Blog de Queiroz Filho (9)

Vita

XXXII

  

Tu és formosa Vita, o fausto nume

Onde vates e santos cá se rendem,

Pois para esparzir, ao Céu, perfume,

Do verso de teu riso só dependem.

 

E quão de tua vista se desprendem

Esplendorosos astros de alto lume,

Raios de luz, o Céu, ferindo fendem,

Que mais alvura dá ao vasto cume.

                     

De onde cantam Musas e Amores

Com elevada voz ao Deus-pequeno,

Que lá a…

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Adicionado por Queiroz Filho em 16 maio 2017 às 23:24 — Sem comentários

Maísa

XXVIII

 

Tu, que abrandas as mágoas tardias

Deste meu frágil peito emurchecido;

Tu, que dás vida, Cor, Alma e sentido

À assombrosa nódoa de meus dias;

 

Tu, que me és na vida o bom messias

De quem anseio o abraço tão querido;

Tu, que me surges qual o Amor banido

Pela indolência atroz das frases frias...

 

Tu, que meus olhos ébrios, penitentes,

Replenas de um pranto alegre e vivo...

Bem…

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Adicionado por Queiroz Filho em 16 maio 2017 às 23:21 — Sem comentários

Verás

XXVII

 

Verás que me amaste, Amor, um dia

Quando em lúbrica Dor estremeceres,

Por já minhas lascivas mãos não teres

Para encendiar-te est' Alma fria.

 

Que nem sequer, ao menos, balbucia

Qual dantes um gemido para creres

Que de meu longo afago, os prazeres,

O alvo corpusc'lo teu não carecia.

 

Mas se te enredas já a outro sujeito,

Enquanto a Outra chamo de Rainha,

É que sei que esse não…

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Adicionado por Queiroz Filho em 4 março 2017 às 15:00 — 2 Comentários

Lívia

XXXIV

 

Quão estes olhos túmidos se vão

Perdidos lá na luz de tempos vagos,

Que ao firmamento giram em unção,

Sob o calor, oh! Lívia, dos afagos

 

De teu amoroso e terno coração,

Que paga-me rancores nunca pagos

E inspira-me ao peito a devoção,

Guiada à Jesus por três reis magos

 

Pois sob aquela estrela de Belém

Estava o Salvador dos malfadados,

A quem tu'Alma santa diz…

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Adicionado por Queiroz Filho em 3 março 2017 às 15:00 — Sem comentários

Laura

XXIX

 

Não sei amar, ó Laura, tuas prendas

Como queres que eu, assim, as ame,

O Amor, me não bradou um só reclame,

Nem fez surgir ao peito suas fendas...

 

E dantes que de mim te arrependas

Privar-te-ei de tais ânsias infames,

Pedindo que a mim tu não derrames

Este teu Casto pranto, só entendas

 

Que há muito tenho a voz esvaecida

De indagar se o Amor é um Paraíso

Ou o mais macabro…

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Adicionado por Queiroz Filho em 3 março 2017 às 15:00 — Sem comentários

Lirismo Embasbacado

X

Se em teu peito guardas um amor

Como disseste antes: - Vagabundo!

E tens um coração que deste mundo

É astro Rei em todo seu esplendor.



É insanidade minha ou desfavor,

Querer de ti um sonho tão profundo,

Pois a avareza trago de um imundo

E tu, da vida, levas, todo o ardor!...



Só tu sabes viver, só tu comprazes

O ser que se perdeu de seu caminho,

E que não a fez sentir em suas frases



A glória de…

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Adicionado por Queiroz Filho em 3 março 2017 às 15:00 — 1 Comentário

A Uma Bela Triste

IX

 

No vão de tuas pálpebras sombrias,

E em meio ao teu olhar enigmático,

É onde prostro o meu anseio apático

De crer na insensatez das alegrias.



Supondo que macabras fantasias,

Dum solitário moço sorumbático,

Que desprezou o tal sorriso sádico

De seu destino atado às letargias



Recriariam mil sonhos defuntos,

E no caminho nos poriam juntos

Daquelas Almas bem-aventuradas



Que ao êxtase Fantástico da…

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Adicionado por Queiroz Filho em 2 março 2017 às 15:13 — 1 Comentário

Soneto Tergiversado

VII

Nenhuma vida é isenta de percalços;

Nem sempre os anos são laboriosos;

Nem todos os amigos são bondosos

Nem todos os amores serão falsos;



Nenhum lábio terá só beijos salsos;

Nem só os infelizes são queixosos;

Os erros nunca são só desastrosos;

É livre arbítrio ir de pés descalços



Pela longa estrada onde há cardos,

Porém, a dor suportes de teus fardos,

Não ates a burrice à imprudência.…



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Adicionado por Queiroz Filho em 2 março 2017 às 15:10 — Sem comentários

Tua Alma

VIII

Por mais que a certeza me torture,

E contristada a minha voz arqueje;

E que o teu beijo vago inda deseje;

E, eu, o teu mistério não mensure;

E aos teus formosos pés, ai rasteje;

E a inexprimível dor aqui perdure;

E o teu silêncio insano me censure;

E uma outra boca em Paz te beije;

Não chego a desvendar, ó, criatura!

Para deitar, enfim, noutros regaços,

Se isso foi um sonho ou só loucura.

Nem do…

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Adicionado por Queiroz Filho em 2 março 2017 às 6:13 — 2 Comentários

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