PROSA

CRÔNICA


MÃEZINHA CIGANA ESLAVA [MAMOCHKA]

Mauro Martins Santos - Moji Guaçu - SP - Brasil

OUSO TENTAR

Ouso tentar devagar ir passo a passo 
Sem saber além da beleza o que traço,
sobre a fértil história da vida cigana,

Consigo lembrar isso apenas, e é o que faço;

Duas vezes a convite num acampamento cigano,

afirmo que vi ciganas loiras, morenas e ruivas;

cabelos lisos, ondeados e crespos - não me engano.

Cuidado visitantes -  pois quase todas são noivas.

 

Dançando, as meninas parecem sem compromisso,

Mas no colo de suas mamochka(s) estão seus filhinhos,

Cabeça baixa na aba do chapéu o gitano não é omisso,

Aprecie a beleza da mulher, mas não ouse passar disso...

 

Assim:

Adolescentes com filhinhos carregados no quadril.

As morenas se pareciam muito com indianas, as loiras lembravam as moças do centro-europeu e as ruivas eram as mais magras, pareciam russas mamochka(s).

Interessante era que os rostos eram da mesma beleza,

não apresentavam grandes diferenças anatômicas,

intrigante era olhá-las e verem-se todas  mouras espanholas,

ou mineiras brasileiras, ou chilenas, ou sérvias, ou polonesas, alemãs

romenas ou sei lá mais de onde... suecas? Gypsies dos EUA?

Veremos isso? E as mães com seus filhos na ilharga

no mundo todo a mesma coisa, rom = homens, humanos.

Os homens com roupas normais mas com um algo mais,

todos com chapéu,mas não eram chapéus do tipo cowboy,

reviradas para o alto, eram de aba reta, pretos ou marrons.

Os lenços no pescoço não tinham o nó com duas pontas,

Envolviam o pescoço, uma volta no pano e as pontas

dentro da camisa. Uma corrente de ouro e um medalhão.

Quem me convidou falava português com um sotaque

Que lembrava-me ora de um árabe, ora de um francês.

Curioso perguntei-lhe a origem, ele disse só: Marrocos

Lembrei-me que no Marrocos também se fala francês.

Nos EUA os gypesies, são até ruivos herança irlândesa colonial.

Gypisies norte-americanas, onde se pode notar matizes loiras naturais nos cabelos, há os ruivos também de ancestralidade irlandesa. 

[Lembrando que os "Gypsy Kings" são um grupo musical formado por gypsi franceses das cidades de Arles e Montpellier na França. Os pais dos musicistas e cantores, fugiram da Espanha durante a Guerra Civil Espanhola. Eles são uma banda composta por ciganos que tocam Rumba Flamenca, um estilo musical variante do Flamenco tradicional.

Apenas um esclarecimento já que estamos falando de ciganos que é um povo extremamente dançante e musical.

 O sonante violino cigano

A alegria pela dança e música começa cedo.

 

Na tenda maior, estava sentada uma senhora grande,

forte, cuja gordura até ficava proporcional, arrumava cartas.

Não sei bem como se escreveria o nome de meu recém amigo cigano,

mas o outro que veio junto conosco um tal de Mihaly (Miguel) o chamava por Guiorgui". Conheci um Gyorgy, pai de um amigo que era húngaro.

Estavam falando os dois amigos, perto de mim em um idioma

Que pareceu-me romeno - depois soube que era romi.

Como não entendia nada e estava para comprar um carro do Gyorgy,

resolvi brincar e dar um "susto" neles e falei olhando para a matriarca,

e apontei-a falando Mamochka? Ela de lá, alertou a ambos em romi

ou outro idioma. Ela era a matriarca (que ninguém a contesta). Ambos pararam de falar naquele idioma e "Guiorgui" passou a falar português à sua maneira.

