Na noite em que as luzes do antigo solar brilharam, os habitantes da pequena cidade souberam que estava novamente habitado.

Ela surgiu no meio da noite,queria estar só e sentir com uma intensidade lancinante, a tristeza e a alegria de uma época que nunca veio ou que já se foi.
E para proteger a visão serena do que sentia isolou-se.

Dizem,que os loucos justificam sua condição com uma lealdade pertinente,e irão cercá-la cada vez mais rumo à sombra e à luz-que é sua angústia sagrada e os confronta como uma escolha.
Ela optou por seguir em frente, erguer-se mesmo com o passado se intrometendo na noite do presente.


Cuidava de suas flores com quem falava, ora rindo, ora chorando.

Ao entardecer,andava no jardim como um fantasma flutuando no vazio- a luz em luta contra a penumbra-e nesse momento sentia seu rosto se apagando como suas flores
 ao serem arrancadas pela raiz.
Às vezes, quem passava por perto, escutava o som do piano e uma voz que começava cristalina e terminava em gritos.
Com o passar do tempo, ficou conhecida como a louca do solar.

Anos depois,em um dia ensolarado, os portões do solar foram abertos levando a senhora com uma coroa de flores.
Partiu, no silêncio da noite,sozinha,sem sacramentos, com a alma encharcada em solidão e amor contido.

Todos que entraram no jardim, ficaram encantados com a beleza das flores e o perfume que exalava.
Não existia dor ou lamentos, só vida gritando com seu colorido estonteante e generoso.
A partir desse momento a louca, tornou-se santa

                                                                      

Marcia Portella_Go

(27 de janeiro de 2017)

Som_Une Longue Absenc (André Gagnon)

Imagem _Dorina Costras



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Comentário de Marcia Portella em 23 março 2017 às 10:15

Neuza,encantada com sua presença...Abraço

Comentário de Marcia Portella em 23 março 2017 às 10:14

Mônica,infelizmente, a maioria julga o outro por sua condição de sofrer,rir,chorar ou gritar como loucura sem tentar compreender que cada um enfrenta as adversidades da vida de acordo com sua condição interior.

Grata por estar presente...

Te abraço  

Comentário de Mônica do S Nunes Pamplona em 22 março 2017 às 2:48

Mas é sempre assim, não é mesmo amiga?

Depois que se vai, a criatura vira santificada, diante de outros olhos.

O mistério que envolve teu conto, prendeu-me à leitura. 

Adorei, tua composição.

Parabéns.

Bjsss.

Comentário de Neuza de Brito Carneiro em 20 março 2017 às 21:34

Lindamente triste.

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:53

Marcia,encantada e grata em te receber ...Abraço

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:51

 Amigo Paolo,é sempre bom te encontrar em minha página...Te abraço 

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:50

Elías,grata por sua bela postagem  e comentário...Abraço 

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:47

Rose, grata por estar presente em minhas letras...Te abraço 

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:45

Cristina,encantada em receber seu generoso comentário...Abraço

Comentário de Marcia Portella em 20 março 2017 às 16:43

Linda amiga,grata pelo destaque e seu generoso comentário...Te abraço

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