com som

Os anos passam rápido, enquanto a vida caminha lenta ...  Colecionamos momentos apressados. E alguns que gostamos de ter sempre conosco.

Para ela a vida era um seguir sem fim, bordado de lembranças. Como aquele pinheiro que uma vez enfeitara um Natal e depois fora plantado no jardim. Num canto, na direção de suas janelas, de onde pudesse vê-lo. Assim seria sempre seu pinheiro ...

Ela gostava de fita-lo, ele era sempre seu primeiro “bom-dia” ; ela lhe contava os segredos que o espelho não podia ouvir ... Ela o via lançar-se mais ao céu através das décadas ... Era um companheiro de história. Uma boa lembrança. Uma parte de sua vida ...

Antes pequeno, tímido junto ao muro, ele foi tomando porte.  Sol e chuva faziam-no feliz. De quando em quando o tempo presenteava-lhe com novas agulhas  -  e suas rodas cresciam, se abriam, mostrando o belo cone que seria ...

O pinheiro assistia o tempo passar enquanto as crianças da vizinhança cresciam. De quando em vez alguém vinha e enfeitava-o com luzes coloridas. Ele não sabia o por que disso  - apenas se mostrava mais imponente com seus colares a piscar ...

Mas havia aqueles indiferentes, para quem o pinheiro era apenas outra árvore, sem maior importância. Esses queriam tirá-lo dali, fazer mudanças, obras, muretas, sabe-se lá o que !   Insensíveis !  Uma vez tentaram cortá-lo.. Ao sabe-lo ela revoltou-se, gritou, questionou, alardeou a infâmia, protestou veementemente, até que deixassem em paz seu pinheiro ...

Ele nem soube ...  e continuou a alegrar a visão dela, com suas agulhas balançando na brisa da manhã, recebendo a visita de passarinhos em seus galhos, presenteando a todos com seus frutos  -  a inocência de um reino abençoado por Deus ...

O pinheiro crescia forte !  Agora ela já o via sem precisar chegar à janela ! Mesmo sentada em seu quarto podia vê-lo, verdinho, feliz ... Ela sabia que ele tinha vida própria, mas alegrava-a saber que ela o plantara ali, um dia. Não fora ele apenas um enfeite de natal que se joga fora, mas uma vida acalentada, querida, cuidada.

Porém um dia, ao acordar, olhou pela janela e não viu mais o pinheiro !... Estarrecida viu apenas um toco de madeira onde antes ele crescera ... Uma profunda dor atravessou-lhe o coração e chorou ! Na calada da noite, haviam cortado a pobre árvore – sem que ela tivesse a chance de protestar e tentar salvá-lo ...

Quanta maldade !!  Quanta falta de humanidade !! Ceifar uma vida sem qualquer razão !!

E ela chorou amargamente a perda daquele amigo, lembrando como ele ficara garboso, o tempo que haviam atravessado juntos, as agulhinhas novas , verdinhas, que outro dia mesmo tinha percebido...

Nada mais restava dele. Fora removido e tudo limpo. Restara apenas as suas memórias.

Mas ao passar perto de onde fora a morada do pinheiro, num canto, meio escondidas, como a esperá-la,  viu umas agulhinhas de seu amado pinheiro. Ela as recolheu e guardou, com uma última lágrima.

E quis com a força de seu coração que ele tivesse apenas cumprido seu tempo entre nós e tivesse partido sem sentir a dor  que o desamor dos homens é capaz de causar.

Ele agora permaneceria vivo em seu coração ...

 

                                                                                                               Waulena

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Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 16 junho 2017 às 0:29

Obrigada, Amigo Elias !

Bjss Wau

Comentário de Elías Antonio Almada em 12 junho 2017 às 11:53

Muito bonito

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