Nascido em família de pais analfabetos, lavradores, e filho caçula dos doze. Sempre a família viveu com dificuldades financeiras, mas meus pais buscaram trabalhar para não deixar faltar o básico para todos, alimentação e vestuário. Então, desde cedo, já começando a ter “entendimento” de gente, por volta dos nove ou dez anos, ou melhor, maturidade meus irmãos já ajudavam na lavoura e nos afazeres domésticos.

Ao chegarem a fase adulta meus irmãos já podendo trabalhar formalmente no mercado de trabalho, também continuavam ajudando nas despesas doméstica. Ou seja, todos se somando para não precisar mendigar (ser pedinte), roubar ou algo do gênero como a atualidade algumas das vezes impõe aos nossos cidadãos, como precisar roubar para se alimentar como vemos nas mídias e até mesmo presenciamos em nossa vivência.

 A família de baixa renda e sempre com muitas dificuldades de sobrevivência, a vida nos concede mais um obstáculo. O patriarca, meu pai, adoece e fica acamado por exatamente vinte e cinco anos, sofrendo com problema na uretra, período difícil por não ter assistência médica adequada e dessa maneira seria mais dificuldades para nossas vidas.

Minha mãe, mulher de fibra, guerreira, persistente, sempre firme não deixou a vida lhe consumir, pelo contrário, acreditou, firme e com fé que iria vencer e não nos deixar nada faltar e toda a família sempre unida.

Eu, sendo o filho menor da família, cresci desde sempre com essa determinação de vencer na vida e não querer apenas o que a vida me oferecia. Sempre estudei em escola pública e fazia dos meus estudos força e determinação para assim ter um futuro promissor e diferente do que nessa trajetória estava sendo imposto.

Nessa fase de superação, começo a ajudar a minha mãe nas feiras livres desde os oito anos de idade. E fazia sem reclamar ou pensar no cansaço, pois, era a determinação em vencer que sempre me motivou. Mesmo tendo que ajudar a família e ter que estudar ao mesmo tempo, nunca reprovei na escola, pelo contrário passava direto ao término do ano letivo. Concluo então, meu Ensino Médio aos dezesseis anos.

Paralelo ao período de estudos no Ensino Médio sempre buscando oportunidades no mercado de trabalho, mas sempre sem ter o “QI” (quem indique), foi com muito pensar que comecei a trabalhar com o que já executava muito bem, a Educação.

Comecei a dar aulas de reforço escolar particular durante o dia, porque estudava a noite. E fui começando com a trabalhar com alfabetização com crianças até o quinto ano. O gosto em ver crianças aprenderem as primeiras letras e que sempre busquei aprimorar a “rústica técnica” de ensinar os primeiros letramentos.

Dois anos após, comecei a me arriscar a ensinar estudantes do Ensino Fundamental Maior (do sexto ao nono ano). E a cada ano, sempre crescendo “meu emprego” informal. Pessoas passam a admirar o meu trabalho, e ser divulgado de boca a boca. Até que chegam umas jovens cursando o Ensino Médio perguntando se poderia ajudá-las porque teriam avaliação e estavam sem entender o conteúdo disciplinar de Matemática.

Percebendo a aflição das jovens me prontifiquei a verificar se dominava o conteúdo, uma vez que ainda estava cursando também o ensino médio regular. E as disse que ajudaria sim, pois no meu pensamento não via os obstáculos, mas sim a superação. E obtive sucesso nesse novo desafio que apareceu. Foi quando também passei a trabalhar com reforço

Chegando aos vinte anos, precisava urgente cursar uma graduação, foi quando estava em ascensão os cursos de graduação a distância. Logo, não medi esforços me submeti a fazer o concurso vestibular, fui aprovado e então, comecei a minha graduação a distância. E assim dando mais visibilidade as minhas aulas particulares. Estando já no segundo período, um dono de escola particular, me faz o convite para fazer parte da equipe de professores da instituição e assim começo a lecionar a disciplina de Matemática para as turmas de sexto ao nono ano. Laborei por dois anos nessa instituição, sendo após esse período, demitido. No entanto, em meio aos estudos da faculdade e ao trabalho, sempre prestei concurso na busca incessante de melhorar minhas condições de vida. Graças aos meus esforços e a providência divina consegui ser aprovado em um concurso e assim trabalho até a atualidade. Sempre buscando me qualificar profissionalmente.

Técnico em Secretária Escolar – PROFUNCIONÁRIO (2010), licenciado em Matemática (UNIT/SE, 2009) e em Geografia (UFS/SE, 2014). Pós-graduado em: Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade São Luís de França, Gestão e Educação pela Faculdade Pio Décimo e Especialização Direitos Infanto-juvenis no ambiente Escolar "Escola que protege" pela UFS. Professor e Escritor, obras literárias participantes: 1º Encontro de Escritores Canindeenses e Convidados (2014), Antologia Poética, Prêmio Poesia Livre (2015), Literarte celebra Sergipe e Prêmio Escritor destaque (2015), 2º Encontro de Escritores Canindeenses e Convidados (2015), 1ª Antologia dos Escritores Monte-alegrenses (2015), IV Encontro de Escritores Sergipanos (2015), Antologia da Biblioteca Comunitária Viajando na Leitura (2015), Antologia LOGOS n°15 julho de 2015 de Portugal.

André Luis Santos

Nossa Senhora da Glória, Sergipe, Brasil.

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Respostas a este tópico

Aplausos para sua história de vida. 

Com certeza um exemplo a ser seguido por quem se entrega aos contratempos que a vida nos apresenta.

Força de vontade e desejo de progredir na vida podem superar os piores obstáculos.

Abraços aplauditivos,

Marcial

Obrigado pelos aplausos. Espelho-me muito em minha mãe. Sempre buscando ascensão.

Sempre utilizo um frase que não sei o autor "quem não luta pelo que quer, aceita o que vier".

Abraços.

 André Luis Santos

Um belíssimo texto que nos deixa uma mensagem de força e perseverança, te aplaudo poeta André Luis, bjs MIL.

Obrigado. Perseverança, e resiliência são palavras que me acompanham sempre.

Grande abraço fraterno, beijos mill.

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