- Ah... Maria Antonieta !                                                      Como pôde perder a cabeça, que abrigava tão lindo rosto, amado meu, no salão amarelado e tosco daquele velho Liceu ?

- Ah ... Maria Antonieta !                                                    Casáramos com comunhão de bens – lembra ? União estável, sem vinténs... Numa tarde de Halloween e atitudes mirins. Você vestida de Theda Bara e eu de Elvis, o cara... Cerimônia chinfrim, com taças e tin, tins.

-Ah... Maria Antonieta !                                                  Escrevêramos a sub-ópera de Saigon na lua de mel diabética - sequer um bombom. Atacáramos sem dó, o dó, ré, mi, buscando o tom, homenageando Giap e Ho Chi Min, seus arrozais inundados, com secretos túneis interligados, milhões de vietcongs armados, soterrados, sob o rá, tá,tá dos helicópteros do Tio Sam, napalm nas palmas amareladas, tentativa vã, sob a lua cheia na lama, ofensiva insana, mortes sem honras à condecorar.

Ah... Maria Antonieta !                                                        Aos poucos você revelou novas facetas: - Messalina enrustida, das trans preferida, arquiteta de pontes para velhos amantes, vagabunda maquiavélica – angelical, angélica. Mata Hari dejà vu, cheque mate, Khárites, mocinha do faroeste, a própria Métis. Espartilhos e olhos esbugalhados, cruz de vidros coloridos contra maus olhados. Incursões por outros mundos – quarto ou quinto, sei lá que número ! Misturada a entidades urbanas, sacanas, baianas - Que não recebem, apenas protegem as putas bacanas.

Ah... Maria Antonieta !                                                  Ostentavas as lantejoulas do tesão. Azulzinhas. Ed Lamares, Gretas Garbo. Iguaizinhas. Nem Bruce Lee resistiu: - Golpeou o vazio. Kennedy, tomado por Hímeros, lhe era a feitio. Hittler, para você, comeu mosca. Teve enfastio. Black Panters” lhe foram caros. -“Negros são lindos, muito claros”. E houve o Oscar com Marlon Brando em momento raro...

Ah... Maria Antonieta !                                                        Loira como a loucura. Moria, morou ? Pele lisa, dura musculatura. Shiva dourada. Multiplena. Vaca profana. Oráculo de ateus. Metade gente, metade hiena. Atiçadora de Lissa, ladra de cena, desnudadamente plena. Até Tirézias a teria visto.

Ah... Maria Antonieta !                                                        Vá... Toque as cornetas por Cronos – corno maluco, temporizador, manso, eunuco, cheio de afetos, papos retos, Valdicks Sorianos despertos, Ânima que anima, Gaia gaiata que ensina pura toxina, pó das vísceras de Hiroxima, espécie rara de propina.

Ah... Maria Antonieta !

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Comentário de Etelvina Gonçalves da Costa ontem

 Caro Paulo deixo aqui o meu agradecimento pela sua presença na minha página , também estive ausente um tempo para recuperar energias ..Agradeço a generosidade e delicadeza nas suas palavras  Quanto ás minhas letras  fico feliz quando me comenta ,A proveito aqui para manifestar o meu apreço sobre o canto XIII  adorei seu estilo no trabalho literário que apresenta,  preenchido  de vocábulos interessantíssimos ,agradáveis de ler, colocados no sitio certo   numa diversidade muito bem montada ,, Não me parece que seja assim uma escrita muito habitual nos escritores mais descritivos  , Você meu caro amigo escreve de forma intimista vestindo uma personagem altamente informada  num trocadilho  em que vai consumindo grandes conhecimentos de personagens do nosso imaginário colectivo da nossa literatura da história universal  das figuras das artes personalizando sua escrita a seu jeito. Admirável essa sua Antonieta a quem endereça sua "paixão" sem meias medidas,  irónico,  divertido.,conciso Tive que ler bem este alinhavo do seu projectado casamento  para bem me situar no meu comentário .... Caríssimo voçe escreve maravilhosamente fico sua fã Um forte abraço os meus parabéns e cá nos vamos encontrando ......(Do seu estilo apanhei já há algum tempo  um livro bem reduzido  com contos em que uma personagem, a principal ,se dirigia a uma suposta amiga  que pretendia conquistar num dialogo assim mais ou menos como o seu ( Os amorosos )penso que era o titulo  em que ele descrevia os seus avanços para conquistar a dama dos seus interesse acho mas nao estou certa que se chamava Maria Luiza mas nada que se compare com a sua obra artística)

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA quarta-feira

É sempre um grande prazer, Paolo.

Comentário de Paolo Lim quarta-feira

Elías Antonio Almada : Sinto-me honrado todas as vezes que lê e comenta meus escritos. Um abraço fraternal do Paolo.

Comentário de Paolo Lim quarta-feira

Tão modesta quanto bela, essa minha amiga MARGARIDA MARIA MADRUGA, me encanta e surpreende com poesias e palavras. Um beijo do seu admirador - amigo Paolo, e muito obrigado por estar sempre presente aos meus escritos.

Comentário de Elías Antonio Almada terça-feira

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA terça-feira

Ah... Paolo Lim !

Eu não estou preparada "literariamente" para comentar essa obra.

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