Pensei: talvez ela achou que eu falasse russo, eslavo ou língua similar, ucraniano por exemplo [ciganos boêmios]. Eles ciganos, são muito espertos e capciosos. É de sua natureza. Precisam desse tirocínio alerta para sobreviverem.

Outros fatos interessantes que notei é que muitas adolescentes tem filhos.

Soube que elas são prometidas ao rapaz desde a pré adolescência, que todas são muito bonitas, que são as ruivas que mais  têm os cabelos crespos e são as mais bravas e agressivas delas, e elas carregam os filhos *na ilharga, ou de ilharga [ no quadril] bem ao lado, bem junto do corpo, se pequenos os filhos, não os largam para nada.

As morenas têm os cabelos lisos e se parecem com indianas ou mouras e os seus trajes parecem muito com as das ciganas espanholas que cantam e dançam flamenco, alias à noite fui tomar vinho quente como eles [ainda pelo negócio do carro, que se efetivou] e quem dançou descalças na tenda maior foram as morenas, com muitas “medalhinhas” que pareciam moedas de ouro enfeitando o véu em torno da cabeça, fronte e o quadril. Também tocavam umas espécies de pandeiros  com fitas,enquanto dançavam. Pelo menos nesse acampamento as loiras ou de cabelos claros eram uma minoria. Mais existem esses matizes naturais de cabelos.

Como disse, perdoem-me as queridas e queridos poetas, profundamente conhecedores deste povo curioso, misterioso - povo ou raça - oriundo de várias partes do mundo. Porque das mães falei o que vi, presenciei, soube observando.

As mães ciganas, amamentam seus filhos em qualquer lugar, inclusive caminhando. É uma propriedade forte do biótipo das mulheres ciganas o aspecto da maternidade.

Há pesquisas que remete sua origem à Índia, outros ainda a quatro mil anos

a.C, ao Egito.  Fato é que de todas as partes do mundo se pode conhecer em alguma ocasião alguma tribo, característica ou não, em acampamentos ou hospedagem, de ciganos. Sendo nômades por necessidade e/ou vocação

atávica, seus usos e costumes (modo de vida) e subsistência; porém procuram seguir o que há de vigência geral no país onde se  fixam .

Os mais abastados , ricos mesmo, são os ciganos da Suécia - que não deixam de ter

também uma triste história naquele pais.

Os mais pobres estão nos Balcãs e no sul da Espanha, porém há clãs bem ricos até no Brasil: conheci no bairro elegante de Nova Campinas, cidade de Campinas -SP, ciganos que moram em mansões - com um detalhe, não haviam paredes divisórias na parte superior onde ficavam os dormitórios, armavam tendas do teto ao assoalho feitas de seda, as que vi eram normalmente nas cores laranja ou abóbora esmaecida, haviam também nas cores azul claro e salmão. Estes eram seus quartos. [Presenciei isto ao atuar em uma ocorrência com refém, em uma dessas residências, onde um jovem cigano fez refém sua prima também cicigana, por questões de herança - uma matriarca me garantiu a entrada, ajudando-me a interceder nas negociações junto ao agente, que portava uma carabina marca taurus cal. 38”apontada para a cabeça da jovem cigana. Consegui a posse da arma, conduzindo o agente do delito à Delegacia,garantindo as exigências do mesmo; terminando a contento a ocorrência.

Conheci também - como hóspede - em um hotel de Águas da Prata -SP uma grande família, que ocupou quase todo o hotel, eram ciganos portugueses muito ricos (e diga-se infelizmente muito arrogantes e anti-sociais - praticamente “tomaram conta” do hotel só para eles.) Mas é claro - estou fazendo uma colcha de retalhos, e cada retângulo ou quadrado de pano tem sua textura e cor.

Suas mulheres (até a mais maduras) eram morenas altas de longos cabelos pretos e de extremada beleza. Tinham um rubi, esmeralda ou pedra de outra cor luzente bem ao centro da fronte. A rigidez com ares de soberba dos homens talvez fosse o zelo extremado por elas. Deles, gitanos homens, só posso dizer que eram grandalhões, bem apanhados, “chiques”, bem barbeados...

