O velho

Perguntei ao velho,

por que era tão só,

ele simplesmente a

mim me respondeu:

que o era pelo

simples  motivo

de ter envelhecido

ao sonido da nota dó

e;  de  ainda estar vivo

ao  aproximar-se  do  pó.

Portanto, o esquecimento

lhe fora concedido

pela própria

natureza do amor.

humano, por dó maior.

Sem  inculpar  ninguém,

seguia  o  seu caminho

sorrindo sozinho, além,

coberto de flores

e seus espinhos.

Seus sonhos eram plenos de amores

por sobre os espinhos de seus dias

de refinados estertores,

bem além do além.

Onde estariam

seus descendentes?

Fato corriqueiro e recorrente...

Seus amores ocultavam-se

dentre aqueles abrolhos

de flores em seu velho

caminho como se fora

guardado a sete chaves

dentro dum antigo escaninho

poeirento e grave, trancado sem chave.

Às vezes os mais queridos parentes

tornam-se friamente indiferentes.

O tempo é o melhor remédio

a solucionar tais problemas de tédio,

colocando todos na posição horizontal,

onde findarão as orgulhosas vaidades

vislumbradas por velhos diademas

os quais também criaram a feiura

de seu azinhavre sobre o belo cobre

que cobre o que sobre,

sobre o velho pobre .

 

O ouro somente

tem o simplório valor

quando a vida faz alguém admirá-lo

e mais nada de inútil poder-se-á acrescentar

a essa ilusória plateia de panaceia e placebos fúteis.

 

Naquele momento de exílio a porta se abre,

era chegada à hora de fechar o asilo…

 

Grato pela visita pela qual o meu ser todo se agita.

Ao encontrar o meu neto transmita-lhe meu afeto.

À minha nora lha diga que deixarei a fadiga

logo que a mim me chegue a aurora.

Ao meu filho dê-lhe um beijo

mesclado de forte

ensejo.

 

Então, o portal se fecha.

 

jbcampos

Exibições: 45

Comentar

Você precisa ser um membro de Poetas e Escritores do Amor e da Paz para adicionar comentários!

Entrar em Poetas e Escritores do Amor e da Paz

Comentário de Jbcampos em 19 abril 2018 às 14:30

Grato,  Elisiário, pela participação, aquele abraço do campos.

Comentário de Elisiário Luiz em 19 abril 2018 às 2:34

 Em quanto se está vivo (...bem nós lamentamos) não há pelo que se arrependerem...parabéns caro amigo fique bem! 

Comentário de Jbcampos em 16 abril 2018 às 23:09

Grato, Almada, pela deferência. Abraços campônios.

Comentário de Elías Antonio Almada em 16 abril 2018 às 20:15

Comentário de Jbcampos em 16 abril 2018 às 19:09

Obrigado, MARGARIDA, pelas generosas observações. Amplexos do campos.

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 16 abril 2018 às 16:36

É a realidade de muitos, quando cientes e conscientes.

Bonito trabalho JBCampos.

Membros

Designers PEAPAZ

*Sílvia Mota*

*Margarida*

*Nara Pamplona

*Livita*

*Imelda*

*Toninho*

Poema ao acaso...

Visitantes

Badge

Carregando...

© 2018   Criado por Sílvia Mota.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço