Meu primeiro dia de aula, na primeira série primária, deve ter sido de muita expectativa para minha mãe, porque ela sempre teve vontade de ir à escola, visto que foi alfabetizada por minha avó, que dava aulas particulares em casa.

                   O nome da escola era Grupo Escolar Luciana de Araújo (público), que funcionava no prédio do Instituto São Benedito, uma instituição particular que atendia jovens carentes e tem essa missão até hoje.

                    Acredito que não estava preparada, emocionalmente, para ingressar no primeiro ano, pois me lembro de chorar e não querer ficar lá. Para minha mãe isto deve ter sido desolador. A fim de que eu permanecesse na sala de aula ela ficava as tardes inteiras na escola. Eu ficava segura observando que ela estava lá, sentada no banco, ao alcance de meus olhos.

                    O curioso é que minha mãe ficou muitos dias na escola embora não fosse permitido ficar durante as tardes inteiras. Em agradecimento a essa permissão ela levava brindes para que fossem distribuídos para as crianças carentes ou serem usados nas quermesses realizadas no Instituto.

                      Ela, meu pai e meu padrinho faziam coleções para mim. Recordo que havia uma caixa grande de sapatos cheia de lápis de propaganda e outra com chaveiros. Pois eram estes objetos que eram doados a fim de poder continuar ficando na escola enquanto eu não me adaptasse.

                      Não sei quanto tempo durou. Adaptei-me e gostava da escola. Entrei com seis anos de idade. Fazia-se quatro anos de Ensino Primário em grupos escolares municipais para depois ingressarmos na quinta série nas escolas maiores, estaduais ou particulares que tinham o Ensino Ginasial que durava quatro anos. Depois da formatura, em geral as mulheres faziam o que se chamava Escola Normal (magistério) para ser professora. Quem desejasse Direito ou áreas humanas faziam o Curso Clássico e quem desejasse Medicina, Odontologias faziam o Curso Científico, todos com duração de três anos. O Magistério ainda tinha seis meses de estágio em escolas para depois receber o diploma. Em 1971 com a nova Lei de diretrizes e bases esta estrutura escolar modifico-se.

                   Retornando ao meu primeiro ano escolar, lembro até hoje de algumas colegas. Duas irmãs foram, anos após, minhas colegas na Faculdade de Direito. Uma delas não exerceu a profissão e a outra se aposentou na magistratura. Somos amigas até hoje. Uma terceira fez faculdade de letras e dei aulas de Inglês para ela fazer o vestibular. Anos mais tarde ela fez Direito, também e, eventualmente, nos encontramos na OAB ou eventos sociais. Somos amigas também. Além disso, fizemos a Escola Normal juntas.

                 Uma quarta mudou-se para outro país da América do Sul onde cursou Medicina e lá permanece até hoje.

                   A Escola Luciana de Araújo no ano seguinte a minha entrada na escola mudou de prédio e, anos mais tarde mudou para outro onde permanece até hoje.

                  Minha mãe foi incentivadora para que eu e meus irmãos estudássemos,

Eu sempre gostei de estudar e de ler. Fizemos faculdade, pós- graduação e outros cursos sempre com o apoio e incentivo dela enquanto viveu.       

 Isabel C S Vargas

 Pelotas/RS/Brasil

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Respostas a este tópico

que lindo este teu hino à memória de tua querida Mãe...

Admiro e emocionou-me imenso, ela se ter sentado, ali, sob o olhar ansioso da filha, até a menina se ter adapatado à Escola!

Quanto Amor e Ternura! quanta Disponibilidade Interior.......

MINHA MÃE ERA FANTÁSTICA!!!

Belas e emocionantes lembranças...

Beijossssssssss

OBRIGADO, SILVIA. ABRAÇO

que bom!!!

OBRIGADO QUERIDA CHANTAL.

ISABEL

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