E.. As mulheres é que poderiam comentar seus atributos...* Ô Pá!

* (No Brasil essa expressão interjectiva EH, PÁ! Ou Ô, PÁ equivaleria mais ou menos a Oh rapaz ou digamos  Ei “cara”)

Mais:

Ciganos = gitanos, zíngaros, gypsys [cigano]. Povo nômade, os ciganos são de origem indiana. Da Índia migraram para a Pérsia, chegando à Europa no século XV. Quando eles chegaram à Inglaterra, no século XVI, os ingleses, acreditando que eram do Egito, chamaram-nos de Egyptians, “egípcios”, que virou Gyptians e, depois, a palavra atual, Gyps [ rom=homem  (o chefe), romani = seu idioma e nos USA, Gypsies.

 

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Meu pai Arnaldo, de gente dos pagos sulinos, quando se referia às ciganas carregando seus filhos nos quadris, falava que elas carregavam seus filhos “NA ILHARGA”.

Ilharga

Significado de Ilharga 

Substantivo Feminino  

(De forma natural, só as mulheres tem essa incumbência de carregar seus filhos na ilharga, jamais se viu ou se verá um homem (cigano) carregando filhos dessa forma. Até carregam ás vezes os filhos, mas de outras formas, uma delas é " montado nas costas",o chamado "cavalinho".)

 Mães de todas as idades com seus filhos carregados na ilharga.

Significado de ilharga:

1. no ser humano, cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros [Na nomenclatura anatômica oficial, o termo é flanco.]

1.1-lado do corpo por sobre os quadris, ao longo das primeiras costelas
2. qualquer dos lados do corpo humano
3. lado ou flanco de diversos animais e coisas
3.1-nos animais, região lateral do abdome e das costelas; ilhal
3.2-Rubrica: termo de marinha. Regionalismo: Portugal.
bordo, lado do navio, do arredondado da popa ao bico da proa
3.3-cada uma das tábuas dos lados dos caixões, na parte superior
4. indivíduo que anda sempre junto de alguém
5. conselheiro íntimo, confidente ou protetor

- Subiram pelas ilhargas da colina. 
- Estar à ilharga, estar perto, ao lado.

6. A palavra cigano não existe no idioma romani. E em definitivo, no Congresso Mundial Cigano que reuniu centenas e centenas de ciganos de todas as partes do mundo, acontecido em Roma, em 1971, ficou estabelecido que este povo nômade, de pele morena, e outros matizes, deveria ser chamado de Rom, que em romani quer dizer homem. As mulheres, são romís e o plural de rom é romá.

7. No hino internacional dos ciganos, há uma estrofe que fala “Mataram minha família, Os soldados de uniforme preto” - pouca gente não cigana sabe, que trata-se do Holocausto, que não vitimou só os judeus (que já seria demasiado horror) mas houve genocídio dos ciganos junto a outras minorias pela SS, a polícia política de Hitler e o nazismo, que usavam uniforme preto, diferenciado dos demais nazistas.

MULHERES MÃES, GRÁVIDAS, AS CASADAS COM NÃO CIGANOS, e outras minorias mais: Maçons, Testemunhas de Jeová, Evangélicos Históricos não engajados no sistema...Um dos maiores horrores inomináveis, indescritíveis, inconcebíveis , sofreram as MÃES CIGANAS, que esconderam suas crianças, e a SS as encontravam com seus cães farejadores, e os arrastavam pelas pernas lançando-os pelo ar, explodindo-os contra as paredes. Tudo assistido por elas, antes de suas próprias mortes - carbonizadas, asfixiadas por gazes ou fuziladas. Algumas sobreviveram para narrar os fatos. Todos os citados sofreram no Holocausto, mas o registro histórico conta este episódio dos ciganos.

