Entre meus suspiros... teus ais...


Suspiro...

Lingerie negra adornada de rendas belicosas
esvoaça por entre coxas fantasmas.
Descalços pés voejam num caminhar de deusa,
pelas pegadas da aurora perdida em aflição.

Encorpam-se os seios à sutil lembrança
da fonte dos beijos e róseos oferecem os bicos.
Flores de perfume alado ao lábio febril das estrelas
evaporam-se à cadência eloquente das quimeras.

Suspiro...

Estremece a cintura demarcada ao som do sorriso
e à impulsão de volúpia falaz, o abdomem retesa.
Em sutis anseios e encanto mortal, quadris famintos
requebram-se à malevolência de horas esquecidas.

Avanço ao encontro do fatal amor e louca morro
à boca do beijo, que se procura no calor do meu.
Ato insondável, ao mesmo tempo, enaltecido pelos deuses
e aplaudido em algazarra por legião de demônios.

Suspiro...

Sucumbo à veludez do abraço - inesquecível aperto
da saudade que me faz felina fútil frente à fé.
Escuto o coração e não acalmo o meu, nas viagens
que faço ao desejo cativo que me deixa em transe.

Esfrego-me à lembrança doida e doída do sexo mudado
em fruto sensual e subo aos céus num devorar sem dó.
Os segredos cetim desses rubros lençóis transformam
em céu aberto o leito do prazer fechado ao nosso encanto.

Suspiro...

Lamelosa e frágil, separo a golpes de baton os botões vermelhos
que despontam pelo desvario doidivanas das nossas mãos.
Em telúrico sonhar esvaneço ao perfume estonteante
desse corpo e satisfaço tua brisa à minha ventania.

Ao contrário de ti, que me desejas céu, prefiro arder
ao fogo do inferno transparente e quente do teu leite.
Derramo-o pelo vão da minha boca, após arremessar-te
por inteiro ao Infinito do Destino... por todas as direções!

Suspiro...

Suspenso à língua rebolas teu paraíso à procura
dos meus frêmitos de dor e balouço-me ao sabor da tua voz.
Chamas-me rainha e, de quando em quando,
assolas-me palavrões mitigados ao dom de ardente paixão.

  Frenesi etéreo perturba o etéreo olhar - chamas a menina,
mas reclamas a mulher cúmplice às indecências da tua fantasia.
Salivo beijo e entre deusa e fada, perco minha origem
e sou Górgona e Atena – cobra e passarinho.

Suspiro...

Retomo as rédeas dos cabelos e cavalgo,
entre choques sutis, na afoiteza do ventre sem destino.
Quero olhar de frente e de frente admirar teu rosto,
ao afã de gozar completa em tudo, só por ver teu gozo.

Ah! Belo e sensual ao comando do meu grito!
Cheirar delírio. Gostar prazer. Olhar menino. Ouvir paixão!
Enxugo as lágrimas, para que não me afastem o sonho,
pois necessito de ti, neste instante intenso, para intensa ser tua.

Suspiro...

Sacio a saudade agrilhoada ao frescor de mãos trementes
e um pouco de mim transforma-se em asas e beijos-vento.
Cruzo a janela do presente e sôfrega penetro o passado em busca
do anjo corpo que te habita e de quatro arrebento teu desejo.

Assim, ao deleite solitário e triste desse escorrer melado, cultuo em flor
o meu pecado - a mais sublime dor de mim – em ais de muitos ais.
Numa cálida homenagem - entre divina e santa e lacrimosa –
meu sonho se perfaz à realística lembrança da ficção de outrora.

Suspiro...

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 23 de maio de 2010 – 12h30

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Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 19 maio 2016 às 1:06

Querido amigo, poeta e escritor Antonio Domingos Ferreira Filho,

Ler teu comentário é perceber o quanto respeitas os nossos escritos.

Cuidadoso a cada detalhe, és leitor apaixonado... e deveras generoso!

Agradeço-te, sinceramente, o  carinho aqui expresso.

Beijossssssssssss

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 19 maio 2016 às 1:02

Querida amiga, poeta e escritora Maria Iraci Leal,

Nesta madrugada fria, tuas palavras afagam meu coração.

Muito, muito obrigada!

Beijosssssssssssss

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 19 maio 2016 às 1:00

Querida amiga, poeta e escritora María Cristina,

Tuas palavras trazem-me felicidade e encantamento.

Grata, porque estás sempre em mim através dos meus poemas.

Beijosssssssssssss

Comentário de Antonio Domingos Ferreira Filho em 18 maio 2016 às 18:13

Lingerie negra ...///e à impulsão de volúpia falaz, o abdomem retesa.///Ato insondável, ao mesmo tempo, enaltecido pelos deuses///Chamas-me rainha ///assolas-me palavrões ///na afoiteza do ventre sem destino///Sacio a saudade agrilhoada ao frescor de mãos trementes///Cruzo a janela do presente e sôfrega penetro o passado em busca ///do anjo corpo que te habita e de quatro arrebento teu desejo.

"da saudade que me faz felina fútil frente à fé" - este verso traz muitas mensagens

Sublime a última estrofe.Assim, ao deleite solitário e triste desse escorrer melado, cultuo em flor
o meu pecado - a mais sublime dor de mim – em ais de muitos ais.
Numa cálida homenagem - entre divina e santa e lacrimosa –
meu sonho se perfaz à realística lembrança da ficção de outrora.

A certa angústia da eminente Poetisa ante os sentimentos naturais e os sentimentos culturais:

Faz toda a beleza do texto

Parabéns efusivos

Amiga Sílvia,

Magnífica poesia, toda ela, cada palavra, cada verso, cada estrofe.

Destaquei trechos que gostei demais.

"da saudade que me faz felina fútil frente à fé" - este verso traz muitas mensagens

Comentário de Maria Iraci Leal em 18 maio 2016 às 18:03

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ 

Sensacional, parabéns, bjs MIL.

Comentário de María Cristina em 18 maio 2016 às 17:25

Bellos Mensajes se siente Han Dejado ellos amigos Maestra !!!! Ha asignado el amor en la ESA dimensión Tus Palabras Hace La inspiración de la ONU Mensaje Dejarte

Beijoooos

Comentário de Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sílvia Mota Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ em 18 outubro 2014 às 23:44

Releio os comentários maravilhosos, que impulsionam minha inspiração.

Comentário de Vera Regina Cazaubon em 9 dezembro 2013 às 8:21

A nudez da Alma permitindo o jorrar da sensualidade e sentimentos, labaredas de paixão tatuadas no corpo alimentando a volúpia. Um poetar de mestre assinado com as digitais do desejo. Estou emocionada e encantada, beijokas com carinho

Comentário de Geraldo Coelho Zacarias em 8 dezembro 2013 às 11:46

Sem fôlego e sem palavras!...

Toda a essência do teu ser,

retratando o teu íntimo!...Fascinante!...

Aplausos...e beijos carinhosamente poéticos.

Comentário de Lais Maria Muller Moreira em 7 dezembro 2013 às 8:57

Sentimentos refratários encontram solidários gemidos

Parabéns Sílvia! Belos versos!

beijo

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