Castelo de Alcanede

Foi na quarta-classe que tive a minha primeira paixão. Não me recordo ao certo como começou, mas íamos juntos para a escola durante uma parte do percurso que fazíamos desde a aldeia, pois o pai dele era o encarregado de uma fábrica de cerâmica que ficava a caminho.

Penso que a professora e as famílias, a dele em especial, tiveram uma certa parte de influência, pois diziam que ficávamos bem um com o outro, pois éramos os mais inteligentes da classe e se eu já tinha como destino traçado continuar os estudos, da parte dele era mais difícil, pois a família era muito pobre e tinham vindo de longe, desde o Alentejo, para o pai trabalhar.

Mas onde ele se destacava era no desenho e na pintura, onde estava largamente à frente dos outros miúdos, pela sua técnica de desenho e colorido. A professora queria ajudá-lo, e constava que iria trabalhar como ilustrador, para uma fábrica de louças que havia na terra da nossa professora.

Mas isso seria no futuro, pois durante aquele último ano em que frequentámos a escola primária, fazíamos o caminho juntos, conversávamos, e como mais marcante recordo o dia em que fomos fazer o exame da 4ª classe, numa vila vizinha, que distava da nossa freguesia, cerca de 7 quilómetros e tem um antigo castelo do tempo do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Nesse dia que marcava uma transição importante para nós, que de crianças passávamos a jovens com mais responsabilidades, as nossas mães acompanhavam-nos. Recordo que após o exame, fomos visitar o castelo, almoçamos o almoço que as nossas mães levaram e voltamos a pé para a nossa freguesia, conversando as mães orgulhosas dos filhos e nós dois, sem pensar que o futuro nos iria separar.

Durante algum tempo, mantivemos contactos por cartas ele mandava-me desenhos que guardei religiosamente por muitos anos. Depois foi-se perdendo o contacto até que soube que ele tinha uma relação séria com outra rapariga da minha aldeia, com a qual veio a constituir família. Família essa que se desfez há uns anos atrás quando emigrou para França. Segundo boatos das velhas da aldeia, não mais teria dado notícias e ninguém sabia dele. Eu até nem ia escrever nada sobre este amor de infância, se não fosse um acaso curioso que me fez decidir. Ontem entre os pedidos de amizade no Facebook, acreditam que tinha um dele? Quase cinquenta anos passados…o primeiro amor nunca esquece, mesmo!

 

Arlete Maria Piedade Louro

Portugal

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Respostas a este tópico

Lindas lembranças querida poetamiga...

Certas recordações sempre falam à alma...

Beijos aplauditivos pelo lindo texto,

Marcial

Obrigada querido poetamigo! 

Beijos com gratidão e carinho,

Arlete

ooooooooooooooohhhhhhhhhhh

que fantastico!! que incrivel!

AMEI esta tua memória, que se torna tão especial!!

Como é a vida, nao é Arlete?

é sempre tão maravilhoso reencontrar a infância

e seus carinhos e memórias!

abraços de aplauso e de alegria!

Obrigada querida amiga Maria José! Os teus comentários sempre me enternecem e fazem sorrir! Mil beijinhos.

Um história de amor repleta de beleza e ternura.

Parabéns!

Beijossssssss

P.S. Esse Facebook arteiro...

Obrigada querida Sílvia. 

É mesmo! Vida moderna...

Beijos, 

Arlete

Parabéns Arlete !

Bjs Wau

Obrigada querida Waulena. Beijinhos e Doce Páscoa!!!

Amiga Arlete,

Há "por acasos" assim. Autênticos regressos ao passado, no presente, rumo ao futuro.
Parabéns.

Beijo

PC

Obrigada caro Paulo César. 

Beijo

Arlete M.P.Louro

Grata também pelo 2º lugar atribuído à minha prosa. 

Abraços,

Arlete M.P.Louro

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