Por isso registro o hino para esclarecer o sofrimento dessas mães ciganas, perseguidas, pobres e descriminadas execravelmente.

 

Consagrou-se oficialmente durante o Primeiro Congresso Cigano em 1971 em Londres, como o Hino Internacional dos Ciganos uma adaptação feita em uma canção popular cigana dos países europeus, com versos inspirados nos ciganos que foram reclusos nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial de autoria do "Rom" yugoslavo, Jarko Jovanovic, nomeado : DGELEM, DGELEM. Cuja letra segue abaixo em romany (i) e em seguida traduzida para o português para conhecimento de seu conteúdo.

 

Dgelem, Dgelem

ROMI

Dgelem, Dgelem lungone dromentsa
Maladjilem bhartalé romentsa
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Naís tumengue shavale
Patshiv dan man romale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Vi mande sas romni ay shukar shavê
Mudarde mura família
Lê katany ande kale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Shinde muro ilô
Pagerde mury luma
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Opré Romá
Aven putras nevo dromoro
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)

 ***********************

Em Português

Caminhei, caminhei

Caminhei, caminhei longas estradas
Encontrei-me com romá (ciganos) de sorte
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Obrigado rapazes ciganos
Pela festa louvor que me dão
Eu também tive mulher e filhos bonitos
Mataram minha família
Os soldados de uniforme preto

Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Cortaram meu coração
Destruíram meu mundo
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Pra cima Romá (Ciganos)
Avante vamos abrir novos caminhos
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos!!!

 ***************************

Outros horrores foram perpetrados, mas cito este que o hino escreve pelo fato das MÃES CIGANAS, MORREREM PSICOLÓGICAMENTE, ANTES DE MORREREM FUZILADAS, CREMADAS VIVAS, OU ASFIXIADAS COM GÁS VENENOSO.

***************************

CIGANOS DO BRASIL - TÃO POUCO CONHECIDOS A FUNDO.

 

 

"Você nos vê assim, com roupas bonitas, dançando, deve imaginar que nossa vida é linda. A roupa é bonita, mas nossa história é triste’, diz essa bela cigana e mãe, radicada em Campinas (SP)

**

- Linda ciganinha de olhos verdes -

Já tive oportunidade de ter visto quando morei em Poços de Caldas - MG, e também nos acampamentos de Andradas-MG, ciganos adultos e crianças,  com essa cor de olhos, e os cabelos tinham a cor de "terra avermelhada" naturalmente,  como muitos orientais de língua árabe também os têm.. 

**

Os primeiros ciganos chegaram no Brasil em 1574. Hoje, são quase 500 mil, de três etnias. Vivem em 291 acampamentos, em 21 Estados do país. Mas ainda têm grandes dificuldades para acesso a programas sociais e educação para os filhos. Sofrem com falta de infraestrutura adequada, dificuldade para ter acesso a programas sociais e para inserir os filhos em escolas públicas, além de serem submetidos a cenas constantes de discriminação e violência. Contudo estudos vem avançando a favor desse povo humilhado e sofrido, porém valentes e orgulhosos de sua origem.

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Ao fim desta crônica proseada, acredito que se minha alma ancestral de indígena caingangue transmudasse para a alma cigana,

diria mais ou menos isso:

A água que corre dos picos dos montes e desce canora e cristalina mata a sede do corpo com seu manancial de luz

e minha a alma se anima.

Descem bênçãos das alturas, a lua nos bendiz com flocos de prata

O fogo tempera minha pele, o ar rarefaz os miasmas do mal,

E a terra se transforma. Só assim terei os pés no chão, olhos nas cataratas no vasto horizonte e a mente nas mais altas estrelas.

Tudo é imenso em nossa MÃE NATUREZA, a que gesta em seu útero matriarcal bilhões de almas viventes e as que já incorporam os átomos universais, junto aos corpos celestes.

