Desígnio

J. A. Medeiros da Luz

 

Pois, quando eu e minhas circunstâncias

Retomarmos as rédeas do destino,

Esse corcel manhoso toda a vida,

Murchador de orelhas,

Escoiceador de sonhos e desejos,

Poderemos à larga nos deliciar

Com a utilíssima arte (possível para poucos)

De ordenhar nuvens, tosquiar brisas,

Pastorear córregos e arroios.

 

E, nessa quadra porvindoura,

Poderei enfim, com suma alacridade,

Partilhar daquela convicção

Extraordinária da criança que,

Do alto de seus dois anos de vivência,

De alminha mais leve que algodão-doce,

Planeja lá consigo,

Tendo níqueis azinhavrados (apenas três),

Comprar até mesmo à vista

- Tão simplesmente, num supermercado –,

Aquela bola linda que flutua ao largo

Quando é noite estrelada

E a que chamamos lua...

 

Quem sabe, não nos venham como troco,

Após tão simples transação,

Um pacotinho coroado de pipocas

E uma sacola grande abarrotada

De felicidade?

                              

Ouro Preto, janeiro de 2018.

Do livro: Martelo de cristal, a sair pela Jornada Lúcida Editora.

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Comentário de José Aurélio Medeiros da Luz em 2 fevereiro 2018 às 22:47

Caros amigos poetas Elias Almada, Margarida Madruga, José Carlos Ribeiro e Elisiário Luiz:

Que bom que vocês apreciaram o poemeto. Ele, na realidade, decorre de caso real, pois uma amiga de trabalho contou-me (coisa de dois meses atrás) que sua filhinha queria que ela, a mãe, lhe comprasse a lua. Perguntada como se faria tal aquisição informou, séria, que era só irem ao supermercado.

Para completar, logo no primeiro verso, adotei uma homenagem (vá lá!) ao ilustre Ortega y Gasset, decalcando seu famoso aforismo (constante no "Meditaciones del Quijote", de 1914): "yo soy yo y mi circunstancia, y si no la salvo a ella no me salvo yo."

Ou seja: plagiei, no espaço de poucos versos, uma garota de dois anos e o bravo Ortega y Gasset; não sei dizer se isso é lá uma boa credencial...

Abraço a todos e que nos venham – a nós todos – mais doses de vida.

Comentário de Elisiário Luiz em 1 fevereiro 2018 às 19:57

Caro amigo quanto que tão por que de mais lírico... Fique Bem!

Comentário de JOSÉ CARLOS RIBEIRO em 1 fevereiro 2018 às 13:53

Um poema belíssimo,e envolvente

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 1 fevereiro 2018 às 12:25

Belíssimo seu poema. Destaco dois versos sublimes. Parabéns.

De ordenhar nuvens, tosquiar brisas,

Pastorear córregos e arroios.

Comentário de Elías Antonio Almada em 1 fevereiro 2018 às 11:47

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