Divisão e oposição


Sem você, sou alma inane,
ao mesmo tempo
sutil e mordaz,
mulher e não mulher,
séria e falaz,
que fecunda e se esgota.
Efígie sem contorno,
que cintila no escuro.

Sem você, sou alma inane,
ao mesmo tempo
frágil e abducente,
mãe e não mãe,
cega e clarividente,
que ouve e não ouve.
Imagem sem reflexo,
que anuncia em silêncio.

Sem você, sou alma inane,
ao mesmo tempo
quieta e rumorosa,
santa e não santa,
inerme e sestrosa,
que sente e não sente.
Altar sem reverência,
que germina na fé.

Sem você, sou alma inane,
ao mesmo tempo tudo...
ao mesmo tempo nada...


Sílvia Mota a Poeta Escritora do Amor e da Paz.
Cabo Frio, 12 de novembro de 2008 – 21h50.
Fundo musical: An Adagio by Frank Pourcel.

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Comentário de Geraldo Coelho Zacarias ontem

São as loucuras do amor retratadas em palavras de rara beleza e maestria!...

MEUS APLAUSOS.

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 21 dezembro 2014 às 0:10

 Releio os comentários...

e sinto-me feliz pelo carinho de todos os amigos.

Beijosssssss

Comentário de Vera Regina Cazaubon em 25 dezembro 2012 às 22:25

Simplesmente lindo a dualidade destes sentimentos, parabéns amada, doces beijokas em teu coração com carinho

Comentário de Geraldo Coelho Zacarias em 23 dezembro 2012 às 21:50

SENTI;de alma pra alma;o quanto tua alma é viva...pois o amor,nela é gritante...Que coisa linda,cara poetisa;meus aplausos;beijos e UM FELIZ NATAL...

Comentário de Zeca Feliz Avelar em 23 dezembro 2012 às 12:16

Sílvia...

Na dualidade da contradição

o "Sem você" não há Paixão...

o "Sem você" é Divisão...

é até mesmo Oposição

Oposição ao Natural

que é o Amor - por igual

que é o sonho mais sonhado

- Do Amar e Ser Amado!

...

Emocionante Poesia... Cântico... Música

regida per si mesma... Em profusos sentimentos!

Beijosssssss - gaDs!

Comentário de SELDA MOREIRA KALIL em 23 dezembro 2012 às 1:05

 Imagem e texto belissimo,um conjunto sem igual,fantástico Silvia,parabéns pela beleza e criatividade poética.

Beijos carinhosos

Comentário de Zélia Mendonça Chamusca em 22 dezembro 2012 às 16:01

 Belo poema sobre a dualidade que se completa no todo.

É assim em toda a natureza e também na nossa natureza humana.

Mas, por vezes temos que vencer a inanidade, o vazio... encontrando o complemento em algo transcendente.

Parabéns, Grande Poetisa Silvia Mota, pelo belissimo poema, como sempre!

ZCH

 

Comentário de Marco Bastos em 22 dezembro 2012 às 6:28

 Felizmente somos todos seres contraditórios. Melhor a "metamorfose ambulante" do que ter a "opinião formada sobre tudo".

besos.

Comentário de Jean Marcell Gomes Albino em 22 dezembro 2012 às 4:05

 Belíssimo!! Estesia transbordante!! Parabéns, nobre poetisamiga Sívia!

Comentário de Arlete Brasil Deretti Fernandes em 22 dezembro 2012 às 1:52

 BELO POEMA.  EXPRESSA  A DUALIDADE QUE PODE  TOMAR CONTA DOS SERES QUANDO AMAM  COM INTENSIDADE E NÃO SÃO CORRESPONDIDOS.

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSS

ARLETE.

 

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