 Sofrem os povos mansos da Terra, os que somam poucas almas  em relação às matilhas que dizimam os rebanhos.

Nem todos somos os melhores exemplares de seres humanos,

mas a grande maioria dentre as minorias querem viver

para ver seus filhos crescerem.

As meninas desejam ser mulheres férteis e ajudar a povoar a terra com novas gerações.

Quem transformou os cérebros que deveriam pensar no pastoreio de suas ovelhas em máquinas de matar?

Estes quando mortos são menores que os cães que nos acompanham fielmente até o fim de suas pequenas vidas.

Ninguém pode dizer aquela montanha é minha...

Essa parte do mar me pertence e tudo que nelas há.

Os olhos com os quais vejo, são os mesmos que estão implantados em seus rostos.

Os gritos e lamentos que ouço são ouvidos por todos os não tolhidos do ato de ouvir.

Seus esqueletos se esfarelam, branquejam nos vales de ossos e viram pó. Para onde todos vão não há gabinetes, comitês, assessores nem ar condicionado e guloseimas servidas mesmo sem apetite.

O lugar para onde todos vão não há “indústrias nem lavoura, irão para o esquecimento”

e jamais terão tantos vizinhos que não conheceram e de tantas procedências que em vida desprezaram.

Sua alma será nômade, como uma alma cigana, cada um vai para seu lado e quando ela se der por si, descobrirá: ser uma alma perdida, a vagar, a vagar... E jamais se achar...

A alma cigana terá seu vagão, sua tenda e uma fogueira para se aquecer e se encontrar, esse será o Destino eterno, aqui ou além das estrelas,

mas o ignóbil não terá nem uma corda para recostar a cabeça.

 

O horror de não se achar, não sentir, estar sem contentamento sem satisfação, nem encanto,

Sob o coro dos renegados, humilhados e desprezados por ti, que tudo podia e nada fez soará eternamente por todas as campinas e caminhos da imensidão.

[m.m.s.]

 

QUE ME IMPORTA

“Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro;

Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário;

Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável;

Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei;

Agora estão a levar-me a mim,
Mas já é tarde...

Como eu não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo!”

[Poema de Bertolt Brecht]

 Gypsie americano e seu chapéu de aba reta

Chapéu gitano masculino (reparem a aba reta ou plana)

***

A um povo que por desconhecer a história, meu perdão.

MÃE CIGANA EXPULSA DE UM ACAMPAMENTO COM AS CRIANÇAS.

***

De um ribombar distante, de um ponto infinito e desconhecido me vem o forte desejo de descobrir através da dúvida uma luz da verdade: o infinito que habita profundamente em mim não serei incógnito para ninguém, mesmo nunca os vendo face a face.

Serei um enunciado equacional tão simples quanto se pode ser.

Aprendi neste repente que:

Se não entendo, buscarei, se duvido deverá haver uma resposta em algum confim do universo dentro da eternidade.

Se não gosto não usarei do preconceito em sua plena definição.

Se precisar multiplicarei entendimento para gostar e de gostar passar a amar por conhecer.

Fácil e rápido é preconceituar. Conhecer é se posicionar e se projetar.
Mas de qualquer forma é preciso se descobrir literalmente mostrando sua face, se refazendo e reeditando de forma recorrente - “com o erro não há compromisso.”
Não terei medo nem vergonha de porventura descobrir  segredos por trás dos mitos.

Este é o caso: nada sei (ou sabia) sobre ciganos, mas acorri ao amabilíssimo convite de Sílvia e Dany queridas amigas lindas do PEAPAZ; e lembrei-me de meu primeiro carrinho , um TL Volkswagen, branco, lindo, comprado do cigano Gyorgy, em seu acampamento gitano assentado no Campo da Lagoa, aqui em minha cidade.

