SANGUE LUSITANO ( rondó português)
Jorge Linhaça

Meu coração é a nau,
a singrar mares bravios...
Na boca o gosto do sal
do batismo dos gentios.
Nas praias deste Brasil
de Cidreira até Natal
meu peito sempre sentiu
saudades de Portugal.

Grita , ó sangue lusitano!
Corre insano pelas veias.
Das areias, ao mar plano,
tanto amo a maré cheia.

Sigo nas ondas do tempo,
retorno à Lisboa amada,
d'onde co'a força dos ventos
partiu pra cá a armada.
E ao longo da jornada,
venho à bordo, ao relento,
singrando águas passadas
co'a força do pensamento

Grita , ó sangue lusitano!
Corre insano pelas veias.
Das areias, ao mar plano,
tanto amo a maré cheia.

Encontro lá o Caminha,
troco idéias com Cabral,
Me contam coisas das índias,
de Goa e Guiné Bissau.
Na viagem imortal,
as naus seguem suas trilhas;

Calmaria ou temporal
segue a valente marinha.

Grita , ó sangue lusitano!
Corre insano pelas veias.
Das areias, ao mar plano,
tanto amo a maré cheia.

Quando vimos dar à costa,
alguém grita, "Terra à vista!"
s'é a Índia pouco importa,
importa mais, a conquista.
Quando o belo se avista,
e a sorte bate à porta,
reza-se logo uma missa
que nossas almas conforta.

Grita , ó sangue lusitano!
Corre insano pelas veias.
Das areias, ao mar plano
tanto amo a maré cheia.

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Comentário de Maria-José Chantal F. Dias em 13 janeiro 2016 às 16:04

Sinto saudade de seus escritos

Ó Brasileiro de coração Lusitano!

Por onde andais

em que mares navegais,

vós, que de nós vos apartasteis!?

chantal

Comentário de Antonio Cícero da Silva em 12 janeiro 2016 às 23:46

É sangue poético, a muito fluir... Abraços,meu caro poeta...

Comentário de Dione Fonseca de Barros em 7 setembro 2015 às 21:25

Lindo poema. 

Amei

 Saudações poéticas.

Comentário de Antonio Cabral Filho em 5 setembro 2015 às 13:03

Bravo Jorge. Parabens !!

Comentário de Mônica do S Nunes Pamplona em 3 setembro 2015 às 1:31

Que maravilha de leitura.

Tamanha criação em poesia, encanta o leitor.

Parabéns novamente, nobre poeta.

Bjssss

Comentário de JOSÉ CARLOS RIBEIRO em 2 setembro 2015 às 22:10

Um lindo poema magnifico. Lisboa, terra boa

Comentário de Maria Iraci Leal em 2 setembro 2015 às 20:41

Jorge Luiz Franco Linhaça 

Magistral, me encanta tudo que se refere a Portugal e, escreveste magistralmente,

parabéns Jorge, querido poeta, bjs MIL.

Comentário de Maria-José Chantal F. Dias em 2 setembro 2015 às 20:18

BRILHANTE!

... certeza certezinha...que não é Português, dos lusos costados?!?!?!

Comentário de Jorge Luiz Franco Linhaça em 2 setembro 2015 às 17:59

Obrigado, Arlete:

O refrão é uma das características que mais me agrada no rondó português, forma poética meio que esquecida na atualidade. Assim como o rondel, o vilancete, o triolé e outros o rondó era feita para ser cantado, por isso essa necessidade do refrão marcante.Trovadores e menestréis tinham vários deles de cabeça e os cantavam/declamavam para a corte e os nobre.

Comentário de Arlete Brasil Deretti Fernandes em 2 setembro 2015 às 15:35

Belíssimo!

Parabéns!

Cantas o valente sangue lusitano, suas naus, seus personagens.

È maravilhoso este encontro com Cabral. Com a história de Portugal.
singrando águas passadas
co'a força do pensamento
A estrofe que se repete deixa o poema mais lindo ainda.

Grita , ó sangue lusitano!
Corre insano pelas veias.
Das areias, ao mar plano
tanto amo a maré cheia.

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