Cena de León

 

J. A. Medeiros da Luz

 

 

Pela escotilha da memória eis que vejo,

Estupefacto, Bem no topo

De coluna, em frígido Carrara,

De frisos e arabescos canelada

Por mãos de artífices desde há muitos

Séculos emigrados para outra

Freguesia, de etéreos granitos,

De malhos e cinzéis de vento;

 

No pináculo de tal coluna eu dizia,

Estadeando antes aquela proclamada

Grandeza dos césares eternos,

Vejo uma cegonha a mirar o mundo.

 

A minha desengonçada cegonha

Cogita sobre a azáfama estranha

Desses bípedes marchantes

– E desses touros coloridos sobre rodas –

Desde o aconchego de seu ninho:

 

Tufo de ervas secas entretecidas,

Armadas sobre a planura de capitel

Que já albergou, em áureo passado,

A tão decantada magnificência

Desses Trajanos, Galbas e Vespasianos,

Que, hoje, não são mais que pó.

 

 

Ouro Preto, agosto de 2017.

Do livro: Martelo de cristal, a sair pela Jornada Lúcida Editora.

Exibições: 17

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