Blog de Jerson Brito (32)

CONTRASTES

Areias dos castelos teus não quero

Assim, desformes, sem nenhuma graça

E mesmo que contigo eles refaça

De loucas ventanias tudo espero



Prefiro da tristura o sal severo

Pungindo o coração que se estilhaça

Do que me embriagar virando a taça

Enchida de ilusões com raro esmero



Não posso aprisionar estes segredos

Meu pranto…

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Adicionado por Jerson Brito em 3 maio 2017 às 16:27 — 1 Comentário

QUEIMORES

Flama indócil me envolve, atordoa

No meu peito derrama centelhas

Quando em mim dessas curvas vermelhas

Cai a luz, meu amor.  Vago à toa!



Nos sentidos sem norte, confusos

Tu me sopras queimantes bafejos

Onde enrosco inquietos desejos

Que gritavam sofrendo, reclusos



Nos espasmos volúpia jorrando

Tuas mãos tomo e sorvo…

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Adicionado por Jerson Brito em 24 abril 2017 às 16:00 — 1 Comentário

CEMITÉRIOS

Olhando para trás e rotos vendo

Largados pelo chão os pobres lírios

Soluço, atormentado por martírios:

O viço dos vergéis se desfazendo



Fumaças dos imensos cemitérios

Afligem-me, de espinhos me vestindo

O coração engasgam, foi-se o lindo

Recanto de aconchego, refrigérios



Em meio à névoa fria, pardacenta

Sombrias…

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Adicionado por Jerson Brito em 24 abril 2017 às 15:30 — 1 Comentário

ESCOMBROS

Sobre os olhos já sem brilho, moribundos

Pairam nuvens carregadas de saudade

Abissal escuridão de eternidade

Alimenta-me duríssimos segundos



De trovões os estampidos furibundos

Ensurdecem, gritam tanta hostilidade

Não demora em mim rugir a tempestade

Arrasando o que restou de belos mundos



Quanto mais revolvo escombros, mais…

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Adicionado por Jerson Brito em 20 abril 2017 às 19:49 — Sem comentários

SERPENTES

Um rio caudaloso, efervescente

Por ávidas serpentes infestado

Afoga a timidez, corre apressado

Fazendo o coração pulsar contente



Da presa incauta o rubro entorpecente

Colore as bravas águas derramado

E as feras desejosas por pecado

Salivam sem controle, loucamente



Devoradora insânia me extasia

Tu sabes acalmar essa…

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Adicionado por Jerson Brito em 20 abril 2017 às 19:48 — Sem comentários

ALMA DESNUDA

Carregando de mim os estilhaços

Estas lágrimas, folhas outonais

Lançam sonho perdido em abissais

Vales cheios de fel, tetros regaços



A tristura me envolve em seus abraços

Espinhosos, gelados e brumais

Cobrem minha nudez vestes ferais

Dos sorrisos sequer restaram traços



Borbotão de saudade o peito inunda

Afogando-o em…

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Adicionado por Jerson Brito em 18 abril 2017 às 12:00 — 1 Comentário

EBULIÇÃO

Fantasias me enlaçam, volito

Entre as nuvens que sopras sorrindo

Deslumbrado, persigo o infinito

Este azul, meu amor, como é lindo!



Um mirífico enleio permito

Todo o corpo tomar... É bem-vindo!

Quero beijos, carícias, o rito

Dos desejos em nós ebulindo



De completa carência coberto

Ao te ver os instintos…

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Adicionado por Jerson Brito em 18 abril 2017 às 11:59 — 1 Comentário

Parabéns, PEAPAZ!!!

Parabéns, PEAPAZ!!!



Exultam jardineiros dedicados

Em meio a tantas cores, rutilância

Ao belo refletido, que é sustância

De corações risonhos, deslumbrados



Cumprindo itinerários decorados

Com flores agradáveis (oh, fragrância!)

Entregam-se à gentil exuberância

Os caminhantes d'olhos marejados



Assim tu és: jardim de encanto pleno

Nos pés que palmilharem teu terreno

Inextinguível marca deixarás



Recebas uma chuva de… Continuar

Adicionado por Jerson Brito em 10 abril 2017 às 20:15 — 5 Comentários

IMPUDORES

Famintas dessa tua castidade

Pecaminosas feras urram, brutas

Debatem-se, salivam, dissolutas

Sentindo cheiro de lubricidade



Aguçam-me os desejos teus licores

A cada sorvo encontro o paraíso

Tu és a tentação do meu juízo

Melífero alimento de impudores



Rejubiloso adejo se me entranho

Nas garras de carícias…

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Adicionado por Jerson Brito em 6 abril 2017 às 15:36 — Sem comentários

FANTASMAS

À noite, solitário, em vil tormento imerso

Contemplo roseirais murchados, inolentes

Enfeites carmesins, os rastros teus, pungentes

Que fazem prantear um sonhador disperso



Cortantes temporais neste jardim perverso

Torturam-me a trazer lembranças​... Quis ausentes!

