados."

Ariano Suassuna, Jornal da Semana, Recife, 20 maio 1975.

 

Hoje, a historiadora Maria Ângela de Faria Grillo, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, descreve a importância da literatura de cordel na própria dinâmica histórica:

 

“O cordel é como uma janela aberta para se investigar outras visões e outras versões das narrativas históricas”.

Maria Ângela de Faria Grillo, Revista História da Biblioteca Nacional. Outubro de 2006.

 

É evidente que a literatura de cordel, assim como todas as manifestações populares diversas daquelas eleitas pela mídia, têm sofrido muito com a falta de incentivos oficiais e divulgação. Sem um projeto sério que apoie a diversidade cultural, os romanceiros são cada vez menos vistos, ficando assim, no passado, a busca eterna por meios a não serem esquecidos e nem calados. Investigando a história das famílias nordestinas vamos encontrar vestígios dessa prática popular, tão impregnada aos seus costumes.

 

Texto capturado em:

http://vbemtempo.blogspot.com/2007/05/literatura-de-cordel-blog-de-matuto.html 

Etimologia:

Cordel - corda, cordão, cordial, toca a alma e o coração. Folhetos expostos em cordões, esterias e/ou lençóis nas feiras, praças, bancas, mercados e portas das igrejas.

Nomenclatura variada:

O estilo literário recebeu diversos nomes através dos tempos e do espaço (Europa e países latino-americanos, evidenciando-se com galhardia no Brasil, em particular no Nordeste): Literatura de cordel, poesia de cordel, romance, folheto(s), arrecifes, abcs, folhas volantes, folhas soltas, littèratue de colportage, cocks, catchpennies, broadsiddes, hojas e corridos, entre outras.

Noções conceituais e estruturação:

A LITERATURA DE CORDEL é poesia popular impressa em folhetos e vendida em feiras ou praças. Cultivada no Brasil até os dias atuais, origina-se em Portugal, onde por volta do séc. XVII popularizaram-se as folhas volantes (ou folhas soltas) que eram vendidas por cegos nas feiras, ruas, praças ou em romarias, presas a um cordel ou barbante, para facilitar suas exposição aos interessados. Nessas folhas de impressão rudimentar, registravam-se fatos históricos, poesia, cenas de teatro, anedotas ou novelas tradicionais, textos que eram memorizados e cantados pelos cegos que os vendiam.

Apresentam-se sob diversas formas.

QUADRA

 
Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros. A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira.

SEXTILHA

 
Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião.


SEPTILHA

 
Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Na septilha ele usa o estilo de rimar a segunda linha com a quarta e a sétima e a quinta com a sexta, deixando livres a primeira e a terceira.

OITAVA

 
Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão. Composta de oito versos, ou oito linhas ou duas quadras, com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima. Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão. Esquema: AAABBCCB.

QUADRÃO

 
Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.


DÉCIMA

 
Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, cujo esquema rimático é mais comumente ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos frequência, no corpo dos romances. Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo. Esquema rítmico, com acentuação nas sílabas tônicas: 2-5-8-11.

GALOPE À BEIRA-MAR

 
Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rítmico da décima clássica (sílabas tônicas: 2-5-8-11), e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar". Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas. Esquema rimático: ABBAACCDDC.

Segue, cordel da minha autoria:

Olhos verdes [Galope beira mar nº 1]

A - Menina bonita? Bem, dizem que sou...
B - Caminho, rebolo, resvalo faceira,   
B - sorriso maroto, qual brincadeira,
A - perfume, baton, minissaia... lá vou...
A - Se pedes um beijo, charmosa não dou,
C - na ponta da língua - eis meu salivar,
C - de amor vais à míngua - eis teu transpirar.
D - Não briga, meu bem, se m’a boca diz não
D - meus olhos bem verdes denotam paixão.
C - Não pesco no aquário. Prefiro o alto mar.

MARTELO

 
Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heróicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado. O martelo agalopado possui estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios. O martelo de seis pés, galope, possui estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado.

REDONDILHA

 
Antigamente, quadra de versos de sete sílabas, na qual rimava o primeiro com o quarto e o segundo com o terceiro. Esquema: ABBA. Atualmente, verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.

CARRETILHA

 
Literatura popular brasileira - Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.

Mariinha Mota - Poetisa Brasileira

e o seu Exemplo de Amor, Humildade e Cultura 

 

Cantador: Rodolfo Coelho Cavalcante

Homenageada: Mariinha Mota

Ano de 1983

18 páginas

 

Mariinha_Mota-Literatura_de_Cordel_n_1647_Rodolfo_Coelho_Cavalcante.pdf

 

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Comentário de Edir Pina de Barros em 22 maio 2010 às 15:29

Mama África!

Oh! Berço da humanidade! Ó Deus!
Que triste a tua história! Que desdita!
Do ventre tantos filhos teus, aflita,
Vistes partir chorando, sem adeus...
Por atos vis de ímpios europeus!
Na travessia o banzo, a dor e a morte,
Que antes que o navio longe aporte,
O mar tornou-se imenso cemitério,
Em nome de senhores d’outro império
Os filhos teus tiveram dura sorte!

Brasil e Haiti, ó mãe desventurada,
Compartem entre si horrenda história,
Que não se apaga fácil da memória,
A escravidão, que a todos só degrada,
Que espinhos só deixou na sua estrada!
E cá, neste país, teus descendentes,
Vivem de formas vis, tão indecentes,
Lutando pela terra, por escolas,
Muitos nas ruas vivem de esmolas,
Ou nas cadeias mofam indigentes...

