Trovas sobre a vida do povo cigano

Tema Coração cigano

Autora Té­­.Etelvina Gonçalves da Costa

Poeta e escritora do Peapaz

Portuguesa

Trovinhas de amor cigano

De Té

1

Cigana da minha vida.

Cigana encanto meu.

Quero-­te na minha  vida.

Tu és minha, eu sou teu

2

Cigana teu porte lindo .

Saia de seda a brilhar. 

 Brincos de ouro tão fino.

Vem comigo,vem dançar.

3

Tua chinela bordada.

Teu corpete a cintar.

 Teu corpo minha amada.

 O vou erguer num altar

4

Vamos fazer nossa vida.

Um cantinho para morar.

 Quero-te na minha vida.

Para nossos filhos criar.

5

Vens comigo para a venda.

Nosso sustento angariar.

um trabalho que renda 

e nada  nos vái faltar

6

Nossos filhos a riqueza.

 fortuna do nosso lar

 cuidamo-los com firmeza.

e muito os vamos amar.

7

Nossos filhos  a beleza.

Que adorna nosso lar.

e podes ter a certeza.

 Vão para a escola estudar.

8

Vamos ter um ranchinho

De lindos filhos cuidar.

 amá-­los com carinho.

não os vamos descuidar

9

À noite junto à lareira.

Que aquece  nosso lar.

Aquietam a brincadeira.

 E nossa história escutar

10

Somos  um povo antigo.

Suas raízes milenares .

 já se perdem no tempo

Outros lados de mares

11

De exclusão sofriam

Em todo e qualquer lugar

Julgavam-nos  foragidos

Povo sem pátria sem lar.

12

 Andarilhos do mundo.

Procurando onde ficar.

Sentimento profundo.

Os fazia desesperar

13

Seguiam  sem destino.

 Por companhia o luar.

Em perigosos caminhos

 paravam para descansar

14

Noites frias a nevar

 fogueiras a crepitar

um caldo para cear

a coragem a segurar

15

Uma tenda para abrigar

 Mulheres e  crianças

Os homens a cuidar

da protecção do lugar

 

16

Andarilhos deste mundo.

procuravam um lugar

seu desespero  profundo

os fazia continuar

17

O Coração de  cigana.

doçura, carinho e amor.

 delicada e afectiva 

mulher sem temor

18

Dos  rituais  do passado

Cultura  a preservar

O Romanin era falado

e entre si comunicar

19

Sentiam a indiferença 

 com que eram olhados

receosos com tristeza

até eram apedrejados

 

20

 Mãe cigana é respeitada

Boa esposa, mãe zelosa

 Seu prestígio avaliado

Matriarca  cuidadosa

21

E  tanto há para narrar

Deste povo  em convulsão

Até que achassem lugar 

E vencerem  a exclusão

22

Nesta pátria Portuguesa 

Foram bem recebidos 

São felizes com certeza

E não se  sentem banidos

23

Aos mais carenciados 

 Apoios para os ajudarem

E já há endinheirados

feirantes a negociarem

24

 Suas festas famosas

Cores brilho e magia

Mulheres muito formosas

 Vestem com primazia

25

Não há ricos nem pobres

Convivem irmanados

Revelam-se  povo nobre

e se apoiam solidários

26

De Té Etelvina Gonçalves da Costa

Postado em Peapaz

Datado de:30-03-2017

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Respostas a este tópico

Mil aplausos querida amiga Etelvina Gonçalves!

Lindas trovas a nos encantar, belo desenho em linhas...

Um primor, obrigada pela honra da sua linda presença

Meu abraço de amizade

Beijos

Umas trovinhas de amor simples inocentes  obrigada amiga  beijos 

muy, muy , muy bello

Muchas gracias amigo  

Parabéns poeta, tão lindas...

Abraço

João Furtado

muito obrigada apenas umas trovinhas simples  abraço 

Parabéns, Etelvina! Linda a sua narrativa poética! Beijos.

Adorável inspiração! A saga cigana em versos. Consegues abarcar diversas facetas da vida cigana. Lindo, isso!

Quanto ao formato poético, aqui denominado "trova", permita-me algumas considerações, e, que não sejam consideradas as minhas observações, como crítica que desfavoreça a tua inspiração, mas como singela contribuição aos seguidores do formato trova. Apenas isso.

Na realidade, ainda que tenham sido enumeradas as estrofes, para oferecer-lhes a autonomia exigida pela trova (percebi esse cuidado por parte da autora), trata-se de um poema realizado em diversas estrofes de quatro versos. A trova é um poema completo, por si, realizado de forma rígida, em quatro versos setessílabos (redondilha maior). O pensamento do poeta não necessita de acréscimos, nem de versos que antecedam a sua criação. É uma expressão artística da síntese.