Fantasmas, lindos céus de estrelas refulgentes

Coruscam, de ilusão vestindo meu reverso



As manchas de batom mais que os lençóis, amada

Marcaram como fogo o coração… Continuar

Adicionado por Jerson Brito em 4 abril 2017 às 14:30 — 3 Comentários

ENAMORADOS

Quando degusto em teus lábios macios

Fartos banquetes, divinos manjares

Deixo, princesa, os instintos alares

Incendiado, a verter desvarios



Loucura aos jorros, afagos vadios

Despejo em ti como intrépidos​ mares

Sorrisos bambos invadem olhares

Tomam-me espasmos, paixão, calafrios



Avassalantes, impulsos extremos

Dominam sôfregos corpos, unidos

Cheios de viço, os pudores perdemos



Mãos se entrelaçam suaves,… Continuar

Adicionado por Jerson Brito em 4 abril 2017 às 14:29 — Sem comentários

PRIMAVERAS DESFEITAS

Fenece a luz serena dos seus olhos

Descora-se a feição, desalentada

Refúgio buscam mágoas nos refolhos

Dum'alma desgostosa, ensanguentada



Os pensamentos vagam por vielas

Medonhas, frias, lôbregas, estreitas

O sopro violento é de procelas

Que engolem primaveras já desfeitas



Somente escombros é, sobejo apenas

Daquele que ficou…

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Adicionado por Jerson Brito em 28 março 2017 às 13:26 — 2 Comentários

SOLEDADE

Não esperam do tempo os ponteiros

Que me afaste de agruras tamanhas

Que liberte minh'alma das sanhas

Dos algozes brutais, carniceiros



Intocáveis, as negras entranhas

São sepulcros de findos roteiros

Traspassados por dardos certeiros:

As frenéticas horas... Tacanhas!



Há de ter meu plangor brevidade

Porque sei que a mordaz…

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Adicionado por Jerson Brito em 28 março 2017 às 13:23 — 3 Comentários

CONTEMPLAÇÃO

Nas vagas se debruçam olhos ternos

Seu lindo rosto oscula a mansa aragem

Bailante, das palmeiras a folhagem

Conforma quadros ricos, tão supernos



Dos montes curvilíneos os contornos

São penas inspiradas que redigem

Singelos madrigais de nobre origem

Engalanando tudo em seus entornos



Dulcífluas expressões... Estupefaz-se!

Um…

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Adicionado por Jerson Brito em 23 março 2017 às 17:19 — 8 Comentários

SEDE!

Esparge amor um coração contente

Enamorado, voa sem limite

Que deslumbrosos sonhos se permite

Ao te adorar, princesa, flor olente!



Desconcertado pelo ardor que sente

Deixa fluindo a insânia, um apetite

Por ti desperto, cálida Afrodite

O teu amante alado, reverente



No teu suor quero banhar as feras

Escorregar em ti as garras…

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Adicionado por Jerson Brito em 23 março 2017 às 17:18 — 1 Comentário

ECOS

São longas horas, solidão cortante

Aqui, neste recanto de abandono

Idílios remoendo, vai-se o sono

Soluços flébeis, ecos... Delirante!



Assombra-me a lembrança torturante

Acinzentou-se a vida, fez-se outono

No coração saudade erige trono

Dolência me corrói enclausurante



As rubras emoções daquelas noites

Acossam pensamentos feito açoites

Teu gosto de pecado ainda guardo



O quarto me suplica teu aroma

Não deixes que a…

Adicionado por Jerson Brito em 20 março 2017 às 13:26 — Sem comentários

INCERTEZAS

Convém que aproveitemos a paisagem

As brisas agradáveis, comprazentes

A maciez dos campos, as correntes

Que inundam de beleza essa viagem



A turbação nos traz aprendizagem

Que fiquem as lições em nossas mentes

Se as dores das pelejas são pungentes

Mais saborosa a glória tem passagem



Viver é derramar risos sofrendo

É prantear louvando as alegrias

É palmilhar jardins, rudes desertos



Se os temporais nas trilhas são…

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Adicionado por Jerson Brito em 20 março 2017 às 13:25 — Sem comentários

DESREGRADO

A seiva do teu corpo almiscarado

Adoça-me selvagem desvario

Provando esses eflúvios me arrepio

Lascivo, alcanço os ares, cativado



Faceiro, ao te afagar, moça, sorrio

E, assim, completamente extasiado

Permito os desatinos, ser amado

Sem regras, minha sede em ti sacio



Os laços da paixão abrasadora

Envolvem-me os sentidos,…

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Adicionado por Jerson Brito em 16 março 2017 às 16:17 — Sem comentários

ASSOLAÇÃO

Lançando pelos ares seus suplícios

Minh'alma pesarosa, solitária

Vestindo, tíbia, a toga mortuária

Esvai-se em monstruosos precipícios



Pedaços de ilusão, féleos resquícios

Da saga intensa, alegre, incendiária

Agora gris, distante, imaginária

Fenecem neste altar de sacrifícios



Sulfúrea efervescência, nauseabunda

Querendo…

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Adicionado por Jerson Brito em 16 março 2017 às 16:16 — Sem comentários

EFEMERIDADE

Fecharam-se os umbrais da madrugada

Perderam-se, exauridas, brumas frias

Adormeceu a dama prateada

Eis tuas verdejantes pradarias



Levanta-te! O perfume da alvorada

Etéreo como a brisa que aprecias

Não tarda vai seguir a passarada

Buscando o duro exílio dos teus dias



Se a fulva majestade dessa aurora

Convida-te a bailar, jamais rejeites

O ocaso tudo logo leva embora



É tua primavera (evanescente!)

Repleta de…

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Adicionado por Jerson Brito em 6 março 2017 às 14:00 — Sem comentários

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