Criou-se, a partir do movimento literário modernista de 1922, o mito de que os escritores lidam só com palavras. Formou-se moda daqui: "A palavra é minha arma".Esta frase é um arma de dois gumes. De um lado faz pensar que qualquer bobagem escrita é poesia ou literatura. De outro, induz individuos a frequentarem escolas superiores de letras e produzirem obras que acabam por não ser valorizadas no mercado artístico por não serem suficientes belas. Mas nem por isso o movimento modernista de 1922 no Brasil deixou se ser importante, até o ponto em que chegamos a ter todos um literatura modernizada. Dele também, na minha modesta opinião, foi que surgiu toda uma literatura dita marginal, a literatura mimeógrafo, muito lida por jovens da minha geração e produzida por outros jovens que não conseguiam editora e que tinha disponibilidade de tempo para produzi-la. A literatura marginal não deixou de ser importante como uma nova possibilidade de escrita. Ali eram ditas muitas verdades que a literatura profissional, muitas vezes acumpliciada nas mangas do poder não dizia.Mas contudo a literatura marginal carecia de leitura e de conhecimentos, o que lhe destituía o dominío  da palavra para a criação do novo. Isso durou, mais ou menos, até o final do século XX. Iniciou-se o século XXI com a formação de mais jovens pelas Faculdades de Letras, que, em sua maioria, preferiram ganhar algum dinheiro com o ensino de línguas na rede de colégios formais. Nesta época já se havia encerrado um acirrado debate, criado pela mídia e indústria cultural, do conceito de cultura. Comprava-se um disco e na sua contracapa vinha escrito: DISCO  É CULTURA. Disseminado-se assim toda uma produção de linguagem popular. Do samba ao rock, até Pelé se transformou em cultura. Houve então a divulgação, em termos expressivos, da espressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Ela valia para a literatura, para o cinema, para a televisão. Mas, na verdade o que vem a ser liberdade de expressão? É verdadeiramente uma novidade? Eu acredito que não. Sempre houve desde a Grécia Antiga uma aristocracia intelectual. Aristóteles e Platão eram membros da elite grega. No Brasil, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e outros, foram membros da elite do país. O povo se dedica a ganhar dinheiro através do trabalho. Como foi que Carlos Drummond de Andrade escreveu seus livros em pleno regime militar? Foi através do direito de se exprimir. Quer dizer, a espressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO é nova em si, para os novos intelectuais, mas é velha desde a Grécia. Nos dias atuais, em que viemos uma crise mundial, a arte tomou um rumo difícil de definir. São poucos os que podem e têm tempo de consumí-la. Os que a produzem dependem de concursos financiados pelo poder ou de divulgação. A divulgação depende da apreciação da mídia, que costuma ser constituída por uma crítica louvaminheira. Então a LIBERDADE DE EXPRESSÃO surge para enfrentar estas dificuldades. Os novos escritores se auintitulam de funcionários públicos, porque são professores de cursos superiores, escrevendo nas horas vagas. O público consumidor de arte cada vez diminui mais. Os que podem comprá-la, chamam-na de cultura inútil, pela sua falta de utilidade prática para ganhar dinheiro. A fome ronda o estômago dos que se aventuram a escrever sem ter outra profissão.   

Vendo televisão, a toda momento vejo a expressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO ser dirigida a um jornalista inserido no mercado de trabalho ou de um atriz dizendo que vai processá-lo. Concluindo, a liberdade de expressão sempre houve, senão não teríamos um CRUZ E SOUZA, um CASTRO ALVES, um ALPHONSUS DE GUIMARÃES, e outros. O ressurgimento e divulgação da expressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO é mais uma falácia de nosso tempo para que se possa criar o racismo mais acirrado no país, e outros males que nunca tivemos assim tão fortes. É óbvio que o racismo brasileiro é histórico, não tão acintoso depois que a expressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO o colocou nas telas de nossas televisões. A LIBERDADE  DE ESPRESSÃO só falta criar uam Ku Klux Klan brasileira, pois que a globalização deixa a mídia À VONTADE com a expressão LIBERDADE DE EXPRESSÃO para falar do mundo todo, e com destaque para os problemas internos da nação hegemônica do planeta, que são os USA.  

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Comentário de Dulce de Souza Leao Barros em 1 dezembro 2017 às 8:29
Obrigada, Aristides Dornas Júnior. Gostei muito de suas informações. Valeu! Bjo
Comentário de Elías Antonio Almada em 30 novembro 2017 às 21:06

muito  bom, ,, muy bien

Comentário de Aristides Dornas Júnior em 30 novembro 2017 às 20:16

O que eu tentei fazer foi uma crítica à qualidade de liberdade de expressão que temos, ou melhor, que têm alguns.

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 30 novembro 2017 às 16:08

Eu discordo que temos liberdade de expressão total.
Fale algo que vá de encontro aos interesses dos poderosos para ver se vai haver liberdade de alguma forma.

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