O velho

Perguntei ao velho,

por que era tão só,

ele simplesmente a

mim me respondeu:

que o era pelo

simples  motivo

de ter envelhecido

ao sonido da nota dó

e;  de  ainda estar vivo

ao  aproximar-se  do  pó.

Portanto, o esquecimento

lhe fora concedido

pela própria

natureza do amor.

humano, por dó maior.

Sem  inculpar  ninguém,

seguia  o  seu caminho

sorrindo sozinho, além,

coberto de flores

e seus espinhos.

Seus sonhos eram plenos de amores

por sobre os espinhos de seus dias

de refinados estertores,

bem além do além.

Onde estariam

seus descendentes?

Fato corriqueiro e recorrente...

Seus amores ocultavam-se

dentre aqueles abrolhos

de flores em seu velho

caminho como se fora

guardado a sete chaves

dentro dum antigo escaninho

poeirento e grave, trancado sem chave.

Às vezes os mais queridos parentes

tornam-se friamente indiferentes.

O tempo é o melhor remédio

a solucionar tais problemas de tédio,

colocando todos na posição horizontal,

onde findarão as orgulhosas vaidades

vislumbradas por velhos diademas

os quais também criaram a feiura

de seu azinhavre sobre o belo cobre

que cobre o que sobre,

sobre o velho pobre .

 

O ouro somente

tem o simplório valor

quando a vida faz alguém admirá-lo

e mais nada de inútil poder-se-á acrescentar

a essa ilusória plateia de panaceia e placebos fúteis.

 

Naquele momento de exílio a porta se abre,

era chegada à hora de fechar o asilo…

 

Grato pela visita pela qual o meu ser todo se agita.

Ao encontrar o meu neto transmita-lhe meu afeto.

À minha nora lha diga que deixarei a fadiga

logo que a mim me chegue a aurora.

Ao meu filho dê-lhe um beijo

mesclado de forte

ensejo.

 

Então, o portal se fecha.

 

jbcampos

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Comentário de João Batista de Campos quinta-feira

Grato,  Elisiário, pela participação, aquele abraço do campos.

Comentário de Elisiário Luiz quinta-feira

 Em quanto se está vivo (...bem nós lamentamos) não há pelo que se arrependerem...parabéns caro amigo fique bem! 

Comentário de João Batista de Campos em 16 abril 2018 às 23:09

Grato, Almada, pela deferência. Abraços campônios.

Comentário de Elías Antonio Almada em 16 abril 2018 às 20:15

Comentário de João Batista de Campos em 16 abril 2018 às 19:09

Obrigado, MARGARIDA, pelas generosas observações. Amplexos do campos.

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 16 abril 2018 às 16:36

É a realidade de muitos, quando cientes e conscientes.

Bonito trabalho JBCampos.

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