Às cinco

Às cinco da manhã ainda estou a escrever, na manha de aprender ao som de viver o agora, somente agora, minha eterna aurora. Ao som do leve gotejar lá fora o meu espírito cresce em prazer desnatural.

Cada pingo é respingo em minh’alma, como o apóstrofe a temperar o verso normal.

O quê?

Ah… A apóstrofe…

É o gênero gerando a língua.

E esse quê, como é que fica?

Na realidade devido a minha idade, acho que quis dizer apóstrofo, sou mesmo um frouxo apóstolo da língua que não míngua minha estrofe nem extingue minha sorte, apesar de o norte me guiar à morte pela qual viverei a vida.

Ah… Essa inebriante chuva me deixa preguiçoso, leve, sonolento, portanto, lamento e não vou pesquisar se o crase do início se inicia com acento. Você pode me perdoar por essa nostalgia antes do alvorecer do dia pleonástico, fantástico referto de alegria.

Medito, atento à chuva mansa; sem vento, à monge de convento.

De novo... Crase antes do feminino… Tenha modo, meu velho, não é gênero, é modo!

Como é bela a vida de natureza adquirida, minha querida, assim pode rimar, querida, convento com vento ao lento da vida, sem o ribombar estroante do majestático vento; desculpe a minha ousadia ao raiar de chuvoso dia, caso estroante antes não havia, acabo de o inventar nessa minha alegria sem par.

Apesar de muito ter amado, porém, amargado sua ausência e despedida. Você se foi há tempo, mas a mim me restou ainda um sopro de vida, a chuva mansa, nesta eternidade às cinco horas, tempo que parece jamais passar, como se mil anos fosse durar.

Embora, a chuva passe; amanhã voltará a chover, e o seu recordar me fará reviver a vida, umedecida pelo nosso eterno amor.

Aprendiz da arte de levar a vida de natureza morta com pinceladas levemente fortes.

Aliás, esse negócio de crase enche o saco mesmo, hein…

jbcampos

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Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 2 junho 2018 às 21:07

É sempre um prazer participar. Abraços Poeta.

Comentário de Jbcampos em 2 junho 2018 às 18:09

Margarida, ao passar por aqui depois de algum tempo, sinto muito, lamento, deixei de agradecê-la o que faço neste momento, obrigado pela sua honrosa participação. Abraço campônio.

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 18 março 2018 às 15:33

Poeta Campos,

Você é um escritor excelente e divertido.

Recordei minhas aulas de gramática. Faz tempo...

Comentário de Jbcampos em 14 março 2018 às 16:04

Almada, sou eu que lhe agradeço pela sua generosidade. Abraços do campos

Comentário de Elías Antonio Almada em 14 março 2018 às 15:49

Comentário de Jbcampos em 13 março 2018 às 17:47

Grato,  Elisiário pela sábia observação. Abraços do jb.

Comentário de Elisiário Luiz em 13 março 2018 às 14:57

 (Case ou não...crase). Acho bem que podemos e devemos penhorá-la se for necessário para os mesmos pretextos que robustas e inegáveis situações do gênero em alvorecer! Parabéns Fique Bem!

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