 

Aprendi muito com ele (o cigano Gyorgy) e com a sua mãe a matriarca que por eu tê-la nomeado “Mamoschka” ela sorria e assim passei a chamá-la até irem embora, de forma que só o destino sabe para onde. Era ela uma senhora grande e gorda beirando os sessenta e poucos anos, maquiada, unhas feitas, batom vermelho e uma ampla saia estampada, comprida até os pés, blusa branca de renda e chalé de seda fundo vermelho com franjas e com todos os aparatos ciganos dourados.

Também aprendi com o contato visual e próximo das meninas e mulheres, mães de todas as idades até adolescentes, e os homens que me olhavam de soslaio, debaixo de seus chapéus de aba reta, em seus afazeres ou diversões.

Preconceito? Se existira de minha parte em algum momento da vida desaparecera com a escolarização de minha alma.

 [M.Martins Santos]

 A ACOLHIDA DO CORAÇÃO CIGANO

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Respostas a este tópico

Ao fim desta crônica proseada, acredito que se minha alma ancestral de indígena caingangue transmudasse para a alma cigana,  Mauro Martins Santos

Como não aplaudir algo feito com tanto carinho e consideração? 

Obrigado Mauro Martins Santos! Estou surpresa e encantada, meu abraço de agradecimento,

pela participação valorosa e que é uma honra... Mil Felicidades, Optchá, Arribá, Beijos

Emocionado por ter-me saído mais ou menos de um assunto que (me penitencio aqui) de não ter lido convenientemente sobre esse povo heroico e sofredor. Havia lido sobre a vida dos circenses pobres, aqueles mambembes...É de chorar. Ao pesquisar e ler sobre os ciganos, encontrei muitos pontos convergentes no tocante à discriminação, humilhação e sofrimento.  Obrigado Dany por me propiciar esta oportunidade de emoção, e ter podido subir mais uns degraus na escala espiritual.

  Bela participação!

  Obrigada por partilhar.

   Abraço.

Obrigado eu, querida amiga Lúcia Cláudia, que como tu escreves, lemos, nos emocionamos e aprendemos a escrever poeticamente. Um abraço afetuoso e fraterno.

MEU APLAUSO ESCRITOR POETA!!

PARABÉNS E FELICIDADES!

de tudo o que aprendi neste ensaio sobre a MãeGitana

retenho suabrilhante e verdadeira frase e faço dela minhas palavras:

"escolarização de minha alma."

beijos de poesiaaaa!

Chantal  Fournet

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Nossa!
Grandiosa participação de vasto aprendizado.
Magnifica e gratificante leitura, aguçando a curiosidade do leitor, a cada linha lida.
Parabéns, meu amigo.
Mais um show de compartilhamento, em que nos presenteia.
Bjssss.

Queridíssima amiga Mônica, reencontrar-te em palavras, as quais vêm revestidas de sincero e amigo sentimento, é um imensa e sempre renovada alegria lá dentro do coração. Obrigado querida amiga, por sempre simpática e adoravelmente compareceres a ler minhas linhas. Beijos e fortes abraços deste amigo fraterno.

Encantadora crônica poética e imagens belíssimas.

Parabéns!

Prezado amigo Manoel Neto

Receber palavras procedentes do alto da experiência e erigida cultura é sem dúvida de alta relevância a quem as recebe. Cabe a mim essa honra de estar recebendo-as de ti amigo e confrade nas lides literárias, aprendendo contigo. Meu forte e sincero abraço fraterno.

Agradeço a sua brilhante participação, belas linhas, meus parabéns! Beijos

Merecido prémio!

Aplausos Escritortalcomo lhe disse em 1 de março, (e que o escritor não viu rsrs): Excelente traçado de aprendizado!

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Que trabalho mais lindo e caprichoso!. Como é bom ver sua dedicação e talento. Adorei sua crônica cigana, deixo um super abraço ao meu querido amigo e estimado irmão das letras. Leti

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