LE PETIT PARADIS

No trânsito lento, quase parado, o calor torna-se insustentável.

No pára-arranca constante, quase ritmado, com a alavanca das mudanças entre a 1ª e a 2ª. A mão praticamente fica sobre essa bola ergonómica, que lhe enchia a mão, com um calor morno, suave, como suave era a textura dessa forma, quase humana.

O trânsito decididamente não andava. A reunião teria que se fazer sem ela, nada poderia fazer para alterar a situação. Suspirou enquanto, novamente, perdera já a conta a quantas, vaporizava seu rosto com o spray, que trazia na carteira, para tais calores e outros do género. Distraída acariciava a bola da alavanca, sentindo seu bojo suave. Lembrou-se como estaria bem na frescura da casa de seu príncipe, como desejava estar junto dele, sentir suas mãos, a boca correndo seu pescoço e…

 Sacudiu a modorra que a assolava e, desperta, olhava em sua volta, buscava atenta, uma zona de fuga possível naquele trânsito, que decidira naquele dia, infernizar-lhe a vida. Diziam os taxistas que a 2ª-feira e a 4ª-feira eram os piores dias de circulação já sem falar da sexta-feira, no êxodo de fim-de-semana. Subitamente abriu-se uma nesga, à sua direita. Rápida engatou a mudança esgueirou-se faceira, no dédalo de ruelas que felizmente, conhecia bem. Mais umas curvas, voltas e requebros e conseguiria fugir ao marasmo pesado do calor e do trânsito.

Tomou a decisão! Sem pensar duas vezes (e porque seu carro decidira por ela!) estacionou! … Até tinha lugar! E sempre que isso acontecia, ela sabia que agia certo…mesmo que errado! Sorriu com riso maroto, um brilho travesso apontando no olhar! Tocou leve a campainha e abrindo a porta de lagarta-metálica, o ascensor, lento e antigo, levou-a ao que sabia, seria um pedaço roubado ao mundo real.

Chegada ao patamar, uma porta se abriu, suavemente, e, ao entrar, o mundo todo se transformou.

Trémulos, as bocas encontraram-se febris; roupas despidas atapetavam a entrada, as mãos sabiam onde ficar, as bocas mordiam, sugavam, sôfregas, sequiosas no calor e clima sensual desse corredor sombrio e duma frescura contrastante do exterior.

Le Petit Paradis, o paraíso por uma hora! Assim se poderia chamar ao porto de abrigo daquele piso, onde os corpos se fundiram, na furtiva e romântica, rápida escapadela, na penumbra dum Estio incandescente.

Chantal Fournet

18 Abril 2016

2h15 am!

[para participação no grupo do PEAPAZ ”Literatura Erótica” certame Nº17 “Encontro Furtivo”]

 

Exibições: 26

Comentar

Você precisa ser um membro de Poetas e Escritores do Amor e da Paz para adicionar comentários!

Entrar em Poetas e Escritores do Amor e da Paz

Comentário de Lais Maria Muller Moreira em 28 agosto 2017 às 23:02

Deliciosamente se vai seguindo,,. saboreando letra por letra...a elegante linguagem

o bom gosto extremado, que te cai tão bem!!!!!

Maravilhoso!!!!!

beijos

Comentário de Mônica do S Nunes Pamplona em 27 agosto 2017 às 23:59

Sábia decisão tomada. Haja visto que, já havia perdido o horário de seu compromisso.

Excelente, leitura.

Parabéns, minha querida.

Bjsss.

Membros

Poema ao acaso...

Portal para 38 Blogs-Sílvia Mota

Badge

Carregando...