Engenho

O cheiro de garapa é suprassumo do gosto por regar raízes...
O bagaço que se esmoeu em rodas, no giro incansável, os gemidos que gemiam sabor de mel, gemiam pelo sustento banhado da fé de uma vivência tão simples, daqueles homens firmes e concentrados, cada qual em suas distintas funções.

Dos projetos de um grande empreendedor ao sumo da sobrevivência de uma época que honra minha alma e alegra-me!
Primeiro, a pá/lavra. Em sequência, a lavoura, o plantador, o colhedor, o corte da cana a espiar o facão sem nenhuma compaixão de acertar os nós, apaixonado pela destreza do produto final, da subsistência...

Dentre tantos, alguns se sobressaem de modo especial. Citando o engenho, sem dúvidas, reverencio meu avô materno. O segundo... O terceiro, etc. , vão surgindo em novos textos.

Vindo aí, a beleza da memória , que é vida! Sem as lembranças, o presente anula o passado... Vivências são riquezas, lições e testemunhos dos quais somos coadjuvantes, encenando, até que chegue a vez de sermos distintos personagens do próprio protagonismo!

Vovô Geraldo, de mente fértil, admirável engenharia de nascença aquele senhor, dono de mundão de terras, de gado bem cuidado nos tempos do capim meloso, de receitas homeopatas, de tanta sabedoria, de provedor que gerava ocupações diversas e usava de retidão aos que lhe prestavam serviços, inclusive, ao Siô Edgardo...

Ah, Siô Edgardo, vizinho ali da Chácara, de cara carrancuda que só! Um fingidor, pois tamanha sua moleza de regar a vida, da fala grossa, das mãos cascudas, da cuia se enchendo no rego d’água, molhando a horta de sustentar as irmãs tão caladas... No entanto, contrário, o coração molengo e doce, assim tal o canavial que mora aqui no imaginário, mesmo passadas décadas, sente o frescor na memória tenra de quem observava a tudo!

O engenho não parou... Há gente ativa trabalhando pela vida! A roda imensa, amadeirada apenas transformou- se em novas alternâncias.

O engenho reforça as cores de minha alma, visto por ora desbotado, após tanto labor, não é só lembranças... A preciosa água ainda hoje escorre clara, decerto deu suas voltas por aí em seu trajeto natural e preservado. Escorre, não se envolve com intempéries, escorre sem dar brecha às mazelas do tempo...

Engenho abençoado! As velhas paredes vão se remoçando no brilho da arte que me inspira em paredes transparentes de agora...

Maria das Graças Araújo Campos
Graça Campos, 03/08/2017.

Inspiração para a próxima pintura! Engenho Abençoado...
Aguardem!

Graça Campos03/08/2017.

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Comentário de Maria das Graças Araújo Campos em 16 agosto 2017 às 9:46

Sempre grata, querida Silvia Mota! Beijossssssss

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 8 agosto 2017 às 1:57

 Que maravilha, esta página!

 Texto e imagens, que alcançam meu coração.

 Parabéns e Felicidades!

 Beijosssssssssssss

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