Também no Haiti lutaram os teus filhos...
Firmes, valentes, contra os batalhões,
Romperam mil muralhas, mil grilhões,
Fizeram nova história, novos trilhos,
Novos fulgores, novos sonhos, brilhos.
Mas retornaram logo os seus sofreres...
Ameaça viva ao império, seus poderes,
Tentaram, então, calar a sua voz,
E dentre os seus estava o vil algoz...
Voltaram a ser, de novo, pobres seres!


Oh! Deus! Convulsa está a nossa terra!
As vítimas d’outrora são feridas,
Ao ver sumir no chão, amores, vidas,
Enquanto tanta gente chora e erra,
O terremoto outros já soterra!
E do “progresso” pagam alto preço,
Sem merecer sequer amor, apreço...
Sangra-se a terra-mãe sem piedade,
Pelo poder, somente por vaidade,
Que em tudo está presente e bem expresso!

Oh! Berço da humanidade! Ó Deus!
Que triste a tua história! Que desdita!
Do além mar olhar dorida e aflita,
Os filhos teus morrerem, sem adeus!
E ver assim, aflitos filhos teus,
tombarem tão distante, assim milhares...
Mil gritos que cortando aqueles ares.
Rasgam também o ventre originário,
Ao ver teus olhos tão tristes cenários,
Também vencida, assim, outra Palmares!

Despertem! Oh, poetas, com teus versos!
Oh!Castro Alves! Gritai lá dos céus...
Arranquem desses ímpios densos véus
Que causam ao mundo males bem diversos,
com seu poder, desejos tão perversos...
Oh! Deuses outros, olhem por teus filhos!
Devolvam aos povos sua paz e brilhos...
Contenham as mãos de seus algozes loucos,
que ferem a terra-mãe, pensando em poucos!
Libertem o mundo desses vis caudilhos!

Steve Biko! Luther King! Mandela!
Oh! Zumbis d'outras terras, d'outros cantos!
Os teus irmãos derramam fortes prantos,
Que a dor sem fim a vida remodela...
Seu povo está de luto e a morte vela!
Nos mares naus já não navegam mais,
E não enfrentam fortes vendavais...
De longe se escraviza tantos povos
tiram seu chão, sementes dos renovos...
Trazendo a muitos tantos prantos! Ais!


Edir Pina de Barros
Comentário de Edir Pina de Barros em 12 maio 2010 às 7:21


Sentimento sertanejo!

Se você me tem amor
Se você me ama, de fato,
Esse esquisito contrato,
Nem precisa me propor...
Num entendo, meu senhor,
não careço de tal ato,
Desse amor assim de trato!
Sentimento sertanejo
É o que sinto e versejo,
Que nos meus versos retrato!

Meu amor é natureza
Simples como luz do dia,
Tem passarada, alegria,
que canta com singeleza,
Como rocha tem firmeza,
Murmura como cascata
Bem no fundo lá da mata.
É leve qual beija-flor,
Esse meu caboclo amor
É livre, não se contrata!

Meu amor é compromisso
Bem simples, descomplicado,
E também é delicado,
Mas forte, cheio de viço,
De poderoso feitiço...
Dentro de mim deságua
Como o lindo olho d'água,
Que limpo, bem transparente,
Vai correndo bem contente...
Sem saber o que é mágoa!

Tão certeiro como o dia
Assim é esse meu amor,
Tem o perfume da flor,
Que bem distante irradia!
É prenhe de ousadia,
É fogoso, é afoite
todo dia e toda noite
Não tem nada de errado,
é puro, tão encantado,
Mas tem força d’ um açoite!

Belo como flor de ipê
que viça lá no cerrado,
Meu amor é encantado,
Desse que raro se vê,
E nem em livros se lê!
É feito de primavera,
Que todo caboclo espera,
Depois de inverno tão frio!
É forte, dá calafrio,
Que o caboclo destempera!

Sendo assim eu vou m'embora
vou voltar lá pro meu rancho,
onde tenho amor tão ancho,
Mais belo que a doce aurora...
Não fere, nem tem espora!
Eu prefiro meu José,
Meu ranchinho de sapé,
Meu doce lar, doce ninho,
Acordar com o passarinho.
Andar no sertão a pé!

Esse caboclo moreno,
que nasceu numa maloca,
Só desejo em mim provoca,
Que queima como veneno,
Também sabe ser sereno!
Tem olhar enluarado,
Tão terno, enamorado...
Perfumado como a flor
No amor é um doutor
Pela vida diplomado!

Bom cantador, repentista,
canta que nem sabiá,
Canta aqui, canta acolá
Melhor que muito artista,
Não é frio, calculista!
É tão fogoso e faceiro,
e é dono de doce cheiro!
Seu amor não tem contrato,
E nem precisa, de fato,
Me comprar com seu dinheiro!

Não sufoca, nem duvida,
É um verdadeiro amor...
Vou-me embora, meu senhor
Vou voltar pra minha vida,
Não quero tua guarida!
Eu sou cabocla da mata,
Ninguém assim me desmata!
Eu sou livre como a brisa,
Que no meu corpo desliza,
Meu amor ninguém contrata!


Edir
 

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