Já não é possível criar uma literatura que seja realmente nova para os brasileiros. Não depois do Concretismo, que teve mais força destrutiva que criativa. O Concretismo é uma literatura para exportação, ou como meu pai dizia, coisa para inglês ver. Por outro lado, os autores de geração mais nova do que a minha, sendo que eu sou de 1954, e portanto posso me considerar muito velho para dar início a uma carreira literária de sucesso,estão preocupados em ganhar os prêmios de valor monetário mais alto que por acaso existam no país. De modo que desde Antônio Houaiss para cá acabou-se o saber puramente indicado como saber. O saber propriamente dito desinteressado. Isso não existe mais. Tanto que os editores nacionais, experts em ganhar dinheiro com livros, lançaram mão do recurso de mandar traduzir autores americanos e ingleses que lançam no mercado brasileiro. Eu não teria nada contra, se os brasielros todos tivessem condições de ler em inglês as obras que se editam no Brasil de autores americanos. Mas isso não existe. Basta ver o fracasso que são nossas escolas. Sendo que as escolas de língua só são acessíveis a uma pequena parcela da população. Eu pessoalmente tive que me virar para ler o ULYSSES, de James Joyce, um perfeccionista. Primeiro li a tradução que o Sr. Antônio Houaiss fêz do original para depois encomendar a um sobrinho meu que estudou e fez doutorado em NEUIROCIÊNCIA na Alemanha que me trouxesse um exemplar do mesmo livro em inglês para que eu me aventurasse na obra do autor irlandês. Mesmo assim, não me foi fácil a leitura.O que esperar então do autor nacional das gerações mais novas que se proponha a nos dar uma obra que contenha novidade? Muito pouco, porque, não se iludam, nos meios literários existe também uma séria hierarquia difícil de ser quebrada. Quem consegue chegar ao topo difícimente abre mão de seu lugar. Lá se foram os tempos do cordialismo do Modernismo, escola literária que aceitava contribuições sem precisar de concursos literários onde o júri é fornado hodiernamente por figurões dispostos a premiar quem eles queiram ou quem mais convenha ao momento que o país venha vivendo. Por isso a novidade literária no mundo atual é altamente fáustica, no sentido de que FAUSTO aqui não é o personagem de GOETHE, mas o dinheiro que o concurso literário oferece à melhor obra. Tenho dito.

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