As duas primeiras estrofes que apresentaste, ainda que não obedeçam à métrica exigida pela trova, expõem um pensamento completo, mas, com as demais estrofes isso não ocorre. Não se constituem em unidade poética. São várias estrofes, que apresentam continuidade do pensamento, de uma para outra, o que transforma a apresentação em um belo poema constituído sob estrofes de quatro versos. Como exemplo do que estou a dizer, cito as estrofes 22 e 24, que não se desenvolvem com autonomia. A estrofe 22 promove a seguinte pergunta: "quem são queridos?" e a estrofe 24 inicia com a conjunção "mas", que lhe oferece o tom de continuidade do pensamento. Os elementos apresentados nessas estrofes dependem da existência de outro(s).

Finalizo, por afirmar que a tua poética encanta e seduz o leitor, independente de serem trovas ou não. E, isso é o que nos importa, realmente. Agradeço-te a rica, bela e alegre participação.

Beijossssssssssss

Querida Sílvia com autoridade, sabedoria, observadora e sensates para avaliar uma forma poética seja ela qual for trova, soneto  e tantos outros modelos de poesia com as suas normas e deveras pertinente e neste caso um concurso em que todos os pormenores podem e devem valorizar ou desvalorizar os vários conceitos da obra apresentada.. Evidente que nem todos poderão ter o saber a minimo pormenor como se faz uma trova... neste caso o meu trabalho.que são trovinhas de amor . Pois bem não obsto a sua avaliação e nem considero critica mas sim um alerta para quem deve  seguir os parametros que enquadram uma trova.. Minha amiga em tudo que faço sou sempre traída pelo meu pensamento pela minha imaginação e sobretudo pela forma como desejo contar a história que formatei no meu pensamento dai concordo que estas trovinhas seguem mais uma linha de pensamento do autor  não desviando ..do tema que foi construido  nascendo o tema que depois foi sempre desenvolvendo tocando na história narrada com um principio de romantismo  de um jovem que ilusionado pela sua amada a tenta conquistar e levá-la aonde ele quer depois o tema vai tomando forma com um principio meu e um epilogo ou fim que ai as trovas já não seguiam os parametros da sua construção mas pretendiam deixar perceber aos leitores mais ou menos observadores que havia ali algumas interferências gramaticais na contextura do poema  . evidente que já fiz a minha critica e tiraria algumas pouquíssimas palavras encurtando as silabas e tornando a trova mais consistente mas eu quis dar graça dar beleza fazer entender como por exemplo "Esse são queridos"No 22 é   para valorizar a importância que o povo cigano representa na homogeneidade do povo português eles são queridos, são desejados, são aceites, são portugueses- No 24 o mas é a ligação com o anterior verso

 Mas volto a frisar; eu sou sempre traída quando escrevo um poema que tem rigidamente formas de o fazer dentro dos parâmetros em que o poema deve ser feito ,. porque a minha imaginação atropela tudo..e Como diz Sinatra  na sua bela canção ...muitas vezes e são muitas faço "tudo a meu jeito." As minhas desculpas Encantou-me escrever sobre este povo que conheço bem  aliás já escrevi em prosa que me parece não foi avaliada .Foi feita fora de tempo de concurso e era mais uma investigação feita por mim com dados do meu conhecimento penso fazer para este concurso um tema em prosa mais simples . Muito obrigada Sílvia pelo seu agrado e por me chamar a atenção de forma carinhosa algumas falhas que se formos a a ver nem são falhas É mesmo defeito ou virtude de contadores de histórias Eu sou uma contadora de histórias vividas ou imaginadas , O meu carinho por todos os que apreciaram as minhas trovinhas de amor cigano .

 

Estimada Etelvina, evidente que compreendi "quem são queridos?", pois se reconheço que escreves sobre os ciganos, os queridos serão os mesmos ciganos. O que salientei foi o fato das estrofes apresentadas não serem trovas (como anuncias no título), tanto pela ausência da métrica, quanto por não se constituírem em poema completo, por si. E, para fazer-me compreendida, citei os dois exemplos. Somente isso. Mas, repito que escreveste um belo, sensível e delicado poema de amor. Mais uma vez, agradeço-te a participação.

Lerei a prosa que escreveste. Anuncio-te, em primeira mão, que em virtude dos maravilhosos textos aqui apresentados, sugeri à Janete que o concurso seja prorrogado.

Beijosssssssssssssss

Sílvia dado não estarmos ainda em altura de uma avaliação  que concerne á escolha dos vencedores permiti-me salvar alguns dos versos  uma ou outra letra ou palavra sem tirar o sentido e a ideia primitiva  e mudei a musica para ser mais de amor que se relaciona com o tema. leia agora e diga-me se já melhorei pois quero que se mantenha trovinhas de amor  e  poderei atentamente melhorar. corrigir Embora á minha maneira não gosto de pisar o risco das orientações o que me torna mais cuidadosa  Não viro costas á aprendizagem e á perfeição... se esta sugestão me  for permitida. bjinhos

Queridíssima Etelvina,

Tens autoridade para modificar o que desejares e quando desejares. Sempre corrijo os meus poemas. De quando em quando descubro falhas e tento supri-las. É comum. Ao embalo da inspiração somos livres e, às vezes, cometemos pequenas falhas (?). Beijossssssssss

P.S. Não encontrei a prosa que disseste ter publicado no grupo Vida Cigana... Ou, enganei-me?

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