com som

Ele sempre vivera ali. Crescera por aquela ruas, por elas correra e jogara bola. Tocara campainhas e saíra correndo, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais uma multidão de primos e outras crianças vizinhas  - como gostavam de implicar com algumas senhoras !...

Eram crianças normais de seu tempo, crescendo.

Ele sempre vivera ali. Aprendera a gostar das garotas, aprendera a dirigir. Ficara até altas horas da noite em intermináveis conversas, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais um sem número de primos e jovens vizinhos – como gostavam de encarar a noite !...

Eram jovens normais, crescendo.

Ele sempre vivera alí. A casa dos pais era extensão de si próprio. A casa dos avós a parada natural. E a casa dos amigos estavam sempre de portas abertas. Afinal, cresciam todos juntos !...

Foram muitas as aventuras, as descobertas, as histórias – do tipo que se guarda pra contar aos netos ...

Mas o tempo os levou pela vida, sem que ele sequer percebesse. Alguns se mudaram, outros casaram e também mudaram. As meninas tornaram-se mães ou não. Os rapazes pais de família ou não.  O tempo os tornou estranhos, sem que ele sequer percebesse ... 

Algumas mulheres passaram por sua estrada. Mas ele pensava ser livre. Até que uma chegou devagar e foi ficando.  Não o amou como ele pensou, mas ficou.   De repente 30, 40, 50  -  e ele nem percebeu que o bairro tornara-se apenas o lugar onde morava e que de tantos nomes ficara apenas ele e ela ...

Mas ao que parece, não estavam prescritas felicidades eternas para os dois. Ele ficou doente, não mais trabalhou. Seus pais se foram e a mulher o deixou  -  como naquelas histórias em que alguém sai para comprar cigarros e não volta mais ...  Na casa, além dele, ficaram  apenas  as  coisas  dela  –  armários cheios de objetos, para sua perplexidade : “por que ?”

Perdido, sozinho, fechado em seu mundo particular. Quase não saía. Não aprendera a enfrentar o mundo, não seguira pra longe como os demais.  Nada mais sabia fazer. E assim foi até que o dinheiro acabou. O que poderia fazer ? Como sobreviver ?  De repente o bairro lhe pareceu ermo, sem vida, sem histórias – grande demais ...

Mas ainda restara um amigo que o salvou da escuridão e o tirou dali. Deu-lhe abrigo, companhia. E ele ficou grato. E tentou retribuir. Havia problemas naquela casa – mas em qual não havia ?... Era grato pelo teto e pela comida, pela companhia e pela internet ...

Ele bem tentou conhecer melhor os novos lugares, as praças, as ruas. O comércio era estranho sem aquelas velhas faces conhecidas. Começou a mencioná-los como seus conterrâneos !...  Aquelas ruas, cheias de recordações, pareciam mais bonitas agora ; tudo em seu antigo bairro parecia ser melhor, mais divertido, mais saboroso. E tudo o que ele desejava era voltar pra casa ...

Ele só não percebia que a casa que ele queria não existia mais, porque não era só um lugar, um bairro. Ele não percebia que a casa com a qual ele sonhava  existia somente no seu peito, em suas lembranças. E não importava onde estivesse realmente, pois aqueles rostos, nomes, momentos estariam com ele pra sempre ...

                                                                                                             Waulena

@Waulena

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Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 17 maio 2017 às 18:27

Querido Amigo Elias, sempre muito obrigada !

Bjss, Wau

Comentário de Elías Antonio Almada em 15 maio 2017 às 6:56

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