Condicionamento: um poemeto entre Skinner e Pavlov...

Condicionamento

J. A. Medeiros da Luz

 

Estapafúrdias teorias dos humanos

A explicar a conduta de mil deuses,

A vagarem por interstícios dimensionais

De cordões de milésimo de angstrom

Da tessitura do espaço-tempo,

Em busca aflitiva do que fazer e

Do que suscitar do nada para a luz.

 

E o primata bípede a todos cataloga!

Explica, descreve, traça-lhes

As probabilidades do existir;

Compele-os, a expensas de bajulações,

Premissas maiores e menores,

Sacrifícios, oferendas;

Força-lhes indutivamente

— Novo Pavlov de jaleco branco —

A salivarem de prazer ao prelibarem

A inflação de seus egos colossais.

 

Enquanto, alheios a isso tudo,

Coelhos silvestres se esgueiram,

À busca de talinhos tenros,

Espantando por vezes perdizes

— De súbito, avoantes temerosas —

Pelas trilhas desbravadoras de prados,

Os quais aqueles mesmos humanos,

Em se arvorando novas divindades,

Insufladas do poder de possuir,

Enumeram como insofismáveis

Domínios seus e para o sempre todo.

 

 

                              

Ouro Preto, fevereiro de 2018.

Do livro: Martelo de cristal, a sair pela Jornada Lúcida Editora.

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Comentário de José Aurélio Medeiros da Luz em 24 fevereiro 2018 às 13:29

Cara Margarida:

Nessa história do que nos é condicionado e o que é fruto da razão, acaba que caímos naquele famoso dilema de Chuang Tzu e a borboleta, qual seja: ele sonhou que era um borboleta ou é a borboleta que sonha que é Chuang Tzu? Resumindo: melhor cultivarmos a dúvida metódica do Sr. Des`Cartes....

Abraço do j. a. (— ou de uma desajeitada mariposa cinza que sonha que é j. a.?)

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 22 fevereiro 2018 às 21:26

Muito bom. Os condicionamentos impostos ao povo, poucos são conscientes.

Comentário de José Aurélio Medeiros da Luz em 20 fevereiro 2018 às 10:54

Caro Elias Almada:

Agradecido pelo encômio derivado da empatia.  Quanto ao poema, ele tem raízes na eterna incerteza, para além dos silogismos. Mesmo usando o escalpelo de anatomista, sempre nos escapam as sutilezas ligadas ao fenômeno humano e suas circunstâncias.  É trabalho de esgotar a água no balde, enquanto nosso barco faz água por todo o costado...  Mas vamos tentando, atabalhoadamente, cumprir a travessia. Abraço do j. a.

Comentário de Elías Antonio Almada em 19 fevereiro 2018 às 20:45

Comentário de José Aurélio Medeiros da Luz em 19 fevereiro 2018 às 8:07

Caros José Carlos e Elisiário:

Obrigado pela visita e pela gentileza. O tema do poema é, em princípio, um tanto delicado, pois tangencia aquele campo sagrado das crenças pessoais. Não buscou ser um poema iconoclasta, de modo algum; até porque a própria alegação de descrença, nesse quesito, é, também e inegavelmente, uma crença... Ele só alerta para nossa empáfia de primatas pensantes, que nos julgamos ser interventores (para usar palavra da hora) dos deuses onde houver possibilidade de se estabelecer a instituição da propriedade. Ao menos sob nossa —  um tanto estreita —  visão ocidental. Abraço do j. a.

— 

Comentário de Elisiário Luiz em 19 fevereiro 2018 às 2:16

 Nem tudo bem que se ocupem em nos desocupar de seu oficio ser...

Fazem disso um raro efeito com que sempre erram à nós nos culpar!

Muito bom apreciei a leitura Fique bem!

Comentário de JOSÉ CARLOS RIBEIRO em 18 fevereiro 2018 às 19:13

Belíssimo poema, belamente poetizado, versado

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