Princípio budista I: Bodhisattvas da Terra

Bodhisattva é o nono dos Dez Mundos ou Dez Estados da Vida (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda).

Bodhi significa “sabedoria do Buda” e sattva, “seres sensíveis”. De acordo com a escritura budista Butsujikyo Ron, sattva também significa “valor”. O estado de Bodhisattva é caracterizado pelas ações altruísticas, por uma conduta abnegada, por um forte desejo de querer salvar os outros de seus sofrimentos, de atingir a própria iluminação e ao mesmo tempo conduzir as demais pessoas a essa suprema condição de vida.

No 15º capítulo do Sutra de Lótus, Yujutsu (Emergindo da Terra) é narrado o aparecimento de incontáveis bodhisattvas que surgem da terra.

Tendo acabado de expor a primeira metade do Sutra de Lótus, Sakyamuni perguntou à audiência: “Quem propagará o Sutra de Lótus neste mundo saha após a minha morte?” Muitos dos discípulos do Buda, que haviam ouvido seus ensinos, declararam: “Nós certamente o propagaremos.” Entretanto, o Buda rejeitou-os dizendo: “Não podem propagar este sutra porque não são persistentes o suficiente para vencer os grandes obstáculos da era maléfica que virá após a minha morte.” Assim tendo dito, muitos bodhisattvas surgem da terra, liderados por Jogyo. Sakyamuni encarregou a eles a propagação da Lei Mística. Dessa forma, as pessoas que assim procedem, propagando a Lei em nossos dias, nada mais são que os próprios Bodhisattvas da Terra.

A “terra” de onde eles vieram é o Nam-myoho-rengue-kyo ou a natureza de Buda existente em tudo no Universo. Os Bodhisattvas da Terra fazem do Nam-myoho-rengue-kyo ou da natureza de Buda a base de suas ações. Propagam a essência do budismo neste mundo turbulento, aliviando as pessoas de seus sofrimentos.

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, discorre sobre as ações dos bodhisattvas da seguinte maneira: “O bodhisattva segue a promessa de salvar os outros e baseia todas as suas ações nessa promesa, o que é uma forma espontânea e livre de manifestar seu altruísmo. Essa promessa não é mera manifestação de seu desejo ou determinação, mas um compromisso que define para quem o bodhisattva devotará todo o seu ser. O bodhisattva se recusa a ser dissuadido ou desencorajado pelas dificuldades criadas por esse desafio. O Sutra de Lótus fala de um puro lótus-branco que nasce nas águas de um lago lamacento. Essa analogia descreve o puro e poderoso estado de vida conquistado em meio à realidade tantas vezes degradante da sociedade. Dessa forma, o bodhisattva nunca foge da realidade, nunca deixa as pessoas sofrendo sem ser aliviadas e mergulha nas águas turbulentas da vida num esforço para ajudar cada pessoa que está se afogando no sofrimento a alcançar o grande navio da felicidade.”1 Essa é uma descrição moderna dos Bodhisattvas da Terra. Podemos melhor compreendê-la fazendo uma associação com a atuação dos membros da SGI.

Em 1975, ano em que a SGI foi instituída, o presidente Ikeda fez o seguinte apelo a todos os seus integrantes: “Não vamos almejar louvor nem glória, mas sim dedicar nossa vida ao plantio de sementes da Lei Mística em prol da paz em cada canto do mundo.”2

Por “terra” podemos entender os países e regiões do mundo inteiro, ou seja, o local do cumprimento da nossa missão. Por meio da atuação dos membros da SGI, o Budismo de Nitiren Daishonin foi propagado para 181 países e territórios.

Um sutra afirma que uma pessoa passa por 804 mil estados de espírito num único dia (Cf. Gosho Zenshu, p. 471). Da mesma forma, nossa mente é invadida por inúmeros pensamentos. Como podemos então atingir uma condição elevada de vida e abrigar em nossa mente pensamentos cheios de benevolência e altruísmo como os de um bodhisattva? O único meio é exercitando a condição de bodhisattva em nosso dia-a-dia até torná-la parte de nós. A prática do Gongyo e do Daimoku e o empenho na realização do Chakubuku são algumas dessas formas.

No final do 16° capítulo do Sutra de Lótus, Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda) consta: “Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?” Nessa frase está expresso o desejo único do Buda. Ela revela também a conduta de um bodhisattva. Dessa forma, quando agimos como bodhisattvas estamos trilhando o caminho direto para o estado de Buda ou iluminação.

Fonte de pesquisa

TERCEIRA CIVILIZAÇÃO. n. 408, ago. 2002, p. 7.

Notas indicadas:

1. TERCEIRA CIVILIZAÇÃO. N. 357, MAIO 1988, p. 32.

2. Ibidem, p. 34.

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