O MEU PRIMEIRO DIA DE AULAS

No meu primeiro dia de aulas, estava com muita curiosidade de ir á escola e ver como era tudo por lá, pois estava farta de não saber ler e ter que pedir á minha mãe, para ler para mim.

Mas a escola era na Abrã a aldeia vizinha Sede da Junta de Freguesia e tínhamos que atravessar os campos pelos carreiros por meio dos campos lavrados e das florestas, em especial pinhais, passando os ribeiros a vau, pois estradas de alcatrão não havia, nem pontes.

Eram cerca de três quilómetros, com as mochilas às costas e o saco do almoço e do lanche nas mãos e às vezes aconteciam acidentes, como quedas dentro do ribeiro ou no meio das pedras.

Mas acho que no primeiro dia correu tudo bem. Na verdade não me consigo recordar bem como foi, portanto acho que nada de anormal tenha acontecido. Devo ter-me juntado ao grupo dos outros miúdos que iam do Canal – a aldeia onde vivia – para a Abrã, onde era a Escola Primária. Na casa ao lado da minha, vivia uma menina, que era mais velha que eu dois anos e sempre a acompanhei para a escola, até ela fazer a quarta-classe e sair, bem como as outras crianças, que deviam ser cerca de seis ou sete.

A escola era uma daquelas típicas que havia por todo o Portugal, e agora infelizmente, têm sido desativadas e fechadas por todo o lado devido á falta de crianças. Que tristeza…mas a minha ainda continua a funcionar.

Como esta crónica se refere apenas ao primeiro dia de aulas, não posso dizer mais nada, pois as memórias estão a falhar. Se houver outras seguintes, para a continuação, logo escreverei mais algumas memórias acerca de percalços que aconteceram, mas que agora não posso falar, pois ficaria desenquadrado.

Arlete Maria Piedade Louro

Portugal 

Quem quiser ver as vistas clique aqui:

https://www.google.pt/maps/place/Escola+B%C3%A1sica+Abr%C3%A3/@39.4...!3m4!1e1!3m2!1sB5jugrEyiDNMVy6K7lmxgw!2e0!4m2!3m1!1s0xd1896943f12c787:0xaa2a313bd26eb27b!6m1!1e1

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Respostas a este tópico

Querida Escritora Arlete Piedade Louro, imagino bem, como seria naquele tempo, em que se andavam quilometros para aprender e apreender, o que nos iria transformar por dentro !!! Não o vivi. Mas depois vivi-o através de alguns meus alunos, que se levantavam às 5h da manhã, caminhavam cerca de 40m até a uma escola desactivada, aí esperavam 1h o autocarro, ao frio - falamos de Serranias e de gelo e neve alem da chuva - depois chegavam à Escola Secundária, que ainda estava fechada, e esperavam mais meia-hora... Conseguimos encontrar quem abrisse então a Secundária 40m antes da hora...

Mas agora, permite-me fazer um pequeno reparo a uma frase tua, sobre falar ou não sobre mais do que o 1º dia de aulas!  E, salvo a opinião dos administradores do grupo, quando se fala em 1º dia de Escola, eu penso que se refere, tambem e muito, às emoções que envolvem essa abordagem ao mundo da Escola, ao nosso contacto com o mundo dos números, letras, corte com os pais ou os avós por várias horas, coleguinhas, professores, recreios ...ao mundo dos 1os meses, as emoções que rodeiam a entrada na Escola!

Vamos ver o que nos dizem os nossos "chefes"!!! Beijosssssss

Bem haja querida miuda...

Recordar é viver, minha querida amiga...

E como é gostoso relembrar certas passagens perdidas na poeira dos tempos...

Voltamos ao tempo, "que não volta pra trás..."

Beijos aplauditivos por teu belo texto,

Marcial

...à menininha que ia pelos campos fora,

com seu lanchinho na mão, aprender...

Como te adoro menininha!

A Caminho da Escola

Eu queria compor um terno e simples poema,
Que a todos vós, fizesse sorrir ao recordar...
Pois que tivesse nossa infância como tema,
E nos desse alegria para de novo brincar...

Queria relembrar os caminhos para a escola,
No inverno pelos trilhos das geladas florestas,
Os cadernos, e o lanche guardados na sacola,
Os tropeços nas pedras duras de vivas arestas.

Mas no tempo distante, travessas lembranças
Fazem parte de um passado de vãs esperanças,
Pois ainda guardo comigo tais sonhos infantis...

Viajar pelo mundo, conhecer lugares distantes,
Das antigas civilizações as ruínas fascinantes,
Ser escritora, poeta, arqueóloga, desejos pueris.

Arlete Maria Piedade Louro

Para os queridos amigos e companheiros que me deixaram os seus comentários carinhosos e de incentivo, deixo esta foto onde estou em frente à escola, com os colegas e este poema que faz parte do meu livro de crónicas "Era no tempo de...crónicas de outras épocas".

E já agora podem conferir aqui o vídeo do lançamento do meu livro, o ano passado na Sala de Leitura da Biblioteca Municipal Brancaamp Freire, em Santarém:

http://silviamota.ning.com/video/era-no-tempo-de-cr-nicas-de-outras...



Amei deveras teu soneto!!

Que encanto esse sentir,

que quereria ter sentido na prosa,

essa menina de lanche na sacola mais os livros,

que cheirava os pinheiros e sentia o amargo das pedras,

que cortavam sua pele fina. Essas travessas lembranças

de sonhos pueris, são elas que te fizeram

de menininha a ...Escritora!

Amei!

Mas no tempo distante, travessas lembranças
Fazem parte de um passado de vãs esperanças,
Pois ainda guardo comigo tais sonhos infantis...

Que bela descrição, amiga!

Tu me obrigaste a ir contigo e a tentar passar de uma margem para a outra do ribeiro!

Parabéns e beijosssss

Se me acompanhasses já nessa altura, eu não teria caído, com a tua ajuda e nem tu terias caído da mesa!!!

Parabéns irmã!

Beijossss

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