com som

Quando jovem percebia que a vida podia ser diferente, talvez por reminiscências, talvez por premonição.  Mas havia em mim uma ânsia pela imensidão  -  a vida parecia dizer  “corre, sê livre !”

Um dia visitei uma colônia, numa pequena cidade próxima ao Rio de Janeiro. Eu, uma menina urbana, moderna. Era então uma adolescente cheia de interrogações, com as quais não comungavam a maioria dos colegas. E aquele lugar, tão diverso do mundo que conhecia, parecia acolher-me com um gosto de “lar”...

Havia um vento inebriante que se agitava na montanha como um espírito que vagava alucinado dentro de mim.

Ele tinha uma força estranha, que uivava e se arremessava contra o mundo. Porém só conseguia desmanchar os cabelos e as folhas altas dos coqueiros...

Havia no ar um cheiro inebriante que penetrava em meu corpo como um sonho que habitava os caminhos dentro de mim.

Ele tinha uma força estranha, que sussurrava e reacendia a ansiedade por espaço. Porém só conseguia transmitir sensações perdidas de um lugar tão longínquo quanto Shangrilá...

E eu me quedava ali, num recanto qualquer, a pensar na tristeza de quem nem percebe que não consegue ver a cor do horizonte em meio às torres envidraçadas onde tantos se escondem.  Ou na tristeza de quem nem percebe o cheiro de um dia de sol em meio às  cortinas de fumaça onde tantos se perdem...

Foi naqueles dias que eu descobri o desejo de riachos cristalinos, árvores frondosas, cheiro de flor...  E por que não uma casa grande para caber o meu Bem Querer, com frutas e verduras sem o gosto da morte, longe  dos autômatos e das mentiras ansiosas de poder...

Foi naqueles dias que descobri o desejo de ter asas e alçar voo como a brisa da manhã; fazer coro com os grilos ao final do dia e brincar de ser lanterna com os vagalumes...

Foi naqueles dias perdidos no tempo que entendi que para ser feliz não precisava ter nada. Bastava  SER...

                                                                                Waulena

@Waulena

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Comentário de Mônica do S Nunes Pamplona em 21 junho 2017 às 2:33

Ah, minha querida...

Depois que se experimenta o prazer da liberdade que a natureza apresenta, fica difícil se desprender dessa pretensão. Pois a mente acolhe todo aprendizado necessário, para um bem viver.

Doce e bela partilha. Grata pelo momento.

Bjsss. no coração.

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 17 maio 2017 às 18:32

Querida Silvia, teu comentário sempre é um estímulo !!!  Grata, Amiga !  Fico muito feliz de conseguir fazer um bom trabalho.

E mais uma vez, obrigada pela felicitação, eis que és tão cara ao meu coração !

Bjsss Wau

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 16 maio 2017 às 9:46

O texto "A vida que escolhi pra mim" é de grande beleza e qualidade literária. Expõe os sonhos da juventude, que se espraiam pela Natureza e emocionam o meu coração de leitora, pela forma como se expressam, a partir da tua inspiração. Grata, pelo momento de ternura... e FELIZ ANIVERSÁRIO!

Beijossssssssssssss

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 28 abril 2017 às 23:26

Obrigada querida Amiga Lucia Cláudia !

Bjsssssssssssss

Wau  

Comentário de Lúcia Cláudia Gama Oliveira em 28 abril 2017 às 22:16

 Maravilhoso texto!

 Encantada, Wau.

 Bj no coração

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 18 abril 2017 às 1:38

Que bom vê-la !! 

Obrigada, Flor !

Bjsss Wau

Comentário de LUCIA GUEDES (Lufague) em 18 abril 2017 às 1:27

Uma bela e sábia introspecção! Parabéns! 

Wau! 

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 17 abril 2017 às 21:01

Obrigada Amiga Eri , pela presença e comentário.

É verdade que a a maturidade nos revela que a sabedoria está nas coisas simples da vida ...

Bjss Wau

Comentário de Eri Paiva em 17 abril 2017 às 20:50
Waulena, interessante texto com uma senhora conclusão: saber-se Ser! Bjs amiga
Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 17 abril 2017 às 18:47

Amigo Paolo, tua presença sempre me faz bem.

Revisitei um texto de 1979  -  na época não sabia o quanto estaria certa ...

Obrigada querido !

Bjss Wau

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