BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo)...

Pai, em tua bagagem há riso de bom-humor, humano calor, sorriso/simpatia, onde mora o menino José, o moço velho e o sábio amigo. Dedicação, força, coragem, e garra aos montes. Sabedoria, amor e proteção. Provedor desprendido, que se diz “Homem rico”! Sim, tudo e mais... Dessa riqueza referida aos teus tesouros, os filhos.
Vens de um tempo onde décadas lhe ampliaram o olhar ao mundo, para ser! Provaste de questões políticas, períodos de guerra, a segunda mundial, regimes ditadores, etc. E, como sabes contar! O viajor pegou carona nos conhecimentos.Talentoso, apreendeu, nas malas, a fala desenvolta, oralidade correta e expressiva. Das estradas, exímio condutor, consciente no volante de caminhões, cargas pesadas, tornando a luta diária sob-rodas, a certeza do sustento em leveza e conforto à família.

Menino José, que vem de longe, bem nascido no seio de família numerosa, dos Araújos d’além-mar e brasileiros. O mineiro, guerreiro de “Conquistas”! Veem- se tão perto, propósitos divinos, que bem se dizem: _ “Deus escreve certo”!

Pois, acertou em cheio! O menino com apenas 8 anos, já escrevia e lia, a frequentar a escolinha da fazenda Bacuri, teve de entregar a mão à palmatória, desenvolvendo a escrita sem partidos, além de inteligência e bons costumes.
Acostumou-se às asperezas de época, sem mesmo se acostumar! Acostumou-se ao conforto pelo esforço, tão logo ganhou asas, o arteiro, e ansioso em suas buscas, assim que tomou porte de homem, ganhou coragem de enfrentar a lida por si, às exigências da sobrevivência. (Amoroso, sentiu deixar os pais, mas sempre os visitava). 
Em suas tarefas, mostrou agilidade e competência na área mecânica, do manuseio à manutenção de máquinas de grande porte. 
Um dia, fora observado, e, logo, convidado, a acompanhar a empresa RAS- Companhia de Estradas e Rodagens.

Jovem, bonito, elegante, e prosa boa, o menino ainda hoje, mora na sapiência de um moço velho, carregando consigo, a fartura de uma vivência inenarrável!

São só 92 anos com memória perfeita, e ele se conserva saudável!

Dia desses, passamos uma tarde tão calma, e tão prazerosa acompanhada do café da Lúcia e bolos mais abraços. E, no protagonismo, as narrativas, os causos reais. Emocionados todos, ouvíamos os fatos, data histórica, dia anterior àquele encontro. E, não seria diferente a presença de um largo sorriso que, por sinal, foi o grande motivo da emoção.

Eram 65 anos na lembrança de quem, pela primeira vez, avistava e pisava em terras serranas em companhia do amigo, engenheiro, Dr. Edésio! A aventura durou uma semana, partindo da capital BH, com destino a Serro. E os olhos do menino Zé de Paula brilharam!

O transporte, um caminhão que fora do exército, rumo à Estrada Real, onde a Serra da Vacaria quebrava as molas de quantas pedras em plena via. Assim, foram as paradas obrigatórias. Seguir viagem? Só após removê-las. O tal caminhão chegou a Conceição do Mato Dentro. 
Por ali ficou. Carregou carga pesada e se cansou. Afinal, D7 Caterpillar tem lá, suas toneladas!

Foi assim que pai chegou ao Serro, em 11 de junho de 1952. Isso, antes de passar com o trator de esteira nas águas do Rio do Ouro Fino. Foram recebidos pela família d Sr. Neném de Melo com café e boas-vindas!
Mais à frente, havia a ponte de madeira, sem chance de suportar o peso das máquinas, e o jeito foi passar dentro do rio, e cheio, devido á enchente ocorrida naquele período. Conseguiram passar nas águas, no terreno do Sr. Toninho (Antônio de Aloízio), em seguida pelas terras de Sr. Astério. Mais à frente, avistaram o SERRO!
Aí, abriram estradas, fizeram grandes amizades. Alguns se casaram, constituíram suas famílias, outros, não!
O menino José, por sorte do destino, havia de se aventurar, pois, pelos planos divinos, a bela mulher serrana representava a matriz, maternidade que eu aguardava para vir à Terra em minhas raízes mais profundas!

Então, meu pai querido! Como é bonita a vida! Quantas bênçãos envolvendo a gente para que a vida renasça em forma de menina! Menina curiosa, antes calada a observar minúcias em questões, o que entendo agora na maturidade muito falante! Quanta prosa! Parece fermento crescendo ideias e evoluindo e, na receita, firmeza, para não me derreter em lágrimas, enquanto ouço tuas histórias reais. 
Obrigada, menino Zé! Obrigada, pai amado! Feliz dia!
Te amo! 
Bjsssssss

Maria das Graças Araújo Campos. BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo).
08/08/2017.
Graça Campos

 

Maria das Graças Araújo Campos. BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo).

Santo Antônio do Itambé, 08/08/2017.

Graça Campos

 

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Comentário de Maria das Graças Araújo Campos em 16 agosto 2017 às 9:44

Muito feliz com a presença de belas poetisas! Feliz dia! Bjssssssss

Comentário de Miriam Inés Bocchio em 9 agosto 2017 às 15:52

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 8 agosto 2017 às 20:20

B E L O !

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